As checagens do debate da TV Cultura com os candidatos à Prefeitura de São Paulo

Por Priscila Pacheco, Bernardo Barbosa, Amanda Ribeiro, Luiz Fernando Menezes e Ana Rita Cunha

12 de novembro de 2020, 20h00


Postulantes à Prefeitura de São Paulo participam nesta quinta-feira (12) de debate na TV Cultura, o último antes do primeiro turno das eleições municipais. A equipe do Aos Fatos checou, ao vivo, declarações feitas durante a transmissão.

Antes de iniciar os trabalhos de tempo real, a reportagem entrou em contato com as assessorias de imprensa dos candidatos para informá-las do processo de checagem. A equipe do Aos Fatos está aberta a observações, justificativas e eventuais correções nos momentos posteriores ao evento. Como se trata de um trabalho em tempo real, as checagens estarão sujeitas a eventuais revisões durante o debate e pelas horas que se seguirem.

Abaixo, acompanhe o que checamos. Clique no nome do candidato para acessar checagens correspondentes.

1. Andrea Matarazzo (PSD)
2. Arthur do Val (Patriota)
3. Bruno Covas (PSDB)
4. Celso Russomanno (Republicanos)
5. Guilherme Boulos (PSOL)
6. Jilmar Tatto (PT)
7. Joice Hasselmann (PSL)
8. Márcio França (PSB)
9. Marina Helou (Rede)
10. Orlando Silva (PCdoB)


1. Andrea Matarazzo (PSD)


FALSO

“Segundo o Mapa das Desigualdades, o que a gente vê é que em São Paulo você tem 10% dos empregos colocados na periferia e 90% dos empregos colocados no centro expandido.” – Andrea Matarazzo.

Ainda que o último Mapa das Desigualdades, publicado pela ONG Nossa São Paulo, mostre que os bairros centrais da capital têm maior oferta de emprego formal, o levantamento não indica a porcentagem citada pelo candidato. Não há nenhum dado semelhante no documento, na nota de publicação ou nas tabelas que compõem o estudo e, portanto, a declaração foi considerada FALSA.

Na verdade, a pesquisa apresenta a oferta de emprego em relação à população em idade ativa do bairro, não o número de vagas formais oferecidas. Em 2018, ano em que os dados foram levantados, a Sé, região central, tinha a maior taxa de oferta de emprego formal por dez habitantes em idade ativa: 113,8. Iguatemi e Anhanguera tinham a pior: 0,39.

2. Arthur do Val (Patriota)


FALSO

“Há poucos dias atrás, o senhor [Boulos] estava botando fogo em prédio da Paulista.” - Arthur do Val

A declaração é FALSA, porque o material que o candidato citou como prova do suposto ato de Boulos não sustenta a acusação.

Na réplica a Boulos, Arthur do Val disse que mostraria no seu canal do YouTube, em uma live paralela ao debate, “um vídeo do Guilherme Boulos na Paulista fazendo isso que eu falei agora”. O vídeo que foi exibido na live, por volta de 40 minutos de transmissão, é antigo: trata-se de uma gravação de uma invasão do prédio da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) em 13 de dezembro de 2016, durante protestos contra o governo Temer.

Boulos esteve no protesto, como mostra esta foto em seu Facebook, mas o vídeo do ato de vandalismo, citado por Do Val, quando manifestantes lançaram rojões na entrada e invadiram o edifício, não mostra a participação do candidato do PSOL. Notícias sobre o ataque ao prédio da Fiesp também não citam Boulos como participante dos atos de depredação, como estas do G1 e do UOL. No entanto, a reportagem do G1 publicou uma declaração em que o candidato diz que “o dano na fachada da Fiesp é muito pouco perto do dano que a Fiesp está causando há muito tempo ao povo do Brasil".


IMPRECISO

“Quero lembrar que o prefeito Bruno Férias, a primeira ação dele como prefeito foi sair de férias na Europa com seu amigo que empregou até a mãe na máquina pública.” - Arthur do Val.

De fato, o prefeito Bruno Covas realizou uma viagem à Europa, mas em março de 2019, cerca de 11 meses após assumir o cargo deixado por João Doria (PSDB). Sua ausência, inclusive, foi criticada porque se deu em um momento em que fortes chuvas atingiram a cidade, provocando enchentes e até mortes por afogamento.

