Tira-dúvidas sobre vacinas contra a Covid-19

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Por que é importante tomar a vacina contra a Covid-19?

A vacina é a única forma segura e eficaz de criar imunidade contra o vírus causador da Covid-19 e controlar a pandemia que já matou mais de três milhões de pessoas em todo o mundo. A imunização torna mais difícil o surgimento de sintomas e de formas graves da doença e reduz o risco de morte em até 95% por meio da criação de anticorpos. Além disso, quando aplicada em larga escala, ela diminui a circulação do vírus, o que faz com que a chance de uma pessoa ser infectada também caia consideravelmente.

Não existe outra maneira comprovadamente eficaz de se prevenir contra a Covid-19. Nenhum remédio, alimento ou substância pode impedir a contaminação e a evolução da doença. Ser vacinado é, portanto, crucial para contermos a transmissão do novo coronavírus, interrompermos o ciclo de adoecimento e de mortes, e gradualmente voltarmos à vida normal.

Quais vacinas estão disponíveis no Brasil?

Até o momento, três vacinas são aplicadas no país: a CoronaVac, fabricada pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac; a AstraZeneca, desenvolvida pela farmacêutica anglo-sueca com a Universidade de Oxford e produzida no Brasil pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz); e a da Pfizer/BioNTech, das farmacêuticas americana e alemã.

As três passaram por testes em estudos clínicos que comprovaram eficácia e segurança e foram aprovadas pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para serem usadas no Brasil. Embora com intervalos diferentes, as vacinas necessitam de duas doses para que a taxa máxima de proteção seja atingida.

Como funciona a vacina CoronaVac?

A vacina fabricada pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac utiliza a técnica do vírus inativado. Nela, as pessoas recebem uma versão morta do Sars-Cov-2, que perde a capacidade de causar a doença, mas é suficiente para desencadear a geração de anticorpos contra o novo coronavírus.

Ao entrar em contato com esse vírus inativado, as células responsáveis pelo início da resposta imune ativam os linfócitos, que são especializados em combater microrganismos e produzem anticorpos capazes de neutralizar o novo coronavírus

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Como funciona a vacina da AstraZeneca?

A vacina fabricada pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), em parceria com a farmacêutica AstraZeneca e a Universidade de Oxford, usa a tecnologia de vetor viral. Na prática, o imunizante usa um vírus inofensivo à saúde, semelhante ao do resfriado, como um veículo para levar às células o “comando” que dá início à criação da defesa contra o Sars-Cov-2. 

A reação que cria a imunidade se dá a partir de genes introduzidos no vetor com instruções para que as células produzam uma proteína semelhante à do novo coronavírus, “enganando o organismo”, que acredita ter sido infectado. Ao entrar em contato com essa proteína, os linfócitos, células de defesa do corpo humano, dão início à produção de anticorpos capazes de neutralizar o novo coronavírus.

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Como funciona a vacina da Pfizer?

A vacina da Pfizer usa a tecnologia do mRNA (RNA mensageiro) artificial, em que essas moléculas passam uma mensagem para o organismo produzir a proteína spike, também chamada de antígeno, presente na superfície do vírus. A partir dessa ação, o sistema imunológico é estimulado a gerar anticorpos contra essa proteína, garantindo proteção contra a Covid-19.

Apesar de ser a primeira vez que esse tipo de tecnologia é usada, já havia pesquisas de vacinas de mRNA contra outras doenças, como gripe, zika e raiva. A SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações) esclarece que o mecanismo não interfere no nosso código genético. Além de não entrar no núcleo da célula, onde fica armazenado o DNA, o RNA mensageiro se decompõe rapidamente após cumprir sua função de criar o antígeno. 

 

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Quanto tempo leva para a vacina fazer efeito?

A produção de anticorpos começa tão logo a vacina é aplicada, mas a eficácia só é garantida alguns dias após a segunda dose. No caso da CoronaVac e da AstraZeneca, a proteção máxima é alcançada 14 dias após a dose de reforço. Na da Pfizer, o tempo é de sete dias depois dessa segunda aplicação.

