Como funciona a parceria do Aos Fatos com o programa de verificação de desinformação no Facebook

19 de junho de 2020, 13h23


Aos Fatos integra o Third-Party Fact-Checking Partners, programa de verificação de fatos do Facebook, desde maio de 2018. A parceria reúne dezenas de iniciativas independentes de checagem no mundo associadas à IFCN (International Fact-Checking Network) para combater a disseminação de desinformação na plataforma e também no Instagram.


Em resumo, o programa funciona assim:

1. Publicações orgânicas e pagas com informações potencialmente falsas são indicadas em uma ferramenta disponibilizada pelo Facebook e também rastreadas em monitoramentos independentes do Aos Fatos;

2. Uma vez confirmada que a publicação tem informações falsas ou distorcidas, Aos Fatos publica uma checagem, que é cadastrada na ferramenta do Facebook junto aos posts que trazem o conteúdo enganoso;

3. Um aviso aparece sobre a publicação marcada e indica a presença de informações checadas como falsas ou parcialmente falsas. Todos os usuários que interagiram com o post recebem notificação similar e a visualização do conteúdo é reduzida no feed do Facebook ou do Instagram;

4. O publicador do conteúdo checado recebe uma notificação do Facebook sobre a verificação. Nela, é indicada a possibilidade de reverter a punição, por meio de correção pública e apelação enviada diretamente ao Aos Fatos;

5. Página, grupo, usuário ou site recorrentemente marcado por Aos Fatos e outras iniciativas de checagem são punidos pelo Facebook com a redução da distribuição do conteúdo, perda da capacidade de monetizar publicações, de veicular anúncios e de se registrar como página de notícias.


A seguir, reunimos as principais dúvidas sobre a parceria:

Como são selecionados os conteúdos que são checados dentro da parceria?

O Facebook disponibiliza uma ferramenta que compila publicações que são denunciadas por usuários da rede social e do Instagram como “notícia falsa” e outras selecionadas por machine learning. Na plataforma, a equipe do Aos Fatos faz varreduras diárias e seleciona conteúdos potencialmente enganosos para checagem seguindo critérios como alcance (compartilhamentos e interações) e relevância, dentro do que prevê a nossa metodologia.

A ferramenta do Facebook permite ainda que Aos Fatos e outros veículos parceiros insiram publicações enganosas checadas que tenham sido capturadas em outros monitoramentos, como, por exemplo, na plataforma CrowdTangle. A seleção deste material também segue critérios de alcance e relevância.

Quais são as classificações que podem gerar punições do Facebook?

Conteúdos classificados na ferramenta como FALSO ou PARCIALMENTE FALSO estão sujeitos às punições previstas pelo Facebook na parceria.

Veja mais abaixo todas as classificações que são permitidas pela plataforma.

Quais são as punições por disseminar desinformação no Facebook e no Instagram?

De primeira, o post recebe um aviso que alerta para a presença de desinformação, mesma notificação que é enviada aos usuários que interagiram com ele. A publicação também tem a visualização reduzida nos feeds e quem tentar compartilhá-la recebe um alerta de informação falsa ou parcialmente falsa.

Caso a página, o perfil ou o site seja frequentemente marcado nessas duas classificações são aplicadas outras punições pelo Facebook, como a redução da distribuição do conteúdo, perda da capacidade de monetizar publicações, de veicular anúncios e de se registrar como página de notícias (as já registradas podem ter o título revogado).

O Facebook afirma que, com o tempo, essas páginas e perfis podem ter sanções suspensas, desde que parem de compartilhar desinformação.

Vale lembrar que as punições ocorrem somente dentro do Facebook e do Instagram. Não se aplicam, por exemplo, a um site, mas a links dele compartilhados nessas redes sociais.

Como pedir uma correção na classificação de um post?

Os proprietários de sites, páginas e perfis com posts marcados por desinformação podem recorrer ao Aos Fatos em até sete dias após serem notificados pelo Facebook por meio do e-mail ouvidoria@aosfatos.org. Aos Fatos não está obrigado a responder solicitações enviadas fora do prazo.

É extremamente importante que o publicador não apague o conteúdo que está sendo questionado, pois isso tornará impossível que Aos Fatos processe o pedido de correção na ferramenta do Facebook. Apelações enviadas sobre posts já deletados serão recusadas.

Ao entrar em contato, é indispensável enviar o link do post que é alvo da contestação e indicar no e-mail claramente o que deve ser corrigido ou revisto.

O Facebook disponibiliza modelos de apelação para os publicadores (aqui, em inglês).

Por que o Aos Fatos foi escolhido como parceiro do Facebook?