Ao falar sobre um “amigo que empregou até a mãe na máquina pública”, Do Val se refere ao secretário-executivo da prefeitura, Gustavo Garcia Pires. Sua mãe, Elisabete Gonçalves Garcia Pires, realmente foi nomeada pelo prefeito em junho de 2018 para ocupar um cargo na SPTrans. Ela, no entanto, foi exonerada em abril de 2019 após recomendação do MP-SP (Ministério Público de São Paulo).

Por mais que não haja informações de que Gustavo teria acompanhado Covas em sua viagem à Europa em 2019, o prefeito autorizou o afastamento do então secretário durante o período das férias, entre 11 e 19 de março. Além disso, Pires acompanhou Covas durante outras viagens, como à Croácia e aos EUA.


VERDADEIRO

“Eu sou o único candidato de todos esses aqui que abriu mão do fundo eleitoral para fazer campanha.” - Arthur do Val

De fato, Arthur do Val é o único candidato presente no debate que não recebeu recursos do fundo eleitoral. Conforme pode ser verificado no site do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Do Val acumulou, até o momento, R$ 819 mil em receitas, tendo recebido a maioria de doação de pessoas físicas e financiamento coletivo. Todos os outros nove candidatos receberam recursos dos partidos.

3. Bruno Covas (PSDB)


FALSO

"[Fizemos] 8 novos hospitais." – Bruno Covas

A declaração é FALSA porque não foram entregues oito novos hospitais. Como a propaganda do próprio candidato veiculada em horário eleitoral na televisão mostra, os hospitais Brigadeiro e Santo Amaro ainda estão em obras. O hospital de Parelheiros foi inaugurado parcialmente em 2018, durante a gestão de João Doria (PSDB).

Os hospitais Sorocabana e Guarapiranga, fechados há dez e três anos respectivamente, foram reabertos pela prefeitura por causa da pandemia. Por fim, o hospital da Brasilândia, com obras iniciadas na gestão de Fernando Haddad (PT), foi inaugurado parcialmente em maio. Os hospitais Bela Vista e Capela do Socorro também foram inaugurados neste ano.

Esta não é a primeira vez que o prefeito infla os dados de hospitais inaugurados. Essa declaração foi checada pelo Aos Fatos em setembro, no começo da campanha eleitoral.


VERDADEIRO

"Das 85 mil vagas em creche [que fizemos]." – Bruno Covas

A declaração de Bruno Covas é VERDADEIRA. A gestão de João Doria, que deixou a prefeitura em abril de 2018, e de Bruno Covas criou 85.500 vagas em creches entre 2017 e 2020, segundo o relatório do programa de metas da Prefeitura de São Paulo divulgado nesta quinta-feira (12).

Já os relatórios divulgados pela Secretaria Municipal de Educação mostram um número menor de vagas criadas no mesmo período, de 73.300, mas a última atualização do dado é de setembro.


VERDADEIRO

"Dos 12 novos CEUs [que fizemos]." – Bruno Covas

De fato, a gestão construiu 12 CEUs (Centros Educacionais Unificados). A informação consta no relatório do programa de metas da Prefeitura de São Paulo divulgado na quinta-feira (12).


VERDADEIRO

“Meu vice [Ricardo Nunes] tem oito anos como serviço prestado como vereador na cidade de São Paulo e não responde a nenhum processo.” - Bruno Covas

A declaração é VERDADEIRA porque, de acordo com as certidões criminais entregues pelo próprio candidato a vice na chapa de Covas, Ricardo Nunes (MDB), à Justiça Eleitoral, o político não responde a processos judiciais no momento.

Segundo uma das certidões, Nunes já respondeu a dois processos na Justiça Estadual de São Paulo, mas ambos foram arquivados (aqui e aqui). Não foram encontrados outros processos contra Nunes na Justiça Estadual paulista, no STJ (Superior Tribunal de Justiça) ou no STF (Supremo Tribunal Federal).


VERDADEIRO

"A relação dívida/receita da prefeitura era de 97% quando começamos a gestão. Hoje ela é de 38%." - Bruno Covas

A declaração é VERDADEIRA, pois o nível de endividamento do município de São Paulo diminuiu para 38% no fim de agosto. Também é verdade que quando Fernando Haddad (PT) passou a gestão para João Doria e Covas o percentual estava em 97%.


4. Celso Russomanno (Republicanos)


FALSO

Em relação às minhas não presenças, eu estava no [Parlamento do] Mercosul. - Celso Russomanno

A declaração do candidato é FALSA. Desde o início de seu mais recente mandato como deputado federal, em 2019, Celso Russomanno registrou oito faltas no Plenário da Câmara dos Deputados e 59 em comissões. Diferentemente do informado pelo parlamentar, no entanto, apenas três ausências em Plenário e 21 em comissões foram justificadas, de acordo com o site da Câmara. A única dessas faltas registrada como missão autorizada ocorreu em 14 de março de 2019.


