É falso que 'tratamento precoce' zerou internações por Covid-19 em Cascavel

Por Priscila Pacheco

6 de abril de 2021, 17h31

Não é verdade que Cascavel (PR) ofereceu "tratamento precoce" contra a Covid-19 a 2.000 pacientes e que ninguém foi internado, como alegam postagens nas redes sociais (veja aqui). No dia em que a publicação foi veiculada, 30 de março, a cidade paranaense registrou 135 internações, sendo 110 delas em leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva). A situação permanece estável atualmente: nesta segunda (5), eram 130 internados.

A peça de desinformação provavelmente tem origem em uma nota da Associação Médica de Cascavel, que recrutou voluntários para promover e distribuir medicamentos sem eficácia comprovada contra a doença. Os resultados desta ação, que durou um mês, porém, não foram apresentados. Procurada por Aos Fatos, a entidade não se pronunciou.

Nas redes sociais, posts com a alegação enganosa reuniam ao menos 22.242 compartilhamentos nesta terça-feira (6) e foram marcados com o selo FALSO na ferramenta de verificação da plataforma ‌(‌saiba‌ ‌como‌ ‌funciona‌).


Parabéns aos médicos de Cascavel, que estão trabalhando de graça e oferecendo o tratamento precoce. Mais de 2.000 atendimentos e nenhum internamento

É enganosa a alegação que circula nas redes de que Cascavel (PR) receitou "tratamento precoce" a mais de 2.000 pacientes com Covid-19 e que ninguém foi internado. No dia 30 de março, data das publicações, o município paranaense contava com 135 leitos ocupados. Desse total, 110 eram em UTI (Unidade de Terapia Intensiva).

Conforme os boletins epidemiológicos publicados pela Secretaria Municipal de Saúde, Cascavel tem apresentado superlotação hospitalar com frequência neste ano. No dia 3 de março, por exemplo, o governo do estado anunciou a abertura de novos leitos de enfermaria e UTI na cidade, que havia alcançado 100% de ocupação. Dados publicados nesta segunda-feira (5) mostram que 130 leitos permanecem ocupados.

Além de haver internações, as publicações também são enganosas já que estudos científicos realizados desde o começo da pandemia não atestaram a eficácia de nenhum medicamento para tratar precocemente a Covid-19. Outro fator já explicado por Aos Fatos é que o potencial de um tratamento não é validado por especulações ou observações superficiais, mas por pesquisas que seguem critérios rígidos.

Associação Médica. A peça de desinformação parece ter origem em uma nota sobre o encerramento das atividades voluntárias de um grupo de profissionais da Associação de Médicos de Cascavel. Segundo o texto, ao longo de março, 3.000 pacientes com sintoma da doença foram orientados a tomar hidroxicloroquina, azitromicina, ivermectina, vitamina D, rivaroxabana e dexametadona no CAC (Centro de Atendimento a Covid), espaço montado pela entidade. Os medicamentos foram doados por um grupo de empresários.

Segundo a associação, o trabalho feito no mês passado deve gerar um documento científico, pois existiria uma equipe de médicos e voluntários que monitoram os pacientes. Procurada por Aos Fatos nesta terça-feira (6) para verificar se nenhum dos atendidos chegou a ser posteriormente internado, a entidade não respondeu.

Em nota enviada por e-mail ao Aos Fatos, a Secretaria Municipal de Saúde de Cascavel afirmou que pacientes sintomáticos na cidade passam por avaliação médica e que remédios são receitados de acordo com os sintomas apresentados. Segundo a pasta, a indicação de "kit Covid" era feita pelo CAC, que é privado, não pelas unidades públicas.

O Aos Fatos já checou outras peças de desinformação similares com referências a Porto Feliz (SP), São Lourenço (MG), Búzios (RJ), Rancho Queimado (SC) e Chapecó (SC). Uma lista com 15 cidades, que incluía Cascavel, também foi desmentida no mês passado.

Referências:

1. Aos Fatos (Fontes 1, 2, 3, 4, 5, 6 e 7)
2. Secretaria Municipal de Saúde de Cascavel (Fontes 1 e 2)
3. Governo Estadual do Paraná
4. Associação Médica de Cascavel (Fontes 1 e 2)


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