As declarações dos candidatos à Prefeitura de São Paulo, checadas

Por Priscila Pacheco, Luiz Fernando Menezes, Amanda Ribeiro, Bernardo Barbosa, Tatiana Farah e Ana Rita Cunha

14 de novembro de 2020, 18h47


O Aos Fatos acompanha os candidatos à Prefeitura de São Paulo desde o começo da corrida eleitoral, em setembro. Reunimos aqui todas as checagens das declarações dos postulantes ao cargo de prefeito ou prefeita.

Abaixo, veja o que checamos. Clique no nome do candidato para acessar as checagens correspondentes.

1. Andrea Matarazzo (PSD)

2. Arthur do Val (Patriota)

3. Bruno Covas (PSDB)

4. Celso Russomanno (Republicanos)

5. Guilherme Boulos (PSOL)

6. Jilmar Tatto (PT)

7. Joice Hasselmann (PSL)

8. Márcio França (PSB)

9. Marina Helou (Rede)

10. Orlando Silva (PCdoB)

1. Andrea Matarazzo (PSD)

FALSO

“Segundo o Mapa das Desigualdades, o que a gente vê é que em São Paulo você tem 10% dos empregos colocados na periferia e 90% dos empregos colocados no centro expandido.” – Andrea Matarazzo no debate da TV Cultura (12/11)

Ainda que o último Mapa das Desigualdades, publicado pela ONG Nossa São Paulo, mostre que os bairros centrais da capital têm maior oferta de emprego formal, o levantamento não indica a porcentagem citada pelo candidato. Não há nenhum dado semelhante no documento, na nota de publicação ou nas tabelas que compõem o estudo e, portanto, a declaração dita por Matarazzo no debate realizado pela TV Cultura dia 12 de novembro foi considerada FALSA.

Na verdade, a pesquisa apresenta a oferta de emprego em relação à população em idade ativa do bairro, não o número de vagas formais oferecidas. Em 2018, ano em que os dados foram levantados, a Sé, região central, tinha a maior taxa de oferta de emprego formal por dez habitantes em idade ativa: 113,8. Iguatemi e Anhanguera tinham a pior: 0,39.


EXAGERADO

Quando começou essa gestão, o governador João Doria tinha proposto fazer 72 km de corredores de ônibus. O atual prefeito mudou isso para 9 km, (...) e não fez nem um metro. – Andrea Matarazzo no debate da ConecTV (26/10)

A declaração feita pelo candidato durante debate da ConecTV no dia 26 de outubro é EXAGERADA. É fato que houve uma redução na proposta de construção de corredores de ônibus entre as gestões do atual governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e do prefeito Bruno Covas (PSDB). Em plano de metas publicado em 2017, Doria previa a implantação de 72 km de corredores de ônibus até 2020. O documento, revisado por Covas em 2019, reduziu a meta para 9,4 km. Não é verdade, no entanto, que a promessa do atual prefeito não foi cumprida, como afirmou Andrea Matarazzo. Segundo o relatório de metas da gestão atualizado no dia 20 de outubro, foram implantados 10,1 km de faixas exclusivas de ônibus na capital até o momento.


FALSO

A chapa Bruno Covas prometeu reduzir a taxa de mortalidade infantil para 10,7 óbitos por mil em crianças de um ano. Segundo a rede Nossa São Paulo, a taxa aumentou bastante. – Andrea Matarazzo no debate da Band (1/10)

Conforme o Aos Fatos mostrou em reportagem sobre as metas cumpridas pelo governo de Bruno Covas (PSDB), de fato o prefeito tinha estipulado a redução da mortalidade infantil de crianças menores de um ano para 10,7 óbitos por mil residentes. O erro de Matarazzo, no entanto, é dizer que a gestão aumentou esse número. Segundo dados do Observatório da Primeira Infância, citado pelo relatório da rede Nossa São Paulo publicado neste ano, a taxa saiu de 11,3 em 2016, passou para 11,1 em 2017 e chegou a 11,0 em 2018. A declaração FALSA foi dita por Matarazzo durante o debate da Band, em 1 de outubro.

2. Arthur do Val (Patriota)

FALSO

“Há poucos dias atrás, o senhor [Boulos] estava botando fogo em prédio da Paulista.” – Arthur do Val no debate da TV Cultura (12/11)

A declaração dita por Arthur do Val no debate da TV Cultura, em 12 de novembro, é FALSA, porque o material que o candidato citou como prova do suposto ato de Boulos não sustenta a acusação.

Na réplica a Boulos, Arthur do Val disse que mostraria no seu canal do YouTube, em uma live paralela ao debate, “um vídeo do Guilherme Boulos na Paulista fazendo isso que eu falei agora”. O vídeo que foi exibido na live, por volta de 40 minutos de transmissão, é antigo: trata-se de uma gravação de uma invasão do prédio da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) em 13 de dezembro de 2016, durante protestos contra o governo Temer.

Boulos esteve no protesto, como mostra esta foto em seu Facebook, mas o vídeo do ato de vandalismo, citado por Do Val, quando manifestantes lançaram rojões na entrada e invadiram o edifício, não mostra a participação do candidato do PSOL. Notícias sobre o ataque ao prédio da Fiesp também não citam Boulos como participante dos atos de depredação, como estas do G1 e do UOL. No entanto, a reportagem do G1 publicou uma declaração em que o candidato diz que “o dano na fachada da Fiesp é muito pouco perto do dano que a Fiesp está causando há muito tempo ao povo do Brasil".


IMPRECISO

“Quero lembrar que o prefeito Bruno Férias, a primeira ação dele como prefeito foi sair de férias na Europa com seu amigo que empregou até a mãe na máquina pública.” – Arthur do Val no debate da TV Cultura (12/11)

De fato, o prefeito Bruno Covas realizou uma viagem à Europa, mas em março de 2019, cerca de 11 meses após assumir o cargo deixado por João Doria (PSDB). Sua ausência, inclusive, foi criticada porque se deu em um momento em que fortes chuvas atingiram a cidade, provocando enchentes e até mortes por afogamento.

Ao falar sobre um “amigo que empregou até a mãe na máquina pública”, Do Val se refere ao secretário-executivo da prefeitura, Gustavo Garcia Pires. Sua mãe, Elisabete Gonçalves Garcia Pires, realmente foi nomeada pelo prefeito em junho de 2018 para ocupar um cargo na SPTrans. Ela, no entanto, foi exonerada em abril de 2019 após recomendação do MP-SP (Ministério Público de São Paulo).

Por mais que não haja informações de que Gustavo teria acompanhado Covas em sua viagem à Europa em 2019, o prefeito autorizou o afastamento do então secretário durante o período das férias, entre 11 e 19 de março. Além disso, Pires acompanhou Covas durante outras viagens, como à Croácia e aos EUA.

A declaração classificada como IMPRECISA foi dita por Arthur do Val no debate da TV Cultura realizado no dia 12 de novembro.


VERDADEIRO

“Eu sou o único candidato de todos esses aqui que abriu mão do fundo eleitoral para fazer campanha.” – Arthur do Val no debate da TV Cultura (12/10)

De fato, Arthur do Val é o único candidato presente no debate que não recebeu recursos do fundo eleitoral. Conforme pode ser verificado no site do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Do Val acumulou, até o momento, R$ 819 mil em receitas, tendo recebido a maioria de doação de pessoas físicas e financiamento coletivo. Todos os outros nove candidatos participantes do debate da TV Cultura, em 12 de novembro, receberam recursos dos partidos, por isso a declaração foi considerada VERDADEIRA.


EXAGERADO

[Russomanno] apoiou o Maluf. – Arthur do Val no debate da Band (1/10)

Celso Russomanno (Republicanos) passou mais de dez anos no partido do ex-prefeito Paulo Maluf, o PP. No entanto, a relação entre eles sempre foi conflituosa. Ao deixar o PP, em 2011, Russomanno expôs em entrevistas as divergências vividas pelos dois políticos. A declaração EXAGERADA foi dita por Arthur do Val durante o debate da Band, em 1 de outubro.


VERDADEIRO

[Russomanno] apoiou o Temer. – Arthur do Val no debate da Band (1/10)

Quanto a Michel Temer (MDB), Celso Russomanno foi um dos 263 deputados federais que votaram pelo arquivamento da denúncia contra o ex-presidente em 2017. A declaração VERDADEIRA foi dita por Arthur do Val durante o debate da Band, em 1 de outubro.