FALSO

"Eu sou bacharel de direito e nunca disse que era advogado." - Celso Russomanno

A declaração é FALSA porque, segundo uma publicação da Câmara dos Deputados, Russomanno disse que era advogado ao dar informações sobre sua biografia para uma publicação da Casa.

No começo de cada legislatura, a Câmara dos Deputados publica o “repertório biográfico” dos parlamentares. Na página 183 do documento sobre a legislatura 1995-1999, Celso Russomanno é apresentado como “repórter, apresentador de televisão e advogado”.

A mesma publicação informa, na página 7, que os dados biográficos “foram obtidos em entrevistas realizadas com os deputados, por funcionários da Casa”. O documento também diz que o parlamentar se formou em direito em Guarulhos (SP). De acordo com a atual biografia de Russomanno no site da Câmara, ele estudou na Faculdade de Direito de Guarulhos.

A autodeclaração como advogado na publicação da Câmara foi um dos motivos que levaram seções da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) a denunciarem Russomanno por suposto falso exercício da advocacia em 1998, noticiou o Consultor Jurídico. Na época, Russomanno desafiou a OAB a provar a acusação.


FALSO

"Comigo, a Prefeitura de São Paulo vai ter a volta do Leve Leite." - Celso Russomanno

A declaração é FALSA, porque, diferentemente do que sugere o candidato, o programa, criado em 1995, continua em vigor.

O Leve Leite distribui fórmula láctea para menores de um ano e leite em pó para crianças até 6 anos. O programa passou por uma reformulação em 2017 que reduziu o total de atendidos em 53%, retirando os alunos de 7 a 14 anos, para focar nas crianças mais pobres. Em 2018 e 2019, famílias denunciaram problemas no programa, conforme reportagens do jornal Agora e do G1.



5. Guilherme Boulos (PSOL)


FALSO

"A prefeitura atual prometeu 72 km de corredores de ônibus e fez apenas 3 km." - Guilherme Boulos

A declaração do candidato é FALSA. Por mais que, de fato, a proposta feita em 2017 pela gestão do atual governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e do prefeito Bruno Covas previsse a implantação de 72 km de corredores de ônibus, a meta foi diminuída significativamente em revisão do plano publicada por Covas em 2019. Ali, foi proposta a implantação de 9,4 km de faixas exclusivas, promessa que foi cumprida pela gestão, ao contrário do que afirma Boulos. Segundo o relatório de metas atualizado em 12 de novembro, foram implantados 14,88 km de corredores e faixas exclusivas de ônibus na capital.


IMPRECISO

“As empresas existem, estão registradas, isso já foi comprovado, a Justiça colocou isso.” - Guilherme Boulos.

Por mais que o juiz Emílio Migliano Neto tenha dito, em sua decisão liminar, que a acusação feita pelo youtuber Oswaldo Eustáquio “não encontra lastro nem sequer em indícios, (...), permitindo-se, sem temor, de ser adjetivado de sabidamente inverídico”, ele não menciona nem comprova em juízo a existência das empresas citadas. O juiz, portanto, aponta apenas que não existem indícios para as alegações, e por isso a declaração foi considerada IMPRECISA.

As instituições acusadas de serem fantasmas são a produtora Filmes de Vagabundo e a Kyrion, que de fato constam como fornecedores da campanha de Boulos. Conforme o Aos Fatos verificou, a Filmes de Vagabundo teve CNPJ emitido em 2012. A produtora aparece na lista da Ancine (Agência Nacional do Cinema) de 2018 por causa da produção do filme “El Mate”. A empresa também aparece no Diário Oficial da Prefeitura de São Paulo de 3 de outubro para prestar contas referentes à produção de “Jaraguá, território em disputa".

De acordo com Boulos, a produtora foi registrada em 2018 no endereço residencial da cineasta Amina Jorge, diretora de audiovisual da comunicação digital da campanha, mas em dezembro do mesmo ano ela se mudou e não atualizou o endereço jurídico. A Filmes de Vagabundo recebeu R$ 28.000 da campanha de Boulos para produção audiovisual.

