Médicas que desinformam sobre Covid-19 indicam que serão candidatas nas eleições

Por Ethel Rudnitzki e Priscila Pacheco

6 de abril de 2022, 14h26

Cinco médicas que se notabilizaram durante a pandemia por propagar desinformação em defesa de terapias ineficazes contra a Covid-19 e atacar as vacinas se movimentam em busca de vagas na Câmara dos Deputados e no Senado nas eleições deste ano. A mobilização foi evidenciada em publicação nas redes sociais da pediatra Mayra Pinheiro (PL-CE) no domingo (3), logo reproduzida por Nise Yamaguchi (PROS-SP), Raíssa Soares (PL-BA), Roberta Lacerda (PL-RN) e Maria Emília Gadelha, citadas no post.

“Que, em 2022, o Brasil possa ter no Congresso Nacional a mais corajosa representação feminina da sua história”, afirma a publicação da ex-secretária dos ministérios da Saúde e do Trabalho que ficou conhecida como Capitã Cloroquina. A postagem é ilustrada com fotos das cinco médicas.

Pinheiro, que deve concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados pelo PL do Ceará, foi uma das responsáveis por um aplicativo desenvolvido pelo governo federal que recomendava a hidroxicloroquina para pacientes com suspeita de Covid-19. Como diversos estudos clínicos já demonstraram, a droga não tem efeito sobre o coronavírus.

Mesmo assim, a médica voltou a usar informações falsas para defender o uso do medicamento quando foi questionada em maio de 2021 pela CPI da Covid-19. O relatório final da comissão pediu seu indiciamento por crime de epidemia com resultado morte, prevaricação e crime contra a humanidade.

Nise Yamaguchi também deu declarações falsas ao depor à CPI no Senado, como ao alegar que “tratamento precoce” havia reduzido hospitalizações e mortes pela Covid-19. O relatório da comissão pediu o indiciamento da oncologista, suspeita de integrar “gabinete paralelo” no Ministério da Saúde, por crime de epidemia com resultado morte. Ela está filiada ao PROS e quer concorrer ao Senado por São Paulo.

Ex-secretária de Saúde de Porto Seguro (BA), Raíssa Soares ganhou projeção nacional após gravar um vídeo em que pede para o governo federal enviar cloroquina ao município baiano. A defesa do uso do medicamento para a doença levou o Ministério Público a pedir seu afastamento do cargo. Ela se demitiu no fim de 2021. Filiada ao PL de Bolsonaro, a médica anunciou que é pré-candidata ao Senado na Bahia.

A infectologista Roberta Lacerda e a otorrinolaringologista Maria Emília Gadelha ficaram conhecidas na pandemia ao promover um discurso antivacina. Lacerda, que teve o perfil no Twitter suspenso e vídeos da no YouTube excluídos após relacionar casos de câncer à imunização no Senado, pode concorrer à Câmara pelo PL do Rio Grande do Norte.

Já Gadelha repete com frequência alegações enganosas de que as vacinas não passaram por testes clínicos antes de serem aprovadas para uso em adolescentes. Aos Fatos não conseguiu identificar qual seria o partido dela e o cargo que ela pretende disputar nas eleições deste ano.

Aos Fatos enviou pedidos de entrevista para as cinco médicas, mas, até a publicação desta reportagem, não houve resposta.

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