VERDADEIRO

[Russomano] acelerou com o Doria. – Arthur do Val no debate da Band (1/10)

O gesto “acelera”, propagado por João Doria e marca de suas campanhas à Prefeitura de São Paulo, em 2016, e ao governo do estado, em 2018, foi adotado em algumas ocasiões por Celso Russomanno, que sempre teve uma relação bastante amistosa com o tucano. A declaração VERDADEIRA foi dita por Arthur do Val durante o debate da Band, em 1 de outubro.

3. Bruno Covas (PSDB)

FALSO

"[Fizemos] 8 novos hospitais." – Bruno Covas no debate da TV Cultura (12/11)

A declaração de Bruno Covas no debate da TV Cultura, em 12 de novembro, é FALSA porque não foram entregues oito novos hospitais. Como a propaganda do próprio candidato veiculada em horário eleitoral na televisão mostra, os hospitais Brigadeiro e Santo Amaro ainda estão em obras. O hospital de Parelheiros foi inaugurado parcialmente em 2018, durante a gestão de João Doria (PSDB).

Os hospitais Sorocabana e Guarapiranga, fechados há dez e três anos respectivamente, foram reabertos pela prefeitura por causa da pandemia. Por fim, o hospital da Brasilândia, com obras iniciadas na gestão de Fernando Haddad (PT), foi inaugurado parcialmente em maio. Os hospitais Bela Vista e Capela do Socorro também foram inaugurados neste ano.

Esta não é a primeira vez que o prefeito infla os dados de hospitais inaugurados. Essa declaração foi checada pelo Aos Fatos em setembro, no começo da campanha eleitoral.


VERDADEIRO

"Das 85 mil vagas em creche [que fizemos]." – Bruno Covas no debate da TV Cultura (12/11)

A declaração de Bruno Covas no debate da TV Cultura, em 12 de novembro, é VERDADEIRA. A gestão de João Doria, que deixou a prefeitura em abril de 2018, e de Bruno Covas criou 85.500 vagas em creches entre 2017 e 2020, segundo o relatório do programa de metas da Prefeitura de São Paulo divulgado nesta quinta-feira (12).

Já os relatórios divulgados pela Secretaria Municipal de Educação mostram um número menor de vagas criadas no mesmo período, de 73.300, mas a última atualização do dado é de setembro.


VERDADEIRO

"Dos 12 novos CEUs [que fizemos]." – Bruno Covas no debate da TV Cultura (12/11)

De fato, a gestão construiu 12 CEUs (Centros Educacionais Unificados). A informação consta no relatório do programa de metas da Prefeitura de São Paulo divulgado na quinta-feira (12). A declaração VERDADEIRA de Covas foi dita durante debate realizado pela TV Cultura no dia 12 de novembro.


VERDADEIRO

“Meu vice [Ricardo Nunes] tem oito anos como serviço prestado como vereador na cidade de São Paulo e não responde a nenhum processo.”– Bruno Covas no debate da TV Cultura (12/11)

A declaração dita durante o debate da TV Cultura, em 12 de novembro, é VERDADEIRA porque, de acordo com as certidões criminais entregues pelo próprio candidato a vice na chapa de Covas, Ricardo Nunes (MDB), à Justiça Eleitoral, o político não responde a processos judiciais no momento.

Segundo uma das certidões, Nunes já respondeu a dois processos na Justiça Estadual de São Paulo, mas ambos foram arquivados (aqui e aqui). Não foram encontrados outros processos contra Nunes na Justiça Estadual paulista, no STJ (Superior Tribunal de Justiça) ou no STF (Supremo Tribunal Federal).


VERDADEIRO

"A relação dívida/receita da prefeitura era de 97% quando começamos a gestão. Hoje ela é de 38%." – Bruno Covas no debate da TV Cultura (12/11)

A declaração feita por Bruno Covas durante debate da TV Cultura, em 12 de novembro, é VERDADEIRA, pois o nível de endividamento do município de São Paulo diminuiu para 38% no fim de agosto. Também é verdade que quando Fernando Haddad (PT) passou a gestão para João Doria e Covas o percentual estava em 97%.


FALSO

O rodízio ampliou o isolamento social na cidade de São Paulo. Durante a semana em que ele foi tomado, a gente reverteu uma tendência de queda do isolamento, observada no mês de abril aqui na cidade de São Paulo, e nós ampliamos o isolamento na cidade. – Bruno Covas em Entrevista ao Pânico, da Jovem Pan (27/10)

Em entrevista à rádio Jovem Pan em outubro, o prefeito Bruno Covas defendia o rodízio ampliado de carros adotado pelo município de São Paulo entre os dias 11 e 17 de maio para aumentar os índices de isolamento social. De acordo com a regra, placas com número final par poderiam circular na cidade apenas em dias pares, e as com final ímpar, somente em dias ímpares. Além disso, o rodízio passou a valer em todos os dias da semana, inclusive sábados e domingos. O argumento do prefeito, no entanto, é FALSO, porque dados divulgados pelo governo de São Paulo mostram que as taxas de isolamento da capital não foram influenciadas pela mudança.

No dia 17, um domingo, foi registrado o índice de isolamento mais alto daquela semana, de 56%. O número, no entanto, não difere muito do verificado no domingo anterior, de 54%, quando o rodízio mais restrito ainda não havia sido adotado na capital. A ineficácia da medida fez com que ela fosse revogada pela prefeitura após sete dias.

Em entrevista no dia 17 de maio, quando anunciou o fim da medida, Covas chegou a mencionar seu baixo impacto. “Não tem sentido exigir esse esforço sobrenatural das pessoas se, do ponto de vista prático, a única razão para qual o rodízio foi feito, que é aumentar o isolamento social, não foi cumprida".

Isso porque, além de a determinação não ter impactado nos números registrados pelo governo do estado — que giraram em torno de 50% durante a semana e chegaram ao máximo de 54% no domingo, ante média de 50% registrada no mês de abril — houve um aumento inesperado na lotação do transporte público, com crescimento de 8% no fluxo do metrô e 12% da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos).

Outro lado. Por e-mail, a assessoria da campanha de Covas disse que foi possível reduzir a circulação de veículos com o rodízio emergencial em maio. “Foram retirados, em média, 1,27 milhão de veículos por dia. Mesmo assim, não surtiu o efeito no nível de isolamento social que desejávamos, acima de 50%”.


FALSO

Além disso, 1,5 milhão de m² de calçadas acessíveis foi implantado e 4.000 rampas construídas. – postado na conta de Facebook de Bruno Covas (28/10)

Em seu perfil autenticado no Facebook, Bruno Covas afirmou que entregou 1,5 milhão de m² de calçadas acessíveis e 4.000 rampas na cidade. Na mesma semana, no entanto, ele disse à Rede Nossa São Paulo, organização da sociedade civil, que o total de calçadas ainda será entregue até o fim do ano. O número também diverge do exposto no relatório do Programa de Metas do governo mais recente, publicado em 20 de outubro, e, por isso, a declaração foi considerada FALSA.

O documento indica na meta 2.1 (sobre construir e recuperar 1.500.000 m² de calçadas) que as obras haviam atingido 943.128 m² até setembro e seguiam “em ritmo acelerado para chegar nos 1.500.000 m² em 2020”.

Segundo o programa, com os trabalhos realizados em 2017 e 2018, já havia “mais de 1 milhão de metros quadrados de calçadas construídas ou recuperadas na cidade”.

Outro lado. Por e-mail, a assessoria da campanha disse que a informação correta é a de que o total de calçadas ainda será entregue até o fim do ano e que a postagem feita no Facebook foi corrigida. O Aos Fatos verificou que o texto da postagem mudou para “está sendo implantado 1,5 milhão de m² de calçadas acessíveis”.

A assessoria não se pronunciou sobre a construção de rampas, mas notícias publicadas em agosto e setembro indicavam que os 4.000 equipamentos ainda estavam em construção.


VERDADEIRO

Nós mandamos um cartão alimentação para 700 mil alunos da rede municipal. – Bruno Covas em entrevista ao Jornal da Gazeta (5/10)

A declaração foi dada pelo prefeito em entrevista ao Jornal da Gazeta e é VERDADEIRA. Contatada pelo Aos Fatos, a Secretaria Municipal de Educação informou que a distribuição dos chamados cartões-alimentação foi dividida em quatro fases. Eles foram enviados pela prefeitura para os pais de alunos da rede municipal que perderam o acesso à merenda escolar por conta da pandemia de Covid-19. Os valores variam de acordo com a etapa de ensino da matrícula. Crianças de zero a quatro anos de idade recebem R$ 101, de cinco a seis anos, R$ 63. Estudantes do ensino fundamental e médio recebem R$ 55.