Aos Fatos foi contratado pelo Facebook para atuar como third party fact-checker (verificador independente) por ser membro verificado da IFCN (International Fact-Checking Network) no Brasil. Para o Facebook, era indispensável envolver nesse projeto verificadores que tivessem passado pela auditoria internacional realizada pela IFCN anualmente.

A avaliação externa, realizada por avaliadores independentes, atesta que a plataforma cumpre os cinco princípios éticos da rede internacional de checadores: é transparente quanto à metodologia de trabalho, quanto às fontes que usa e quanto a seu financiamento. Também tem uma política pública para eventuais correções e trabalha de forma apartidária.

No Brasil, quem mais participa da iniciativa?

Além do Aos Fatos, integram atualmente a parceria com o Facebook no Brasil a Agência Lupa, o Estadão Verifica e a AFP Checamos.

Políticos podem ser punidos no Facebook e no Instagram ao veicular desinformação?

Aos Fatos checa sistematicamente o discurso de autoridades públicas, inclusive em postagens nas redes sociais. No entanto, checagens sobre informações falsas veiculadas por políticos com mandatos não são inseridas na plataforma de verificação do Facebook.

Segundo a rede social, a abordagem da parceria “se baseia na crença fundamental do Facebook na liberdade de expressão, no respeito ao processo democrático e de que o discurso político é o mais analisado que existe, especialmente em democracias maduras com uma imprensa livre”. Ainda de acordo com a empresa, “se limitássemos o discurso político, deixaríamos as pessoas menos informadas sobre o que os representantes eleitos estão dizendo e diminuiríamos a responsabilidade dos políticos por suas palavras”. Saiba mais sobre o posicionamento da empresa.

A parceria do Facebook com o Aos Fatos promove a censura nas redes sociais?

Não, de modo algum. Mesmo as publicações classificadas por informação falsa ou parcialmente falsa não são excluídas do Facebook ou do Instagram. As postagens são sinalizadas sobre presença de desinformação e a visualização é reduzida. Porém, o usuário ciente das sanções permanece livre para acessar e compartilhar este conteúdo.

O Facebook só remove definitivamente da rede social publicações que violam os Padrões da Comunidade, como aquelas que podem oferecer riscos à saúde pública, por exemplo.

A classificação usada na parceria com o Facebook é igual à do Aos Fatos?

Não. Em checagens de desinformação, Aos Fatos usa os selos FALSO (informação completamente enganosa) ou DISTORCIDO (informação verdadeira incompleta, tirada de contexto ou misturada com alegação falsa). Conheça os nossos selos. Na parceria com o Facebook, essas duas classificações correspondem a FALSO e PARCIALMENTE FALSO, respectivamente.

Além dessas, a ferramenta do Facebook disponibiliza, e define, as opções a seguir:

Verdadeiro: uma ou mais das afirmações principais do conteúdo são factualmente precisas;

Título falso: uma ou mais das afirmações principais do conteúdo do corpo do artigo são verdadeiras, mas a afirmação principal no título é factualmente imprecisa;

Não qualificado: o conteúdo inclui uma afirmação que não é comprovável, que era verdadeira quando foi escrita ou que vem de uma Página ou de um site cujo objetivo principal é expressar a opinião ou a agenda de uma figura política.

Sátira: o conteúdo é publicado por uma Página ou por um domínio que faz publicações de sátira conhecidas ou que uma pessoa sensata entenderia como conteúdo de ironia ou humor com uma mensagem social. Ainda assim, seria melhor se o conteúdo apresentasse contexto adicional.

Opinião: o conteúdo defende ideias e tira conclusões com base na interpretação de fatos e de dados, informando ao público o que o autor ou colaborador pensa sobre determinado evento ou tema. As opiniões podem incluir citações ou fatos relatados, mas enfatizam o pensamento, as preferências pessoais e as conclusões do autor. Elas também podem incluir editoriais, apoios ou conteúdo com a palavra "opinião" no título, escritos por um colunista conhecido por compartilhar opiniões ou compartilhados de um site ou de uma página cujo objetivo principal é expressar as opiniões ou agendas de figuras públicas, think tanks, ONGs e empresas.

Gerador de pegadinhas: sites que permitem que os usuários criem as próprias notícias com pegadinhas para compartilhar em sites de redes sociais.

Sem classificação: esse é o status padrão antes de um conteúdo ser verificado ou se a URL não estiver funcionando. Deixar o conteúdo nesse status (ou retorná-lo para essa classificação depois que outra já tiver sido dada) indica que não devemos tomar providências com base na classificação.

Como encaminhar dúvidas adicionais?

Dúvidas sobre a parceria podem ser enviadas ao Aos Fatos pelo e-mail ouvidoria@aosfatos.org ou ao Facebook na Central de Ajuda para Empresas.