Já a Kyrion Consultoria e Análise foi criada em maio de 2020. Segundo o candidato, em nota enviada ao Aos Fatos, a empresa presta serviços de planejamento e acompanhamento de pesquisas quantitativas e qualitativas, monitoramento e análise diária de redes sociais e gestão de comunidades digitais. Boulos ainda diz que o contrato com a empresa permite que a prestação de serviços seja feita remotamente pela equipe de 20 pessoas por causa da pandemia de Covid-19. Um dos sócios da Kyrion é Beto Vasques, que até março de 2020 morava e trabalhava na Espanha, diz Boulos.

Amina Jorge e Beto Vasques participaram de uma transmissão ao vivo publicada no canal oficial de Boulos na última quarta-feira (14). Jorge afirmou que sua empresa possui diversos curtas e longa-metragens e participou de mostras internacionais. Já Vasques explicou que os funcionários estão trabalhando em home office por conta da pandemia.


VERDADEIRO

“A Justiça determinou que ontem esse vídeo fosse retirado do ar justamente por ser mentira.” - Guilherme Boulos

Em resposta ao candidato Celso Russomanno sobre a suposta contratação de duas empresas fantasmas em sua campanha, Guilherme Boulos disse que o vídeo citado por Russomanno foi tirado do ar por ser mentira.

De fato, na decisão judicial que suspendeu a exibição do vídeo produzido por Oswaldo Eustáquio, apoiador do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e um dos investigados no inquérito das "fake news", que apura ataques ao STF (Supremo Tribunal Federal) e seus ministros por meio de desinformações, calúnias e ameaças, o juiz Emílio Migliano Neto diz que “o cenário delineado pela matéria produzida pelo representado [Oswaldo Eustáquio] não encontra lastro nem sequer em indícios, (...) permitindo-se, sem temor, de ser adjetivado de sabidamente inverídico”. Portanto, a declaração de Boulos foi classificada como VERDADEIRA.

O juiz do TRE-SP (Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo) justificou a decisão ao afirmar que a campanha de Boulos “demonstrou o perigo do dano, para o candidato representante, decorre da proximidade do pleito eleitoral, pois sua imagem irremediavelmente prejudicada em razão da não suspensão do vídeo veiculado”.

Ainda segundo o juiz, críticas políticas extrapolam a liberdade de expressão e passam “para o domínio da ilicitude quando inegavelmente violadoras da legislação atinente à propaganda eleitoral”. Migliano Neto ainda classifica a divulgação do vídeo na campanha de Celso Russomanno como “um estratagema altamente reprovável”.

A decisão tem caráter liminar, ou seja, temporário. O juiz determinou a citação de Eustáquio para que apresente sua defesa, caso queira.


6. Jilmar Tatto (PT)


FALSO

“Durante o governo Haddad, de cada 10 pessoas que foram tratadas, 9 deixaram de usar o crack.” - Jilmar Tatto

Pesquisa de 2016 da Plataforma Brasileira de Política de Droga com 80 participantes do Braços Abertos, implantado na região da Cracolândia da capital paulista, indicou que 67% dos entrevistados havia reduzido o uso de crack após ingressar no programa: quase 7 a cada 10 pessoas que foram tratadas. Como a razão do dado é diferente da que foi citada por Tatto, e os participantes não deixaram de usar a droga, a declaração é FALSA.


7. Joice Hasselmann (PSL)


IMPRECISO

"O senhor [Bruno Covas], com sete meses à frente da prefeitura, tirou férias." - Joice Hasselmann.

Bruno Covas de fato tirou 12 dias de férias e viajou para a Croácia em agosto de 2017, primeiro ano de seu mandato como vice-prefeito e secretário de Prefeituras Regionais. O prefeito, na época, era João Doria. O candidato à reeleição, inclusive, publicou um registro das férias em seu Instagram.


VERDADEIRO

“Também tem esquema com creche, onde o próprio vice do prefeito é investigado, ele diz que não, você pode ir no Google, pesquisar o nome dele.” – Joice Hasselmann

De fato, o Ministério Público de São Paulo investiga o vereador Ricardo Nunes (MDB), candidato a vice-prefeito de Bruno Covas, por suposto superfaturamento no aluguel de creches privadas que são conveniadas à Prefeitura de São Paulo. Portanto, a declaração foi classificada como VERDADEIRA.

As investigações foram iniciadas após uma denúncia anônima que apontou irregularidades na prestação de serviço de educação infantil. Conforme apuração da Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social de São Paulo, haveria um suposto favorecimento a Nunes e outros dois vereadores (Rodrigo Goulart, do PSD, e Senival Moura, do PT) por parte da Sociedade Beneficente Equilíbrio de Interlagos (Sobei). Essa entidade recebe R$ 329 mil da Prefeitura de São Paulo para pagamentos de aluguéis de creches.