Na primeira fase, anunciada em 2 de abril, o benefício foi oferecido apenas às famílias cadastradas no Bolsa Família. Foram entregues, então, 273 mil cartões. Na segunda, que durou até 15 de maio, foram distribuídos mais 80 mil cartões a alunos em situação de vulnerabilidade não inscritos no programa. Na terceira fase, que foi até 15 de julho, mais 250 mil alunos de famílias inscritas no CadÚnico foram contemplados. Por fim, no dia 30 de julho, a prefeitura anunciou a universalização do acesso ao cartão. Desde então, foram distribuídos mais 104 mil, o que totaliza 707 mil vales entregues até o dia 9 de outubro.


FALSO

[O PT deixou] um grande rombo de R$ 7 bilhões em 2017. – Bruno Covas no debate da Band (1/10)

Segundo a demonstração dos fluxos de caixa da prefeitura em 2016, a gestão de Fernando Haddad (PT) deixou cerca de R$ 5,4 bilhões de caixa final, o que torna a declaração dita por Bruno Covas durante debate realizado na Band no dia 1 de outubro FALSA.

O relatório do TCM-SP (Tribunal de Contas do Município de São Paulo) de 2017 aponta redução das disponibilidades financeiras em 2016. O documento, no entanto, afirma que o caixa da prefeitura no final do mandato era suficiente para pagar as obrigações de curto prazo e que “se todas essas obrigações fossem pagas, restaria um saldo da ordem de R$ 3 bilhões”.

Em 2016, em um cenário de recessão econômica, a Prefeitura de São Paulo teve queda de 8% nas receitas e aumento de 1,8% nas despesas. Apesar desse cenário, duas situações garantiram melhor situação de caixa: a liberação de R$ 1,7 bilhão em depósitos judiciais não tributários e a renegociação de dívidas com a União. Sem esses dois eventos, a situação do caixa "teria ficado bastante comprometida", segundo o relatório do TCM-SP.

Segundo o Boletim de Finanças dos Entes Subnacionais do Tesouro Nacional, a disponibilidade de caixa líquida no final de 2016 da cidade de São Paulo seria suficiente para arcar com uma despesa média de 0,44 meses.

Com relação ao balanço orçamentário, em 2016, a Prefeitura de São Paulo teve um superávit primário de R$ 1,5 bilhão.

Outro lado. Em nota a assessoria da Prefeitura de São Paulo informou que o dado citado por Covas refere-se a diferença entre o que foi previsto pelo orçamento de 2017 – aprovado no final de 2016 – e o que efetivamente foi concretizado. "Em 2017 a administração municipal de São Paulo verificou uma previsão de déficit orçamentário de R$ 7,5 bilhões para o exercício fiscal, por conta de receitas superestimadas (R$ 5 bilhões) e despesas subestimadas (R$ 2,5 bilhões) na Lei Orçamentária Anual". Ainda segundo a nota, "ao longo de 2017 a administração municipal realizou diversas ações para racionalizar as despesas".

Segundo a prefeitura, na ponta das receitas, a principal frustração foi verificada nas transferências de capital da União: de R$ 2,7 bilhões previstos, apenas R$ 642 milhões chegaram aos cofres municipais. Na parte das despesas, a Prefeitura afirmar que o orçamento para subsídio ao transporte público, estimado em apenas R$ 1,8 bilhão para o ano, atingiu R$ 2,9 bilhões em 2017.


IMPRECISO

Nós acabamos com a 'bolsa crack' do PT. – Bruno Covas no debate da Band (1/10)

O Programa De Braços Abertos, instituído pelo ex-prefeito Fernando Haddad, tinha como foco a política de redução de danos da dependência química na Cracolândia. Foi encerrado pelo então prefeito João Doria (PSDB), que instituiu o Redenção, com outra abordagem clínica do tratamento dos dependentes de crack.

Para provocar o candidato petista Jilmar Tatto durante debate realizado pela Band no dia 1 de outubro, que acusou o PSDB de “esparramar” os usuários de drogas da Cracolândia, Covas chamou o programa de Haddad de “Bolsa Crack”. Na verdade, um dos pontos do De Braços Abertos era a remuneração de usuários para ocupá-los em ações de serviço à prefeitura. Eram remunerados os dependentes químicos que aceitassem trabalhar e fazer o tratamento contra o vício. A remuneração era de R$ 15 por hora trabalhada com serviços de zeladoria para a prefeitura.

4. Celso Russomanno (Republicanos)

FALSO

Em relação às minhas não presenças, eu estava no [Parlamento do] Mercosul. – Celso Russomanno no debate da TV Cultura (12/11)

A declaração do candidato durante debate realizado pela TV Cultura no dia 12 de novembro é FALSA. Desde o início de seu mais recente mandato como deputado federal, em 2019, Celso Russomanno registrou oito faltas no Plenário da Câmara dos Deputados e 59 em comissões. Diferentemente do informado pelo parlamentar, no entanto, apenas três ausências em Plenário e 21 em comissões foram justificadas, de acordo com o site da Câmara. A única dessas faltas registrada como missão autorizada ocorreu em 14 de março de 2019.


FALSO

"Eu sou bacharel de direito e nunca disse que era advogado." – Celso Russomanno no debate da TV Cultura (12/11)

A declaração dita por Russomano no debate da TV Cultura, em 12 de novembro, é FALSA porque, segundo uma publicação da Câmara dos Deputados, Russomanno disse que era advogado ao dar informações sobre sua biografia para uma publicação da Casa.

No começo de cada legislatura, a Câmara dos Deputados publica o “repertório biográfico” dos parlamentares. Na página 183 do documento sobre a legislatura 1995-1999, Celso Russomanno é apresentado como “repórter, apresentador de televisão e advogado”.

A mesma publicação informa, na página 7, que os dados biográficos “foram obtidos em entrevistas realizadas com os deputados, por funcionários da Casa”. O documento também diz que o parlamentar se formou em direito em Guarulhos (SP). De acordo com a atual biografia de Russomanno no site da Câmara, ele estudou na Faculdade de Direito de Guarulhos.

A autodeclaração como advogado na publicação da Câmara foi um dos motivos que levaram seções da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) a denunciarem Russomanno por suposto falso exercício da advocacia em 1998, noticiou o Consultor Jurídico. Na época, Russomanno desafiou a OAB a provar a acusação.


FALSO

"Comigo, a Prefeitura de São Paulo vai ter a volta do Leve Leite." – Celso Russomanno no debate da TV Cultura (12/11)

A declaração dita durante debate realizado pela TV Cultura no dia 12 de novembro é FALSA, porque, diferentemente do que sugere o candidato, o programa, criado em 1995, continua em vigor.

O Leve Leite distribui fórmula láctea para menores de um ano e leite em pó para crianças até 6 anos. O programa passou por uma reformulação em 2017 que reduziu o total de atendidos em 53%, retirando os alunos de 7 a 14 anos, para focar nas crianças mais pobres. Em 2018 e 2019, famílias denunciaram problemas no programa, conforme reportagens do jornal Agora e do G1.


FALSO

Faz 16 anos que a Cohab não constrói casa, faz 12 anos que não inaugura nada. – Celso Russomanno em sabatina da Jovem Pan (1/11)

Em fevereiro de 2019, a Cohab-SP (Companhia Metropolitana de Habitação de São Paulo) inaugurou o conjunto habitacional Asdrúbal do Nascimento/Mario de Andrade II, no centro da cidade, o que torna a declaração de Russomanno FALSA. O empreendimento tem 34 unidades habitacionais e foi construído para atender exclusivamente a população de rua.

Em nota enviada ao Aos Fatos, a assessoria da Cohab afirmou que, desde a regulamentação do programa Minha Casa, Minha Vida, em 2009, do governo federal, mudou sua forma de atuação e se tornou uma “facilitadora do programa”. “A Companhia realiza a compra e a desapropriação de terrenos, deixando-os aptos para receber unidades habitacionais. Após o processo, a área é repassada para a Caixa Econômica Federal. Além disso, a Cohab também é encarregada do chamamento que determina as construtoras responsáveis por esses empreendimentos”.