Nenhuma vacina, seja contra Covid-19 ou qualquer outra doença, é 100% eficaz. Porém, a imunização reduz o risco de adoecimento e de evolução para quadros graves e mortes.

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Quem já teve Covid-19 precisa tomar vacina?

Sim. Embora as pessoas que já foram infectadas desenvolvam anticorpos contra o novo coronavírus, a duração dessa proteção ainda é desconhecida pela ciência. Mas já se sabe que há possibilidade de reinfecção. Além disso, o surgimento de novas variantes do vírus reforçam a importância da imunização. 

Quem acabou de ter Covid-19 precisa esperar apenas alguns dias para ser vacinado. A SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações) recomenda que o imunizante só seja aplicado quatro semanas após o surgimento dos primeiros sintomas. Quem foi infectado mas ficou assintomático deve contar o mesmo período a partir do primeiro resultado positivo no teste RT-PCR. Já aqueles que foram internados devem aguardar a recuperação completa antes de se vacinar. 

 

Quanto tempo devo esperar para tomar a segunda dose?

O dia correto para tomar a segunda dose da vacina será informado quando a primeira for aplicada. O intervalo estabelecido pelo Ministério da Saúde para cada imunizante é:

CoronaVac: quatro semanas;
AstraZeneca: 12 semanas;
Pfizer: 12 semanas.

Posso tomar cada dose da vacina de um fabricante diferente?

No Brasil, a campanha de imunização segue a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que determina que as duas doses devem ser do mesmo laboratório. Segundo o órgão, “não há dados que sustentem que a troca de fabricantes de vacinas entre a primeira e a segunda dose produza resposta imune ao Sars-CoV-2”. Já o Ministério da Saúde considera que possíveis trocas na aplicação da dose de reforço são “erros” e devem ser comunicadas às autoridades sanitárias. 

Estudos preliminares feitos na Espanha com 600 voluntários indicaram que a combinação de doses dos imunizantes da AstraZeneca e da Pfizer gerou “resultados potentes” de imunização. Embora a OMS (Organização Mundial da Saúde) ainda considere que são necessárias mais pesquisas para determinar a segurança e a eficácia da prática, países como Canadá, Alemanha, França, Noruega e Dinamarca já orientam este esquema vacinal.

Perdi o prazo para tomar a segunda dose, e agora?

É preciso tomar as duas doses das vacinas CoronaVac, AstraZeneca ou Pfizer para ficar protegido contra a Covid-19. Por isso, permaneça atento às datas da dose de reforço. Segundo o Ministério da Saúde, quem perder esse prazo deve procurar uma unidade de saúde o quanto antes para completar a imunização. A segunda dose deve ser sempre da mesma vacina da primeira.

As vacinas têm efeitos colaterais?

Sim, mas a maioria das reações é considerada leve. O mais comum é sentir dor no local onde a vacina foi aplicada. Também podem ocorrer fadiga, febre, dor muscular, diarreia, náusea e dor de cabeça, que costumam passar de um a três dias após a imunização.

Em abril, a EMA (Agência Europeia de Medicamentos) identificou uma possível relação entre o imunizante da AstraZeneca e a formação de coágulos sanguíneos, que foram incluídos na bula como um dos potenciais efeitos colaterais. No entanto, o órgão optou por manter a recomendação de uso, pois os casos são muito raros: 0,0003% dos vacinados. 

No Brasil, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) também manteve a recomendação de aplicação da vacina.

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Posso adoecer mesmo após vacinado?

Sim. Nenhuma vacina, seja contra Covid-19 ou qualquer outra doença é 100% eficaz. No entanto, a imunização reduz o risco de adoecimento e de evolução da doença para casos graves. Além disso, quando aplicada em larga escala, a vacina diminui a circulação do vírus, ou seja, a chance de uma pessoa ser infectada também cai à medida que mais pessoas são vacinadas.

Por isso, até que a maior parte da população seja imunizada, é importante manter outras medidas de proteção, como o uso de máscaras e o distanciamento social.

