Desinformadores são eleitos para o Legislativo em ao menos seis estados

Por Amanda Ribeiro, Ana Rita Cunha e Luiz Fernando Menezes

3 de outubro de 2022, 16h47

Com 3,6 milhões de votos recebidos, 13 dos 23 candidatos que já tiveram publicações desmentidas pelo Aos Fatos garantiram assentos na Câmara dos Deputados, no Senado Federal e em assembleias legislativas em seis estados. A maioria dos eleitos (9 de 13) é do PL, partido do presidente e candidato à reeleição, Jair Bolsonaro.

Três dos quatro desinformadores citados em reportagem do Aos Fatos que não conseguiram se eleger em 2020 voltaram a disputar as eleições deste ano. Desta vez, um deles, Alan Lopes (PL-RJ), conquistou uma cadeira.

Cinco médicas que ganharam popularidade durante a pandemia de Covid-19 ao desinformar sobre vacinas e tratamento precoce também ficaram de fora: Nise Yamaguchi (Pros-SP), Mayra Pinheiro (PL-CE), Raíssa Soares (PL-BA), Roberta Lacerda (PL-RN) e Maria Emília Gadelha (PRTB-SP).

Confira abaixo a lista dos desinformadores que conquistaram cargos públicos no último domingo:

  • Alan Lopes (PL-RJ): citado em cinco textos do Aos Fatos, Lopes difundiu a desinformação de que um relatório do TCU (Tribunal de Contas da União) teria supernotificado mortes por Covid-19. Eleito deputado estadual com 42 mil votos;
  • Bia Kicis (PL-DF): durante o mandato, Kicis espalhou desinformação sobre assuntos que vão da pandemia de Covid-19 ao sistema eleitoral, conforme mostram checagens do Aos Fatos. Reeleita deputada federal com 214 mil votos;
  • Carla Zambelli (PL-SP): a parlamentar desinformou sobre uma ampla gama de assuntos ligados à pandemia de Covid-19 e à segurança das eleições. Reeleita deputada federal com 946 mil votos;
  • Damares Alves (Republicanos-DF): A ex-ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, propagadora de desinformações ligadas à ideologia de gênero, foi escolhida senadora do Distrito Federal com 714 mil votos.
  • Eduardo Bolsonaro (PL-SP): o filho do presidente Jair Bolsonaro — que, entre outros, desinformou sobre a Covid-19 e usou dados inexistentes para inflar atos em defesa do pai — foi o terceiro deputado federal mais votado de São Paulo. Reeleito deputado federal com 741 mil votos;
  • Eduardo Pazuello (PL-RJ): terceiro ministro da Saúde do governo de Jair Bolsonaro, Pazuello desinformou principalmente sobre o “tratamento precoce” contra a Covid-19. Na CPI da Covid-19, Pazuello mentiu sobre ações do govenro na crise de oxigênio em Manaus. Responsável pela diminuição da transparência do Ministério da Saúde. Eleito deputado federal com 205 mil votos;
  • Gil Diniz (PL-SP): responsável pela desinformação de que a jornalista Vera Magalhães receberia salário de R$ 500 mil da TV Cultura. Reeleito deputado estadual com 196 mil votos;
  • Gustavo Gayer (PL-GO): Propagador de desinformações sobre o voto impresso e que associavam PT e PCC. Gayer também espalhou a informação falsa de que o Ipec e o Instituto Lula funcionavam no mesmo endereço e mentiu sobre dados da Covid-19. Eleito deputado federal com 254 mil votos;
  • Gustavo Victorino (Republicanos-RS): Checado por Aos Fatos por afirmar que a Petrobras reservou R$ 200 bilhões antecipadamente para repartir entre acionistas. Eleito deputado estadual com 112 mil votos;
  • Magno Malta (PL-ES): O ex-parlamentar, que desinformou durante a pandemia sobre temas como a vacinação e o tratamento precoce, volta ao Senado após alcançar 821 mil votos.
  • Osmar Terra (MDB-RS): um dos mais contumazes desinformadores da pandemia, Terra mentiu, por exemplo, ao afirmar que o isolamento social não era eficaz contra a Covid-19. Reeleito deputado federal com 103 mil votos;
  • Ricardo Salles (PL-SP): ex-ministro do Meio Ambiente, Salles desinformou sobre temas da área ao minimizar as queimadas na Amazônia e o trabalho de fiscalização do governo Bolsonaro, além usar mentiras para negar a existência do aquecimento global. Eleito deputado federal com 640 mil votos;
  • Tomé Abduch (Republicanos-SP): líder do movimento Nas Ruas, durante a campanha ele é citado em uma reportagem do Radar Aos Fatos como um dos responsáveis por pagar anúncios no Facebook com desinformação sobre o sistema eleitoral durante o 7 de Setembro deste ano. Eleito deputado estadual com 221 mil votos.

Outros desinformadores, no entanto, não tiveram sucesso:

  • Abraham Weintraub (PMB-SP): ex-ministro da Educação que fez declarações enganosas sobre a relação entre armas e violência e que citou informações falsas sobre aposentadoria de professores no Senado. Tentou ser eleito deputado federal, mas conseguiu apenas 4.057 votos;
  • Alexander Brasil (PL-SC): o desinformador bolsonarista que divulgou, por exemplo, imagens descontextualizadas do comício de Lula em Florianópolis, teve 20 mil votos e não foi eleito deputado estadual;
  • Douglas Garcia (Republicanos-SP): deputado estadual responsável por disseminar a desinformação sobre o salário de Vera Magalhães. Recebeu 24 mil votos e não foi eleito deputado federal;
  • Lisboa (PL-SP): o youtuber do Vlog do Lisboa, que foi punido pelo TSE por disseminar desinformação sobre o voto impresso, teve 25 mil votos e não foi eleito para o cargo de deputado federal;
  • Maria Emília Gadelha (PRTB-SP): médica defensora da ozonioterapia que desinformou sobre as vacinas de HPV e de Covid-19, também não conseguiu ser eleita deputada federal. Ela teve 14 mil votos;
  • Mayra Pinheiro (PL-CE): ex-secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, a autodenominada “Capitã Cloroquina” conseguiu 72 mil votos, insuficientes para conquistar uma cadeira na Câmara dos Deputados;
  • Nise Yamaguchi (Pros-SP): outra personagem da CPI da Covid-19 checada pelo Aos Fatos que não conseguiu se eleger. Ela pleiteava o cargo de deputada federal, mas os 36 mil votos recebidos não foram suficientes;
  • Rafael Zucco (PL-SP): autor da postagem que associava a queda no número de casos de Covid-19 às praias lotadas, fracassou em uma eleição pela segunda vez. Teve 25 mil votos e não conseguiu o cargo de deputado estadual;
  • Raíssa Soares (PL-BA): um dos principais nomes da defesa da cloroquina. Foi candidata ao Senado, mas terminou em terceiro lugar, com cerca de 1 milhão de votos;
  • Roberta Lacerda (PL-RN): a médica, que teve o perfil suspenso no Twitter e vídeos excluídos no YouTube após relacionar casos de câncer à vacinação, teve 14 mil votos e não conseguiu se eleger deputada federal.

Referências:

1. Aos Fatos (1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 21, 22, 23, 24, 25, 26, 27, 28, 29, 30, 31, 32, 33, 34, 35 e 36)

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