FALSO

De jeito algum. Eu não falei isso [sobre levar a saúde do prefeito Bruno Covas à campanha]. Eu fui perguntado sobre isso e tudo o que falei é que o "tucanato" tem o hábito de não cumprir mandato. – Celso Russomanno em entrevista à Band (29/10)

O candidato do Republicanos comentava uma declaração dada no dia anterior, em conversa com empresários do setor de eventos, sobre o que ocorreria se o atual prefeito, Bruno Covas, fosse reeleito. Na ocasião, ele disse: “Agora, eles já prepararam o novo vice, que deve ser o que vai assumir, cheio de rolo na vida. Pior, ganhando dinheiro em cima de crianças, de creches". Questionado por jornalistas sobre o motivo da declaração, Russomanno sugeriu que a saúde de Covas poderia ser um problema e que o médico do prefeito, não ele, é quem deveria falar sobre o assunto. Como, ao longo da conversa com jornalistas, o candidato não deu nenhum indício de que falava sobre uma tendência de candidatos tucanos não cumprirem o mandato por motivos políticos, sua declaração foi classificada como FALSA.

Na mesma conversa, indagado se fazia referência ao diagnóstico de câncer de Covas, Russomanno mais uma vez sustentou que “tem que falar com o médico do prefeito. Conversa com o médico dele. Só o médico dele pode responder”.


FALSO

“O Bruno Doria fez um monte de covas aí. Comprou milhares de caixões, milhares de caixões. Agora, tem 28 mil caixões, se não me engano é esse o número, empilhados, guardados, achando que ia acontecer o pior. ” – Celso Russomanno em participação na live do Vlog do Lisboa (21/10)

O deputado federal Celso Russomanno (Republicanos), candidato à Prefeitura de São Paulo, disse em live realizada no dia 21 de outubro que o prefeito Bruno Covas (PSDB) comprou caixões em excesso por causa da pandemia e tem cerca de 28 mil em estoque. Isso é FALSO, pois, segundo a prefeitura de São Paulo, o serviço funerário tem 9.913 urnas funerárias estocadas, quantidade necessária para ao menos 30 dias.

O órgão também disse que antecipou a aquisição de cerca de 38 mil caixões em virtude do crescente número de óbitos durante a pandemia. No dia 21 de março, por exemplo, a prefeitura publicou no Diário Oficial a compra das urnas funerárias confirmadas em pregão eletrônico de 2019, mas que seriam adquiridas ao longo do tempo. Também foi explicado que não foram entregues 38 mil urnas de uma vez.

“Com a reserva técnica, as urnas são entregues e pagas de forma gradativa, conforme diminuição de estoque.” Além disso, desta aquisição, mais de 33 mil já foram usadas em sepultamentos gerais, não apenas para mortes causadas por Covid-19, diz a assessoria.

A prefeitura realiza compras de caixões e outros itens para enterros frequentemente, pois a responsabilidade pelos serviços funerários é municipal, e a Lei 11.083/91 garante gratuidade do sepultamento àqueles que não têm condições financeiras de pagar pelas despesas.

A acusação de Russomanno foi feita durante a live do Vlog do Lisboa, canal do YouTube liderado por Fernando Lisboa da Conceição. Ele é apoiador do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e um dos investigados no inquérito das "fake news", que apura ataques ao STF (Supremo Tribunal Federal) e seus ministros.


FALSO

Os moradores de rua são mais resistentes à COVID-19. – Celso Russomanno em encontro com empresários da Associação Comercial de São Paulo (13/10)

Em encontro com empresários da Associação Comercial de São Paulo no dia 13 de outubro, Celso Russomanno comentou que pessoas em situação de rua e usuários de drogas da Cracolândia seriam mais resistentes à Covid-19, pois convivem nas ruas e não tomam banho. “[moradores de rua são] mais resistentes do que a gente, porque convivem o tempo todo nas ruas, não têm como tomar banho”, disse o candidato. A fala de Russomanno, no entanto, é FALSA.

Conforme mostra análise do Instituto Questão de Ciência, entre março e setembro a capital paulista havia registrado 26 óbitos confirmados de pessoas em situação de rua por Covid-19 e mais 14 suspeitos. Assim, cálculos apontam que a taxa de mortalidade entre quem está em situação de rua era de 164,31 mortes por 100 mil em setembro. Por outro lado, a taxa de mortalidade na cidade de São Paulo era de 162,33 por 100 mil habitantes no mesmo período.

Além disso, o Aos Fatos não encontrou em bases da OMS (Organização Mundial da Saúde) e da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) estudos que mostrem evidências científicas de que a falta de banho seja uma barreira para a infecção de Sars-CoV-2, vírus que causa a Covid-19. Além de ser um parasita que adentra o organismo pelas vias respiratórias, os cuidados com a higiene, como lavar as mãos, são recomendações para evitar a contaminação.


FALSO

Você sabe qual é o bairro mais adensado da cidade de São Paulo? Estima-se que fosse Jardins ou Moema. Não é. É Sapopemba. É um adensamento horizontal. É uma quantidade de pessoas. – Celso Russomanno em entrevista ao Jornal da Gazeta (8/10)

Não é verdade que Sapopemba, distrito localizado na zona leste, seja o mais adensado da capital, conforme disse o candidato Celso Russomanno no dia 8 de outubro em entrevista realizada no Jornal da Gazeta ao ser questionado sobre os problemas de habitação na cidade. Sapopemba tem 21.076 habitantes por quilômetro quadrado e está na quinta posição, por isso a declaração foi classificada como FALSA.

O distrito com a maior densidade demográfica da capital é a Bela Vista, no centro, com 26.735 habitantes por quilômetro quadrado. Depois, seguem República (24.774), no centro, Cidade Ademar (22.223), na zona sul, e Santa Cecília (21.466), também no centro.

Por outro lado, o Jardim Paulista, na zona oeste, tem 14.540 habitantes por quilômetro quadrado. Moema, na região sul, aparece com 9.263.


FALSO

O presidente Bolsonaro foi o único que fez alguma coisa durante a pandemia. Aqui fechou-se o comércio, fechou-se tudo. – Celso Russomanno no debate da Band (1/10)

Nesta fala, feita durante o debate da Band, Russomanno refere-se às medidas de sustentação econômica durante a pandemia. O auxílio emergencial, concedido pelo governo federal por iniciativa de congressistas de oposição, com aprovação do Congresso Nacional, não foi a única medida adotada para tentar mitigar os efeitos da pandemia na economia. O governo do Estado de São Paulo e a Prefeitura de São Paulo fizeram ações de apoio financeiro a segmentos econômicos, o que torna FALSA a declaração.

Um exemplo foi a concessão de R$ 650 milhões em linhas de crédito a micro e pequenos empreendedores divulgada pelo governo estadual em abril, como reporta o G1. Já a prefeitura de São Paulo anunciou, em abril, a distribuição de cartões-alimentação para estudantes da rede pública. Na ocasião, em entrevista coletiva, o prefeito afirmou que a despesa mensal seria de R$ 24 milhões.


VERDADEIRO

Não existe isso [rachadinha]. E se você fosse atrás do que realmente existe de fato, saberia que o STF me inocentou de uma coisa que você trouxe pra cá. – Celso Russomanno no debate da Band (1/10)

Russomanno responde à acusação de Boulos feita durante o primeiro debate entre os candidatos de que o ex-deputado federal teria praticado uma “rachadinha” e pago uma funcionária com dinheiro público. O psolista provavelmente se refere ao processo que visava condenar Russomanno por ter usado verba da Câmara dos Deputados para pagar uma gerente de produtora de vídeos. De fato, a segunda turma do STF absolveu o então deputado em agosto de 2016 porque entendeu que a funcionária “dedicou-se preponderantemente ao cargo de secretária parlamentar no escritório político de Russomano em São Paulo”.

5. Guilherme Boulos (PSOL)

FALSO

"A prefeitura atual prometeu 72 km de corredores de ônibus e fez apenas 3 km." – Guilherme Boulos no debate da TV Cultura (12/11)

A declaração do candidato no debate TV Cultura, em 12 de novembro, é FALSA. Por mais que, de fato, a proposta feita em 2017 pela gestão do atual governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e do prefeito Bruno Covas previsse a implantação de 72 km de corredores de ônibus, a meta foi diminuída significativamente em revisão do plano publicada por Covas em 2019. Ali, foi proposta a implantação de 9,4 km de faixas exclusivas, promessa que foi cumprida pela gestão, ao contrário do que afirma Boulos. Segundo o relatório de metas atualizado em 12 de novembro, foram implantados 14,88 km de corredores e faixas exclusivas de ônibus na capital.


IMPRECISO

“As empresas existem, estão registradas, isso já foi comprovado, a Justiça colocou isso.” – Guilherme Boulos no debate da TV Cultura (12/11)

Por mais que o juiz Emílio Migliano Neto tenha dito, em sua decisão liminar, que a acusação feita pelo youtuber Oswaldo Eustáquio “não encontra lastro nem sequer em indícios, (...), permitindo-se, sem temor, de ser adjetivado de sabidamente inverídico”, ele não menciona nem comprova em juízo a existência das empresas citadas. O juiz, portanto, aponta apenas que não existem indícios para as alegações, e por isso a declaração dita durante o debate da TV Cultura, em 12 de novembro, foi considerada IMPRECISA.