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Ainda preciso manter as medidas de proteção mesmo depois de tomar a vacina?

Sim. De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), não há estudos até o momento que justifiquem baixar a guarda após a vacinação, e a recomendação é manter as medidas de proteção, incluindo uso de máscaras faciais, higienização frequente das mãos e distanciamento social. Isso porque ainda não há informações suficientes para determinar se uma pessoa vacinada ainda pode contrair o vírus e transmiti-lo para não imunizados.

Cientistas afirmam que somente após a ampla vacinação da população será possível retomar as atividades presenciais normalmente. Ainda que não haja um consenso, estima-se que os efeitos da proteção coletiva só serão mais perceptíveis quando uma parcela de 40% a 50% da população total do país receber as duas doses recomendadas pelos fabricantes.

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As vacinas atuais vão me proteger contra as novas variantes?

A OMS (Organização Mundial da Saúde) diz que todos os imunizantes, em uso ou em desenvolvimento, apresentam algum grau de proteção contra as variantes do Sars-Cov-2 que já circulam no mundo, mas que provavelmente terão que passar por atualizações conforme o vírus vá sofrendo mutações.

Os fabricantes das três vacinas que estão sendo aplicadas no Brasil (CoronaVac, AstraZeneca e Pfizer) já divulgaram resultados de testes apontando que elas oferecem proteção contra as variantes do Reino Unido, da África do Sul e a surgida em Manaus - sem detalhar, no entanto, a taxa de eficácia da imunização. Cientistas apontam que os níveis de imunidade contra as variantes, que ainda não puderam ser amplamente pesquisados, são menores do que aqueles garantidos e já calculados em estudos clínicos usando a cepa original do novo coronavírus.

Qual é o status atual da vacina Sputnik V no Brasil?

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) concedeu no dia 4 de junho autorização de importação temporária para a vacina desenvolvida pelo Instituto Gamaleya, na Rússia, com restrições de uso. Serão 928 mil doses distribuídas apenas aos seis estados que as solicitaram (Bahia, Maranhão, Sergipe, Ceará, Pernambuco e Piauí).

O Ministério da Saúde tem contrato assinado para a compra de 10 milhões de doses da Sputnik V, mas o imunizante só poderá integrar o PNI (Programa Nacional de Imunização) quando receber a autorização de uso emergencial da Anvisa, um processo mais demorado do que a atual permissão de importação. 

 

Qual é o status atual da vacina Covaxin no Brasil?

A vacina desenvolvida pelo laboratório indiano Bharat Biotech recebeu no dia 4 de junho autorização de importação temporária da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) mas com restrições de uso e em quantidade limitada a 4 milhões de doses. No final de fevereiro, o Ministério da Saúde assinou contrato com a fabricante indiana para a compra de 20 milhões de doses do imunizante, que ainda terá que passar pelo processo de autorização de uso emergencial da Anvisa antes de ser disponibilizado à população.

Qual é o status atual da vacina ButanVac no Brasil?

No dia 9 de junho, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) concedeu autorização para o início das pesquisas clínicas com a vacina ButanVac, que vem sendo desenvolvida pelo Instituto Butantan. Isso significa que o imunizante já pode ser testado em humanos em território brasileiro. 

Os estudos de fase 1 e 2 incluem a participação de 1.800 voluntários com 18 anos ou mais, e serão conduzidos no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. Na fase 3, as pesquisas contarão com 9.000 pessoas. De acordo com o diretor do instituto, Dimas Covas, a ButanVac pode estar apta a solicitar autorização de uso emergencial à Anvisa em setembro.

Gestantes podem tomar a vacina?

Até o momento não há resposta definitiva. A recomendação da OMS (Organização Mundial da Saúde) é que as gestantes procurem a avaliação de um médico para avaliar riscos e benefícios. No Brasil, o Ministério da Saúde determinou que gestantes, puérperas (que deram à luz nos últimos 45 dias) e lactantes que desejem a imunização podem receber a vacina desde que pertençam a um grupo prioritário ou apresentem comorbidades, mas também reforça a importância da consulta prévia de um médico.

