É falso que imunizados com vacinas de mRNA não poderão viajar de avião

Por Luiz Fernando Menezes

18 de junho de 2021, 14h08

Não é verdade que pessoas que tomaram vacinas de mRNA (RNA mensageiro) contra a Covid-19, como a da Pfizer, não poderão viajar de avião devido ao risco de desenvolverem coágulos sanguíneos, como alegam postagens nas redes sociais (veja aqui). A formação de trombos não está entre os efeitos adversos observados nestes imunizantes e autoridades e empresas aéreas desmentiram que um veto a vacinados esteja em estudo.

A peça de desinformação circulou em redes de língua inglesa antes de ser disseminada no Brasil. No Facebook, posts com a informação enganosa reuniram centenas de compartilhamentos nesta sexta-feira (18) e foram marcados com o selo FALSO na ferramenta de verificação da plataforma (saiba como funciona).


Vacinados não poderão voar devido ao grande risco que eles apresentam de coágulos sanguíneos em decorrência do mRNA da vacina.

Publicações nas redes sociais enganam ao afirmar que, devido ao grande risco de desenvolver coágulos sanguíneos, pessoas que receberam vacinas de mRNA (RNA mensageiro) não poderão viajar de avião. Além deste efeito adverso não ter sido relatado em vacinados com imunizantes que usam esta tecnologia, a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), empresas aéreas e entidades do setor negam a possibilidade de veto.

Embora já tenham sido registrados episódios de trombose após a vacinação, esta reação adversa é raríssima e foi relacionada até o momento apenas a imunizantes de tecnologia de vetor viral, como os da AstraZeneca e da Janssen. Mesmo assim, as chances de formação de coágulos por esta vacina são significativamente inferiores às de outras causas, inclusive a própria Covid-19, segundo a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz).

Nenhuma das vacinas de RNA mensageiro em uso hoje, como as da Pfizer e da Moderna, têm entre seus efeitos adversos relatados até o momento a formação de trombos "em decorrência do mRNA do soro experimental”, como alegam as publicações checadas.

No Brasil, tanto a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), órgão que regula o setor no país, e a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) negaram a possibilidade de veto a passageiros que tenham sido vacinados com imunizantes de mRNA.

A Iata (Associação Internacional de Transporte Aéreo), que representa 293 empresas aéreas no mundo, também desmentiu as alegações ao Aos Fatos: “Temos um grupo de aconselhamento médico que analisa questões de saúde e viagens aéreas. Este [coágulos causados após a vacinação] não é um problema na agenda deles”.

Riscos. Mesmo entre os imunizantes com tecnologia de vetor viral, episódios de trombose em decorrência da vacinação são raríssimos. Para se ter uma ideia, segundo o FDA (Food and Drug Administration, agência reguladora dos EUA), seis casos de trombose foram registrados após a aplicação de 6,8 milhões de doses da vacina da Janssen.

Além disso, esses casos não tiveram nada a ver com trombose venosa profunda, que, apesar de rara, pode ocorrer durante viagem de avião. Segundo Raquel Stucchi, infectologista e professora da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), esta doença é provocada pelo tempo excessivo sentado e sem se movimentar, não por vacinas.

Um relatório da OMS (Organização Mundial de Saúde) de 2007 afirma que tromboses em viagens aéreas estão relacionadas à duração do voo (acima de quatro horas) e que o risco aumenta caso a pessoa seja obesa ou use contraceptivos, por exemplo.

Origem. As publicações que circulam em portugês foram extraídas de um artigo publicado em 28 de maio pelo site americano Great Reject, conhecido pelas informações falsas sobre pandemia e vacinas. A página ajudou a amplificar, por exemplo, a alegação enganosa de que 1.500 testes positivos da Covid-19 não teriam nenhum traço do vírus.

Esta peça de desinformação já foi desmentida nos EUA por AP e Politifact e, na Austrália, por ABC. No Brasil, Estadão Verifica e AFP checaram.

Referências:

1. CDC
2. OMS
3. Media Bias Fact Check
4. Aos Fatos
5. Fiocruz


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