As instituições acusadas de serem fantasmas são a produtora Filmes de Vagabundo e a Kyrion, que de fato constam como fornecedores da campanha de Boulos. Conforme o Aos Fatos verificou, a Filmes de Vagabundo teve CNPJ emitido em 2012. A produtora aparece na lista da Ancine (Agência Nacional do Cinema) de 2018 por causa da produção do filme “El Mate”. A empresa também aparece no Diário Oficial da Prefeitura de São Paulo de 3 de outubro para prestar contas referentes à produção de “Jaraguá, território em disputa".

De acordo com Boulos, a produtora foi registrada em 2018 no endereço residencial da cineasta Amina Jorge, diretora de audiovisual da comunicação digital da campanha, mas em dezembro do mesmo ano ela se mudou e não atualizou o endereço jurídico. A Filmes de Vagabundo recebeu R$ 28.000 da campanha de Boulos para produção audiovisual.

Já a Kyrion Consultoria e Análise foi criada em maio de 2020. Segundo o candidato, em nota enviada ao Aos Fatos, a empresa presta serviços de planejamento e acompanhamento de pesquisas quantitativas e qualitativas, monitoramento e análise diária de redes sociais e gestão de comunidades digitais. Boulos ainda diz que o contrato com a empresa permite que a prestação de serviços seja feita remotamente pela equipe de 20 pessoas por causa da pandemia de Covid-19. Um dos sócios da Kyrion é Beto Vasques, que até março de 2020 morava e trabalhava na Espanha, diz Boulos.

Amina Jorge e Beto Vasques participaram de uma transmissão ao vivo publicada no canal oficial de Boulos na última quarta-feira (14). Jorge afirmou que sua empresa possui diversos curtas e longa-metragens e participou de mostras internacionais. Já Vasques explicou que os funcionários estão trabalhando em home office por conta da pandemia.


VERDADEIRO

“A Justiça determinou que ontem esse vídeo fosse retirado do ar justamente por ser mentira.” – Guilherme Boulos no debate da TV Cultura (12/11)

Durante debate realizado pela TV Cultura no dia 12 de novembro, em resposta ao candidato Celso Russomanno sobre a suposta contratação de duas empresas fantasmas em sua campanha, Guilherme Boulos disse que o vídeo citado por Russomanno foi tirado do ar por ser mentira.

De fato, na decisão judicial que suspendeu a exibição do vídeo produzido por Oswaldo Eustáquio, apoiador do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e um dos investigados no inquérito das "fake news", que apura ataques ao STF (Supremo Tribunal Federal) e seus ministros por meio de desinformações, calúnias e ameaças, o juiz Emílio Migliano Neto diz que “o cenário delineado pela matéria produzida pelo representado [Oswaldo Eustáquio] não encontra lastro nem sequer em indícios, (...) permitindo-se, sem temor, de ser adjetivado de sabidamente inverídico”. Portanto, a declaração de Boulos foi classificada como VERDADEIRA.

O juiz do TRE-SP (Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo) justificou a decisão ao afirmar que a campanha de Boulos “demonstrou o perigo do dano, para o candidato representante, decorre da proximidade do pleito eleitoral, pois sua imagem irremediavelmente prejudicada em razão da não suspensão do vídeo veiculado”.

Ainda segundo o juiz, críticas políticas extrapolam a liberdade de expressão e passam “para o domínio da ilicitude quando inegavelmente violadoras da legislação atinente à propaganda eleitoral”. Migliano Neto ainda classifica a divulgação do vídeo na campanha de Celso Russomanno como “um estratagema altamente reprovável”.

A decisão tem caráter liminar, ou seja, temporário. O juiz determinou a citação de Eustáquio para que apresente sua defesa, caso queira.


FALSO

Há 40 mil imóveis abandonados que devem imposto. – Vídeo publicado nas redes sociais de Guilherme Boulos (27/10)

O candidato Guilherme Boulos (PSOL) costuma dizer em entrevistas e redes sociais, além de ter mencionado no debate realizado na Band no dia 1º de outubro, que há 40 mil imóveis abandonados e ociosos no centro de São Paulo. Mas isso é FALSO, pois, segundo o último dado disponível, do Censo de 2010 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), eram 19.867 imóveis vagos na região de Bela Vista, Bom Retiro, Cambuci, Consolação, Liberdade, República, Santa Cecília e Sé. E, deste montante, não há como ter certeza de que todos estão abandonados ou ociosos.

O IBGE considera vago um imóvel que não tem moradores no momento da pesquisa. O advogado Henrique Frota, coordenador do Instituto Pólis, organização dedicada à defesa do direito à cidade, explica que esses imóveis podem estar em “vacância de equilíbrio”, período no qual a unidade fica vazia enquanto é negociada, seja para venda ou aluguel.

Se for considerado o número disponibilizado pela Prefeitura de São Paulo no Cadastro da Função Social da Propriedade, há 2.824 imóveis com indícios de ociosidade na cidade toda. Desse total, 1.746 imóveis foram notificados até o momento por não cumprirem a função social, termo presente na Constituição Federal de 1988, no Estatuto da Cidade (Lei Federal 10.257/2001) e no atual Plano Diretor Estratégico de São Paulo (Lei 16.050/2014). Para cumprir sua função social, uma propriedade deve estar de acordo também com os interesses da sociedade, não apenas em benefício do proprietário. O órgão ressalta que os dados podem não representar o total de imóveis abandonados ou ociosos na cidade. Contudo, essas são todas as propriedades que a prefeitura tem conhecimento de que estão nas situações citadas.

Outro lado. Questionada sobre a fonte do dado, a assessoria de Boulos enviou um texto publicado em 2007 em uma revista de arquitetura chamada Vitruvius e um artigo da arquiteta Valéria Nagy de Oliveira sobre reabilitação de áreas urbanas centrais publicado na página de periódicos da PUC-Campinas em 2012. As publicações informam que “entre 1980 e 2000, segundo o IBGE, [a área abrangida pela subprefeitura da Sé] sofreu uma perda de 200 mil habitantes, ficando com cerca de 40 mil domicílios desocupados”. A campanha do PSOL também disse que "embora o dado seja referente a 2001, não há indícios de que o número tenha diminuído, pelo contrário".

Ao Aos Fatos, a assessoria do IBGE informou que a comparação entre os censos de 1980 e 2000 "é complexa e algumas variáveis tiveram alteração, não permitindo a correta correlação” entre eles.


FALSO

Temos 1 milhão de famílias vivendo com menos de 520 reais por mês. – Post no Twitter de Guilherme Boulos (1/11)

O programa de governo de Boulos faz uma alegação parecida com a frase publicada no Twitter do candidato. Na página 2, o documento diz que “quase um milhão de famílias” da cidade de São Paulo vivem com “renda familiar que não chega a meio salário mínimo”. Entretanto, dados do SIS (Síntese de Indicadores Sociais) de 2018, que são os mais recentes, enviados por e-mail pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mostram que 11,9% dos domicílios na cidade de São Paulo possuem renda per capita de até meio salário mínimo (R$ 522,50), algo que corresponde a cerca de 515 mil famílias. Assim, a declaração de Guilherme Boulos foi classificada como FALSA.

Um outro ponto sobre a declaração do candidato é que, tanto no tweet quanto no programa de governo, não fica claro se ele está se referindo à renda familiar per capita (por pessoa) ou total. A renda familiar per capita de até meio salário mínimo é um dos critérios para a adesão ao Cadastro Único do governo federal, por exemplo, que serve para reunir informações sobre famílias de baixa renda e cujos dados são usados por todas as esferas de governo para a implementação de políticas públicas.

Se considerados os dados do Cadastro Único, de 1.375.518 famílias registradas na capital paulista, há 976.842 com integrantes que recebem até meio salário mínimo. Se consideradas apenas as que atualizaram o cadastro (dados de agosto), são 658.234 famílias com membros com renda de até meio salário mínimo.

Outro lado. Por e-mail, a assessoria de Guilherme Boulos disse que no site do CadÚnico, o Cadastro Único, existem 948 mil famílias cadastradas recebendo menos de meio salário mínimo na cidade de São Paulo. “Arredondamos este número para 1 milhão. O site é bem claro ao classificar pelo mesmo critério que mencionamos (‘famílias com renda de até meio salário mínimo’). Usamos uma categoria, reitere-se, utilizada pelo CadÚnico”.