Além disso, a Acria (Associação Amiga da Criança e do Adolescente), entidade gerida por uma apoiadora de Nunes, utilizou recursos recebidos dos cofres públicos municipais para pagar a Fênix Assessoria Contábil, instituição que sofreu busca e apreensão pela Polícia Civil em setembro por suspeitas de irregularidades e de integrar a chamada máfia das creches. A investigação ainda está em andamento e a quarta fase foi deflagrada em setembro deste ano.

Sobre a Acria, em reportagem do Estadão, a assessoria de Nunes afirmou que “a relação do vereador com a entidade se deve pelo trabalho social que tem com dezenas de entidades”.


8. Márcio França (PSB)


FALSO

"[A prefeitura] que durante muitos anos já não faz imóvel aqui na capital, deixando as pessoas ocupando todas as laterais de São Paulo, o que é um grande erro." - Márcio França

Diferentemente do que afirma França, a Prefeitura de São Paulo construiu 88,5 mil unidades habitacionais de 1993 até 2016, segundo informações da Sehab (Secretaria Municipal de Habitação da Prefeitura de São Paulo) enviadas ao Aos Fatos. Além disso, entre janeiro de 2019 e setembro de 2020, a prefeitura entregou 9.334 unidades. A declaração, portanto, é FALSA.

Outro lado. Em nota enviada ao Aos Fatos, a campanha afirma que o candidato usou como base dados da plataforma HabitaSampa, que reúne informações oficiais da Secretaria de Habitação de São Paulo. “De acordo com a tabela de empreendimentos entregues e famílias atendidas, entre janeiro de 2019 e maio de 2020, foram entregues 5.336 unidades habitacionais, um número muito menor do que o apontado pela agência de checagem. O candidato chama a atenção, na fala dele, para a baixíssima quantidade de unidades entregues pela atual administração”.


IMPRECISO

“Eu ouvi uma expressão do governador João Doria, que representa aqui o candidato Bruno Covas, que chamou os servidores aposentados de vagabundos.” - Márcio França

A declaração é IMPRECISA, porque a fala citada por França não foi genérica como o candidato alegou.

Em outubro do ano passado, o governador paulista, João Doria (PSDB), discutiu com manifestantes apoiadores do presidente Jair Bolsonaro em um evento em Taubaté (SP). Não se tratava de um protesto ligado a servidores públicos. Chamado de “Pinóquio”, Doria respondeu: “Vai pra casa, vagabundo! Vai comer sua mortadela com a sua mãe, seu sem vergonha (...) Vai pra casa, aposentado", noticiou a Folha de S.Paulo.

Doria acabou vindo a público pedir desculpas por suas falas, e disse ter sido alvo de “uma operação orquestrada por uma turma de baderneiros”, segundo reportagem do G1. “Acabei me excedendo e respondi à altura que aquele momento exigia”, afirmou o governador.

Outro lado. Em nota, a campanha do candidato afirma que “não especificar a data, o horário ou a ocasião em que um governador de Estado chamou servidores públicos presentes de ‘vagabundos’ não anula o fato, tampouco o torna ‘impreciso’. Exigir o detalhamento das circunstâncias em que um xingamento foi feito por Doria a servidores, mais de uma vez, em uma mesma ocasião, nos parece uma maneira inadequada de relativizar uma conduta inadmissível por parte de qualquer cidadão, sobretudo quando se trata de um homem público”.


9. Marina Helou (Rede)


VERDADEIRO

"Quase 40% do nosso esgoto não é tratado e cai direto nos rios." - Marina Helou

Segundo o Ranking do Saneamento 2020, publicado pelo Instituto Trata Brasil, o município de São Paulo trata 64,66% de seu esgoto. Cerca de 35%, portanto, é descartado sem tratamento, o que torna a declaração da candidata VERDADEIRA.


10. Orlando Silva (PCdoB)


VERDADEIRO

“Aliás, eu fico feliz de saber que você tem uma atitude crítica com relação ao João Doria, que você [Márcio França] ajudou a eleger a prefeito aqui na cidade.” - Orlando Silva

A declaração é VERDADEIRA, pois, durante as eleições para a Prefeitura de São Paulo em 2016, o então candidato João Doria (PSDB) recebeu o apoio do PSB, partido de Márcio França. Então vice do governador Geraldo Alckmin (PSDB), França comentou à época que Doria havia aceitado sugestões propostas pelo partido para acrescentar ao seu programa de governo.

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