Vídeos não provam que vacinas contra Covid-19 causam magnetismo na pele

Por Marco Faustino

24 de maio de 2021, 18h28

Vídeos que circulam nas redes (veja aqui) não provam que vacinas contra a Covid-19 façam a pele agir como um ímã, atraindo metais. As gravações mostram moedas coladas no braço de pessoas que teriam sido vacinadas, mas nenhum elemento da composição química dos imunizantes em uso tem essa capacidade, segundo fabricantes e especialistas. Além disso, a forma como as moléculas se organizam em materiais líquidos tornam praticamente nulas as chances de vacinas causarem magnetismo, de acordo com físico ouvido por Aos Fatos.

Publicações com o conteúdo enganoso somavam centenas de compartilhamentos no Facebook até a tarde desta segunda-feira (24) e foram marcadas com o selo FALSO na ferramenta de verificação da rede social (veja como funciona).


Parece que tem gente achando que são fake… Magnetismo no local das vacinas. Até a Coronavac!

A alegação de que vacinas contra a Covid-19 causam magnetismo na pele que recebeu a aplicação não pode ser provada por meio de vídeos que circulam nas redes sociais em que moedas são coladas como ímãs nos braços de pessoas que teriam sido imunizadas. Segundo especialistas e fabricantes, além de não conter componentes que provoquem esse efeito, os imunizantes são usados em estado líquido, que teria propriedade magnética nula.

Aos Fatos não conseguiu localizar os autores nem as circunstâncias em que os vídeos foram gravados, mas os três fabricantes das vacinas em uso hoje no Brasil - Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), Instituto Butantan, e Pfizer - negaram que seus fármacos gerem efeitos colaterais como os mostrados nas imagens.

Para a biomédica e pesquisadora da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) Mellanie Fontes-Dutra, os imunizantes não têm componentes que provoquem magnetismo. "As vacinas não possuem qualquer nanopartícula, nenhum material que tenha propriedade magnética para gerar essa atração que foi vista na questão da moeda", afirmou.

Fernando Kokubun, professor de Física na FURG (Universidade Federal do Rio Grande), disse que a organização de moléculas em materiais líquidos, como vacinas, também impediria qualquer propriedade magnética. Caso contrário, ressalta, as ampolas dos imunizantes ficariam grudadas umas nas outras — o que não ocorre.

“O que torna algo um ímã ou não é como as moléculas estão organizadas dentro do material. No caso da vacina, como é um material líquido, as moléculas possuem orientações aleatórias, de forma que, em média, a propriedade magnética é nula”, afirmou.

Kokubun afirmou ainda que o suposto magnetismo mostrado nos vídeos pode ser reproduzido se a pessoa estiver com a pele úmida ou se ainda tiver resquícios de cola deixados por curativos no local onde a vacina foi aplicada. A dermatologista Ligia Kogos também ressaltou que cosméticos aplicados na pele ou suor poderiam causar o efeito.

Referências:

1. Fiocruz
2. Pfizer
3. Instituto Butantan


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