No entanto, conforme o Aos Fatos explicou, o Cadastro Único contabiliza famílias com renda per capita de até meio salário mínimo, e não com renda total.

A campanha também argumentou que usou microdados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio) que mostram que o total estimado de pessoas em São Paulo com renda familiar menor do que meio salário mínimo é de 2,5 milhões de pessoas, o que equivaleria a ao menos 1 milhão de famílias. Entretanto, o IBGE, responsável pela Pnad, negou: "A SIS [fonte do IBGE citada pelo Aos Fatos no início da checagem] tem como base a Pnad-C (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua) (...). A afirmação do candidato não é verdadeira".


EXAGERADO

O caixa da cidade de São Paulo é de R$ 17 bilhões que estão parados, no meio de uma pandemia. Isso daria pra garantir uma renda solidária por 5 anos – Guilherme Boulos em entrevista ao Jornal da Gazeta (6/10)

O valor apontado pelo candidato em entrevista ao Jornal da Gazeta no dia 6 de outubro corresponde ao chamado caixa e equivalentes de caixa, nome dado aos recursos que se encontram nas contas do Tesouro Municipal. De acordo com o TCM-SP (Tribunal de Contas do Município de São Paulo), eram R$ 19,1 bilhões em agosto.

É importante ressaltar, no entanto, que, dessa soma, cerca de R$ 8,2 bilhões correspondem a recursos vinculados que já têm destinação determinada por lei. Por já ter tido o emprego autorizado em outras áreas, o montante não poderia ser direcionado a um novo programa de renda solidária, como citou o candidato. Por isso, a declaração foi considerada EXAGERADA.

É fato, no entanto, que a desvinculação de recursos para o combate à pandemia é possível, desde que os valores estejam alocados em fundos específicos. Em março deste ano, a prefeitura sancionou uma lei que permitiu a desvinculação das receitas de 11 fundos municipais para o uso dos recursos no combate à pandemia de Covid-19. Em decreto publicado no mês seguinte que regulamenta a medida, foram desvinculados 100% das receitas totais do exercício de 2020 e do superávit financeiro de 2019 desses fundos.

Além disso, os gastos adicionais e a perda de arrecadação podem deixar as contas do município com um déficit nas contas públicas de até R$ 10 bilhões no fim do ano, de acordo com o prefeito, Bruno Covas. A soma seria consequência de uma queda de R$ 7 bilhões em arrecadação e o gasto de R$ 2,6 bilhões em ações voltadas ao combate à Covid-19.


VERDADEIRO

[São Paulo tem] R$ 130 bilhões de dívida ativa. Eu vou cobrar. Vamos fazer com que paguem. – Guilherme Boulos em entrevista ao Jornal da Gazeta (6/10)

Em entrevista para o Jornal da Gazeta no dia 6, ao ser questionado sobre onde buscará verba para realizar suas propostas, se eleito, Boulos citou como uma das fontes de renda a cobrança da dívida ativa, contas que estão sendo devidas para o administração pública, como IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) e multas de trânsito, nas quais os valores arrecadados podem ser usados para a execução de serviços públicos.

E é verdade que São Paulo tem R$ 130 bilhões de dívida ativa. Em resposta para o Aos Fatos, o TCM-SP (Tribunal de Contas do Município de São Paulo) disse que o dado mais recente, de dezembro de 2019, mostra que a dívida ativa bruta somava R$ 130,4 bilhões e a dívida ativa líquida, R$ 55,4 bilhões. O dado também está disponível no relatório anual de fiscalização de 2019, documento mais recente.

A dívida ativa é composta por todos os valores devidos à prefeitura e não pagos no prazo previsto. Quando alguém atrasa o IPTU, por exemplo, esse débito é inscrito na dívida ativa, e a cobrança é feita pela Procuradoria-Geral do Município.


FALSO

[São Paulo] é capital do desemprego. – Guilherme Boulos no debate da Band (1/10)

A declaração feita durante o debate da Band é FALSA. Segundo o último dado disponível no site do IBGE, do primeiro trimestre deste ano, a taxa de desocupação da força de trabalho em São Paulo era 13,2%, índice igual ou inferior ao de outras 13 capitais. As maiores taxas estão em Manaus (18,5%), Salvador (17,5%) e Macapá (17,3%).

Uma primeira versão desta checagem usou como parâmetro a taxa de desocupação entre todas as pessoas com 14 anos ou mais, o que inclui não só a força de trabalho, mas toda a população nesta faixa etária. Neste dado, a proporção de pessoas com 14 anos ou mais que estavam desocupadas em São Paulo era de 9%. Outras capitais tinham taxas maiores, como Belo Horizonte (8,7%) e Salvador (11,8%).


VERDADEIRO

Sou o único dos candidatos aqui que mora na periferia de SP. Moro no Campo Limpo. – Guilherme Boulos no debate da Band (1/10)

Boulos não informou possuir imóvel em sua declaração de bens entregue à Justiça Eleitoral. Nela, consta apenas um veículo, um Celta, no valor de R$ 15.416. É o mesmo modelo de declaração que ele registrou quando disputou a Presidência da República, em 2018. Na ocasião, questionado sobre a residência em que vive com a mulher e os filhos no Campo Limpo, extremo da zona sul de São Paulo, o candidato afirmou que o imóvel foi comprado por seu pai, o médico Marcos Boulos. Em junho deste ano, o candidato chegou a registrar uma denúncia na polícia por sofrer ameaças pela internet, em que perseguidores insuflavam as pessoas a atacar sua residência, no bairro do Campo Limpo. Portanto, a fala feita durante o debate da Band é VERDADEIRA.

6. Jilmar Tatto (PT)

FALSO

“Durante o governo Haddad, de cada 10 pessoas que foram tratadas, 9 deixaram de usar o crack.” – Jilmar Tatto no debate da TV Cultura (12/11)

Pesquisa de 2016 da Plataforma Brasileira de Política de Droga com 80 participantes do Braços Abertos, implantado na região da Cracolândia da capital paulista, indicou que 67% dos entrevistados havia reduzido o uso de crack após ingressar no programa: quase 7 a cada 10 pessoas que foram tratadas. Como a razão do dado é diferente da que foi citada por Tatto, e os participantes não deixaram de usar a droga, a declaração feita pelo candidato durante o debate na TV Cultura é FALSA.


IMPRECISO

As crianças ficaram quatro meses sem receber o voucher de alimentação [durante a pandemia]. – Sabatina Folha/UOL no dia 30 de outubro

A declaração é IMPRECISA, porque não inclui todo o contexto necessário para entender como foi a implantação do programa que destinou um vale-alimentação para os alunos da rede pública municipal de São Paulo durante a pandemia de Covid-19, sem explicar que ao menos uma parte dos estudantes já recebia a ajuda desde abril.

A Prefeitura de São Paulo lançou em abril o programa Cartão Merenda, por meio do qual passou a distribuir um vale-alimentação para crianças que ficaram sem merenda escolar por causa da suspensão das aulas decorrente da pandemia. No entanto, quando começou, o programa foi destinado apenas aos alunos cadastrados no Bolsa Família, tidos como mais vulneráveis. Naquele momento, o Cartão Merenda chegaria a 273 mil crianças da rede municipal, segundo a prefeitura.

No entanto, mais de 950 mil crianças estudam nas escolas municipais de São Paulo, o que gerou questionamentos sobre o fato de a ajuda não chegar a todas elas. Ainda em abril, após pedido da Defensoria Pública e do Ministério Público, a Justiça paulista chegou a mandar a Prefeitura de São Paulo pagar o Cartão Merenda para todos os alunos. Na decisão, o juiz Adriano Marcos Laroca lembrou que o direito à alimentação está assegurado na Constituição para todos os alunos da rede pública de ensino, sem dar margem para exceções ou critérios como o cadastro em programas como o Bolsa Família.

Em junho, a prefeitura anunciou que havia expandido o Cartão Merenda, chegando a 600 mil alunos. Somente no fim de julho o município estendeu o programa para todos os estudantes da rede municipal.

Outro lado. Por e-mail, a campanha de Jilmar Tatto disse que a declaração do candidato foi dada com base em notícias da imprensa e em entrevista coletiva concedida pelo prefeito Bruno Covas em que anunciou, “quatro meses após o início da quarentena”, que o vale-alimentação seria disponibilizado para toda a rede municipal de ensino. “Quando Jilmar fala sobre o tema, ele não especifica ‘todas as crianças ficaram sem’, mas sim ‘crianças ficaram 4 meses sem receber o voucher alimentação’”, diz a nota da campanha, que cita uma reportagem do G1.