Nenhuma das três vacinas em uso no Brasil foi testada nestes três grupos, e, no momento, apenas duas estão autorizadas para eles: a CoronaVac e a da Pfizer. No dia 10 de maio, a aplicação da AstraZeneca em gestantes foi suspensa pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) até que se esclareça se a morte de uma mulher grávida está relacionada à vacina.

As vacinas são seguras para as crianças e adolescentes?

No dia 11 de junho, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), autorizou o uso do imunizante da Pfizer em adolescentes de 12 a 15 anos. A vacina já estava aprovada para a faixa etária de 16 a 17 anos e é a única em uso no país que pode ser aplicada em menores de 18 anos. Os fabricantes da CoronaVac e da AstraZeneca começaram ensaios clínicos com crianças na China e no Reino Unido, mas ainda não há previsão de testes no Brasil. A CoronaVac mostrou resultados preliminares positivos, e a AstraZeneca segue em análise.

Nos EUA, adolescentes de 12 a 15 anos começaram a ser vacinados no início de maio com a vacina da Pfizer após o FDA (Food and Drug Administration, agência reguladora americana) conceder ao imunizante autorização de uso emergencial. Também em maio, o Canadá aprovou a aplicação desta vacina para as mesmas idades, e no dia 28, a EMA (Agência Europeia de Medicamentos), tomou a mesma decisão na União Europeia.

Posso tomar a vacina contra a gripe logo depois da de Covid-19?

Não. O Ministério da Saúde recomenda que haja, no mínimo, um intervalo de 14 dias entre a vacina contra a Covid-19 e qualquer outra imunização. Em situações de urgência, como a administração de soros antiofídicos ou vacina antirrábica para prevenção pós-exposição, esse intervalo poderá ser desconsiderado.

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Vale a pena fazer exames para saber se já desenvolvi anticorpos após a vacina?

Não. A SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações) não recomenda a testagem por sorologia para saber se você desenvolveu defesas contra o vírus. Isso porque a resposta imunológica é muito complexa e é formada por diferentes componentes, não só anticorpos. Além disso, segundo especialistas, as técnicas científicas para quantificar de forma plena a imunidade adquirida pela vacinação não estão ao alcance do público em geral.

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O que há de verdade nos boatos das redes sociais de que as vacinas podem causar câncer, que contêm microchips 5G e que podem alterar seu DNA?

Nada. São informações falsas sem qualquer conexão com evidências científicas. A teoria da conspiração que defende que Bill Gates teria um plano global de inserir microchips 5G nas vacinas para rastrear as pessoas rodou o mundo e já foi desmentida por laboratórios e especialistas. Outros boatos frequentes afirmam que a CoronaVac poderia causar “10 tipos de câncer”, o que foi classificado pelo fabricante como “completamente inverídico”.

Alegações falsas de que a vacina poderia alterar o DNA humano viralizaram nas redes sociais em diferentes idiomas e já foram desmentidas por checagens do Aos Fatos. O CDC (Centers for Disease Control, órgão de saúde dos EUA) também frisou que nenhuma tecnologia usada nas vacinas tem a capacidade de penetrar no núcleo das células, onde se encontra o DNA, e portanto não há qualquer possibilidade de alteração do nosso código genético.

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Onde posso encontrar informações confiáveis sobre as vacinas?

Uma das fontes de maior credibilidade sobre os imunizantes contra a Covid-19 no Brasil é a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que analisa todos os dados enviados pelos laboratórios fabricantes e concede as autorizações de uso. Já a OMS (Organização Mundial da Saúde) e seu braço nas Américas, a Opas (Organização Pan-Americana de Saúde), são as referências internacionais para as informações mais atualizadas sobre a pandemia e os imunizantes.

Além disso, a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e o Instituto Butantan, fabricantes das vacinas AstraZeneca e CoronaVac, são centros de pesquisa reconhecidos e podem ser consultados sobre suas vacinas e o andamento de estudos. A SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações) também fornece informações didáticas para o público em geral sobre os imunizantes aprovados no Brasil.

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