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Não é verdade que CoronaVac cause câncer ou 'pensamentos suicidas'

Por Ana Rita Cunha

16 de dezembro de 2020, 17h37

É falso que a CoronaVac, vacina testada no Brasil pela chinesa Sinovac Biotech com o Instituto Butantan, cause "10 tipos de câncer e pensamentos suicidas" como afirmam publicações nas redes sociais (veja aqui). Nenhum dos relatórios de resultados de testes clínicos do imunizante menciona tais doenças ou distúrbios.

A peça de desinformação circula no Facebook e reúne ao menos 3.200 compartilhamentos nesta sexta-feira (16). Todas as publicações foram marcadas com o selo FALSO na ferramenta de verificação da rede social (entenda como funciona).


FALSO

Testes mostraram que vacina chinesa causa 10 tipos de câncer e pensamentos suicidas.

Não é verdade que câncer e "pensamentos suicidas" estejam entre os efeitos colaterais da CoronaVac, vacina testada no Brasil pela chinesa Sinovac Biotech em parceria com o Instituto Butantan. Essa afirmação não consta em nenhuma das informações publicadas até o momento sobre o imunizante.

Os primeiros dados dos testes com a CoronaVac foram divulgados em 23 de setembro. Na época, a Sinovac apresentou os resultados do uso emergencial da CoronaVac na China. Não se tratava de um teste clínico (randomizado e com grupo placebo), mas de estudo observacional das pessoas vacinadas após aprovação para uso emergencial do imunizante no país.

Foram registrados efeitos adversos em 5,36% dos vacinados, sendo 0,03% deles considerados “mais graves”, como perda de apetite, dor de cabeça e fadiga. Não houve nenhum registro de morte ou de "10 tipos de câncer e pensamentos suicidas", como afirma a peça de desinformação.

Em 19 de outubro, o Butantan também divulgou resultados parciais do teste clínico da vacina em voluntários brasileiros. Segundo o diretor do instituto, Dimas Tadeu Covas, 35% dos 9 mil voluntários tiveram reações adversas, sendo todas elas de baixo grau. Após a primeira dose, os efeitos mais identificados foram dor no local da aplicação (19%) e dor de cabeça (15%). Na segunda dose da vacina, as reações adversas mais comuns foram dor no local da aplicação (19%), dor de cabeça (10%) e fadiga (4%).

Nesses dados divulgados pelo Butantan também não houve menção a nenhum dos dois supostos efeitos colaterais mencionados pela peça de desinformação.

Também foram publicados na The Lancet, em 17 de novembro, os resultados das fases I e II dos testes clínicos da vacina. Neles, também não há citação a câncer nem a distúrbios de saúde mental. Todos os efeitos observados foram leves e desapareceram em até 48 horas. O principal sintoma relatado foi dor no local da aplicação do imunizante.

Em nota, o Butantan afirmou que a afirmação da peça de desinformação é "completamente inverídica". Segundo o instituto, na fase III do estudo da CoronaVac "não foi registrado qualquer efeito adverso grave entre os participantes e os resultados até aqui já comprovaram que a vacina é segura".

Referências:

1. Governo de São Paulo
2. Agência Brasil
3. The Lancet

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