Na sabatina, o candidato deu a declaração da seguinte forma: “E a crueldade é porque tem dinheiro em caixa. E as crianças ficaram quatro meses sem receber o voucher de alimentação.” O trecho pode ser visto aqui.


VERDADEIRO

O Doria falou que as crianças pobres não tinham hábito alimentar. – Jilmar Tatto durante debate da Band (1/10)

A declaração feita por Tatto durante o debate na Band é VERDADEIRA. Em 2017, ao anunciar que pretendia incluir a farinata, um alimento industrializado que ficou conhecido como “ração humana”, na merenda de estudantes do ensino fundamental, Doria, então prefeito de São Paulo, disse: "Pobre não tem hábito alimentar, pobre tem fome". À época, Doria estava sendo acusado de ter dito em um programa que apresentava na televisão em 2007, O Aprendiz: “Hábitos alimentares? Você acha que gente humilde, pobre, miserável, lá vai ter hábito alimentar? Você acha que alguém pobre, humilde, miserável infelizmente pode ter hábito alimentar? Se ele se alimentar, ele tem que dizer graças a Deus”.

7. Joice Hasselmann (PSL)

IMPRECISO

"O senhor [Bruno Covas], com sete meses à frente da prefeitura, tirou férias." – Joice Hasselmann no debate da TV Cultura (12/11)

Nesse ponto do debate da TV Cultura, Hasselmann criticava a ausência do prefeito. Bruno Covas de fato tirou 12 dias de férias e viajou para a Croácia, mas em agosto de 2017, primeiro ano de seu mandato como vice-prefeito e secretário de Prefeituras Regionais, o que torna a declaração IMPRECISA. O prefeito, na época, era João Doria. O candidato à reeleição, inclusive, publicou um registro das férias em seu Instagram.


VERDADEIRO

“Também tem esquema com creche, onde o próprio vice do prefeito é investigado, ele diz que não, você pode ir no Google, pesquisar o nome dele.” – Joice Hasselmann no debate da TV Cultura (12/11)

De fato, o Ministério Público de São Paulo investiga o vereador Ricardo Nunes (MDB), candidato a vice-prefeito de Bruno Covas, por suposto superfaturamento no aluguel de creches privadas que são conveniadas à Prefeitura de São Paulo. Portanto, a declaração de Joice Hasselmann no debate da TV Cultura foi classificada como VERDADEIRA.

As investigações foram iniciadas após uma denúncia anônima que apontou irregularidades na prestação de serviço de educação infantil. Conforme apuração da Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social de São Paulo, haveria um suposto favorecimento a Nunes e outros dois vereadores (Rodrigo Goulart, do PSD, e Senival Moura, do PT) por parte da Sociedade Beneficente Equilíbrio de Interlagos (Sobei). Essa entidade recebe R$ 329 mil da Prefeitura de São Paulo para pagamentos de aluguéis de creches.

Além disso, a Acria (Associação Amiga da Criança e do Adolescente), entidade gerida por uma apoiadora de Nunes, utilizou recursos recebidos dos cofres públicos municipais para pagar a Fênix Assessoria Contábil, instituição que sofreu busca e apreensão pela Polícia Civil em setembro por suspeitas de irregularidades e de integrar a chamada máfia das creches. A investigação ainda está em andamento e a quarta fase foi deflagrada em setembro deste ano.

Sobre a Acria, em reportagem do Estadão, a assessoria de Nunes afirmou que “a relação do vereador com a entidade se deve pelo trabalho social que tem com dezenas de entidades”.


FALSO

[Russomano] Votou contra o projeto Ficha Limpa. – Joice Hasselmann durante debate da Band (1/10)

Joice Hasselmann (PSL), durante o debate da Band, acusou Celso Russomanno (Republicanos) de ter votado, como deputado federal, contra a Lei da Ficha Limpa (Lei Complementar 135/2010). Como o Aos Fatos já checou, esta é uma notícia FALSA, que se espalhou pelas redes sociais desde a semana passada, quando Russomanno anunciou sua candidatura.

À época da votação do projeto de lei na Câmara, em maio de 2010, Russomanno, então deputado federal pelo PP, votou a favor da criação da lei, assim como outros 387 parlamentares. A lei aprovada passou a impedir a candidatura de pessoas condenadas em decisões judiciais colegiadas e políticos cassados ou que tenham renunciado a seus mandatos para impedir sua cassação.


FALSO

Metade dos que estão aqui são citados na lista da Odebrecht. – Joice Hasselmann (PSL) durante debate da Band (1/10)

Mesmo que Hasselmann estivesse se referindo aos candidatos com carreira política mais extensa, excluindo, assim, Arthur do Val, Marina Helou e Filipe Sabará, apenas 2 dos outros 7 políticos presentes ao debate da Band tiveram seus nomes citados em delações de executivos da Odebrecht, o que torna a declaração FALSA. Segundo levantamento de todos os apelidos reunidos pelo G1 a partir das planilhas da empresa, Márcio França e Celso Russomanno aparecem com os nomes Paris e Itacaré, respectivamente.

8. Márcio França (PSB)

FALSO

"[A prefeitura] que durante muitos anos já não faz imóvel aqui na capital, deixando as pessoas ocupando todas as laterais de São Paulo, o que é um grande erro." – Márcio França no debate da TV Cultura (12/11)

Diferentemente do que afirma França, a Prefeitura de São Paulo construiu 88,5 mil unidades habitacionais de 1993 até 2016, segundo informações da Sehab (Secretaria Municipal de Habitação da Prefeitura de São Paulo) enviadas ao Aos Fatos. Além disso, entre janeiro de 2019 e setembro de 2020, a prefeitura entregou 9.334 unidades. A declaração feita durante o debate da TV Cultura, portanto, é FALSA.

Outro lado. Em nota enviada ao Aos Fatos, a campanha afirma que o candidato usou como base dados da plataforma HabitaSampa, que reúne informações oficiais da Secretaria de Habitação de São Paulo. “De acordo com a tabela de empreendimentos entregues e famílias atendidas, entre janeiro de 2019 e maio de 2020, foram entregues 5.336 unidades habitacionais, um número muito menor do que o apontado pela agência de checagem. O candidato chama a atenção, na fala dele, para a baixíssima quantidade de unidades entregues pela atual administração”.


IMPRECISO

“Eu ouvi uma expressão do governador João Doria, que representa aqui o candidato Bruno Covas, que chamou os servidores aposentados de vagabundos.” – Márcio França no debate da TV Cultura (12/11)

A declaração feita durante o debate da TV Cultura para criticar o atual prefeito é IMPRECISA, porque a fala citada por França não foi genérica como o candidato alegou.

Em outubro do ano passado, o governador paulista, João Doria (PSDB), discutiu com manifestantes apoiadores do presidente Jair Bolsonaro em um evento em Taubaté (SP). Não se tratava de um protesto ligado a servidores públicos. Chamado de “Pinóquio”, Doria respondeu: “Vai pra casa, vagabundo! Vai comer sua mortadela com a sua mãe, seu sem vergonha (...) Vai pra casa, aposentado", noticiou a Folha de S.Paulo.

Doria acabou vindo a público pedir desculpas por suas falas, e disse ter sido alvo de “uma operação orquestrada por uma turma de baderneiros”, segundo reportagem do G1. “Acabei me excedendo e respondi à altura que aquele momento exigia”, afirmou o governador.

Outro lado. Em nota, a campanha do candidato afirma que “não especificar a data, o horário ou a ocasião em que um governador de Estado chamou servidores públicos presentes de ‘vagabundos’ não anula o fato, tampouco o torna ‘impreciso’. Exigir o detalhamento das circunstâncias em que um xingamento foi feito por Doria a servidores, mais de uma vez, em uma mesma ocasião, nos parece uma maneira inadequada de relativizar uma conduta inadmissível por parte de qualquer cidadão, sobretudo quando se trata de um homem público”.


FALSO

Hoje nós temos 18 mil crianças sem creche. – Márcio França em sabatina Folha/UOL (3/11)

A declaração do candidato é FALSA. De acordo com dados divulgados pela Secretaria Municipal de Educação em setembro, últimos números disponíveis, havia 6.670 crianças à espera de vagas em creches. Dessas, 2.771 aguardavam há mais de 30 dias.

Outro lado. De acordo com a assessoria de França, a campanha considera o número de 18.919 vagas como a demanda em creches públicas da capital por ter sido o dado obtido em agosto da Secretaria Municipal de Educação via Lei de Acesso à Informação. “A decisão de nos fixar em um número oficial de agosto, portanto, nos parece uma maneira de não confundir o eleitor, a partir de um fato, e, ao mesmo tempo, não criar nele a falsa expectativa de que a demanda, no meio de uma pandemia, estaria sendo reduzida”, disse por e-mail.


FALSO

Eu nunca usei a expressão casal ou marido e mulher. – Márcio França em sabatina do Estadão (29/10)

Ao ser questionado pela jornalista Vera Magalhães, na sabatina do Estadão, sobre ter dito em 2018 que a Polícia Militar perdia muito tempo separando brigas de casais, o candidato Márcio França disse que nunca usou a expressão “casal” ou “marido e mulher” à época, o que é FALSO.

Em abril de 2018, pouco depois de assumir o cargo de governador de São Paulo, França falava sobre a diminuição do efetivo das polícias Militar e Civil quando afirmou que “quando um casal está brigando, não necessariamente precisaria ter um policial militar ou dois policiais militares com uma viatura, revólver, enfim. A gente vai encontrar um formato para ajudar nessa solução”.

Após o candidato negar ter falado em briga de casal, Magalhães leu a aspa dita à época, e França tentou se explicar dizendo que “o estado tem vários profissionais que podem auxiliar as pessoas. Não só casal, mas você pode ter diversas discussões”.

Outro lado. Segundo a assessoria de imprensa da campanha de França, a fala do candidato em 2018 foi retirada de contexto. O que França quis dizer “foi que seria necessário um formato adequado de atendimento que garantisse mais efetividade em questões de combate à violência doméstica, que não somente pela Polícia Militar. O candidato repudia a violência doméstica, seja ela física ou psicológica, cometida no âmbito de um casamento ou não, e se propõe a adotar projetos que a previnam ou mitiguem o problema. Esse é o fato”, argumentou por e-mail.


VERDADEIRO

Está faltando 20 mil vagas de creche hoje – Márcio França em entrevista ao Jornal da Gazeta (7/10)

A declaração do candidato, dada no dia 7 de outubro em entrevista ao Jornal da Gazeta, é verdadeira. De acordo com dados divulgados pela Secretaria Municipal de Educação, havia, em junho deste ano, 22.732 crianças na fila de espera por uma vaga na creche. O número corresponde a menos da metade do registrado no mesmo mês de 2019, quando 48.910 crianças integravam a fila de espera.


FALSO

Hoje são 7.000 cargos [comissionados], a R$ 10 mil, mais ou menos – Márcio França durante visita ao bairro do Bom Retiro (6/10)

Márcio França citou os cargos comissionados durante visita ao bairro do Bom Retiro no dia 6 de outubro, quando argumentou que a eliminação desses postos seria uma possível fonte de financiamento para um projeto de microcrédito municipal.

De acordo com dados da Secretaria Municipal de Gestão, há atualmente 11.786 funcionários ocupando cargos comissionados na administração direta da prefeitura paulistana, número cerca de 70% maior do que o informado por França. A média de remuneração bruta desses cargos também é menor do que a citada pelo candidato: são R$ 5.862,92 mensais, valor cerca de 42% mais baixo.

Mesmo considerando que França fazia referência apenas aos funcionários comissionados que recebem salário igual ou maior do que R$ 10 mil, os dados estão incorretos. De acordo com os números disponíveis no Portal da Transparência da prefeitura, 3.406 pessoas estão nessa faixa de remuneração bruta.

Outro lado. Contatada por Aos Fatos, a assessoria de Márcio França afirmou que o candidato tem feito críticas sistemáticas à atual gestão ao menos desde o início da pandemia. “É nesse contexto, e não o de visão estratégica e eficiente da máquina pública, que o prefeito e candidato à reeleição Bruno Covas agiu reduzindo cargos comissionados, o que acabou interferindo na nossa projeção”.


VERDADEIRO

No segundo turno, ganhamos a eleição aqui na capital com quase 1 milhão de votos de diferença. – Márcio França durante debate da Band (1/10)

É verdade que nas eleições para o governo estadual de São Paulo em 2018 a diferença de votos entre o candidato Márcio França (PSB) e o atual governador, João Doria (PSDB), foi de quase 1 milhão de votos na capital. França recebeu 3.393.092 (58,10%) votos enquanto Doria teve 2.447.309 (41,90%), algo que totaliza uma diferença de 945.783 votos.

9. Marina Helou (Rede)

VERDADEIRO

"Quase 40% do nosso esgoto não é tratado e cai direto nos rios." – Marina Helou no debate da TV Cultura (12/11)

Segundo o Ranking do Saneamento 2020, publicado pelo Instituto Trata Brasil, o município de São Paulo trata 64,66% de seu esgoto. Cerca de 35%, portanto, é descartado sem tratamento, o que torna a declaração deita no debate da TV Cultura VERDADEIRA.


FALSO

Ainda são mais de 2 milhões de pessoas na cidade de São Paulo que convivem com esgoto. – Marina Helou no debate da ConecTV (26/10)

Ao falar sobre saneamento básico com o candidato Andrea Matarazzo em debate realizado pela ConecTV, Marina Helou comentou que mais de 2 milhões de pessoas na cidade de São Paulo convivem com esgoto. Porém, a informação é FALSA. De acordo com o Painel Saneamento Básico, que utiliza dados de 2018 do SNIS (Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento), 450.544 pessoas na capital não possuem coleta de esgoto.

Na verdade, a informação dita pela candidata aproxima-se do dado referente à região metropolitana de São Paulo, que é composta pela capital e mais 38 cidades. São 2.070.479 habitantes sem coleta de esgoto em toda a área.


VERDADEIRO

[Russomanno] Já chegou a dizer que as pessoas que moram mais longe tem que pagar mais transporte. – Marina Helou no debate da Band (1/10)

Nessa fala do debate da Band, a deputada estadual se referia a uma proposta que Russomanno fez nas eleições de 2012 de que a tarifa do ônibus de São Paulo deveria ser proporcional: quanto maior o trecho percorrido, maior o preço a ser pago pela passagem. Essa ideia, no entanto, foi descartada pelo então deputado nas eleições de 2016, quando apenas defendeu que a política de tarifas do transporte público deveria ser revisada.

10. Orlando Silva (PCdoB)

VERDADEIRO

“Aliás, eu fico feliz de saber que você tem uma atitude crítica com relação ao João Doria, que você [Márcio França] ajudou a eleger a prefeito aqui na cidade.” – Orlando Silva no debate da TV Cultura (12/11)

A declaração do candidato feita durante o debate da TV Cultura é VERDADEIRA, pois, durante as eleições para a Prefeitura de São Paulo em 2016, o então candidato João Doria (PSDB) recebeu o apoio do PSB, partido de Márcio França. Então vice do governador Geraldo Alckmin (PSDB), França comentou à época que Doria havia aceitado sugestões propostas pelo partido para acrescentar ao seu programa de governo.


IMPRECISO

Houve diminuição de passageiros e o aumento de subsídios. – Orlando Silva no debate da Band (1/10)

De fato, a Secretaria Municipal de Transportes aumentou o subsídio às empresas de ônibus, apesar de ter havido uma diminuição de passageiros, segundo dados do TCM (Tribunal de Contas do Município). Faltou, no entanto, contextualizar esse aumento em sua fala no debate da Band: a pandemia do novo coronavírus alterou a fórmula atual de remuneração e o sistema deixou de ser sustentado majoritariamente pela tarifa paga pelos usuários, passando a ser bancado, principalmente, pelos aportes da prefeitura.

Em junho, 53,6% da remuneração das concessionárias veio da prefeitura. Isso porque nos contratos do governo com as empresas de ônibus há uma cláusula que atribui à prefeitura a obrigação de cobrir "uma variação excepcional na demanda", conforme consta no parecer do conselheiro do TCM (Tribunal de Contas do Município) Edson Simões.

Em junho deste ano a remuneração média por passageiro subiu 75% na comparação com janeiro, passando de R$ 3,21 para R$ 5,61, de acordo com o TCM. Ao mesmo tempo houve queda de 52% no número de passageiros em junho, na comparação com janeiro, também segundo o tribunal. De acordo com parecer do conselheiro do Tribunal de Contas do Município Edson Simões, a dotação Compensações Tarifárias, ou o subsídio, poderá saltar neste ano de R$ 3,1 bilhões para R$ 4 bilhões.

Em nota a Prefeitura de São Paulo informou que a projeção é que o valor em 2020 destinado para as concessionárias de ônibus varie entre R$ 3,1 bilhões e R$ 3,2 bilhões.

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