Foto não mostra votos para Trump encontrados no lixo na Pensilvânia; registro é de 2018

Por Bernardo Barbosa

6 de novembro de 2020, 14h53

Não é verdade que uma foto compartilhada nas redes sociais mostre votos dados por militares para o presidente americano, Donald Trump, que foram “encontrados no lixo” na Pensilvânia (veja aqui). A imagem é da agência de notícias AP, de novembro de 2018, e mostra votos enviados por carta para as eleições legislativas daquele ano nos EUA. Nenhum deles havia sido jogado fora.

A peça de desinformação foi publicada na tarde de quinta-feira (5) e, até o começo da tarde desta sexta (6), reunia ao menos 1.600 compartilhamentos no Facebook. A publicação foi marcada com o selo FALSO na ferramenta de verificação da rede social (entenda como funciona).


FALSO

Mais cédulas de votos de militares, TODAS PARA Trump, encontradas no lixo na Pensilvânia.

É falsa a alegação de que uma foto mostraria cédulas “encontradas no lixo” na Pensilvânia, e que tais votos seriam de militares eleitores do presidente dos EUA e candidato à reeleição, Donald Trump. A foto é de dois anos atrás e mostra votos enviados pelo correio para as eleições de 2018 para o Congresso americano.

Para descobrir a data da foto e encontrá-la em seu contexto original, o Aos Fatos fez uma série de buscas na internet.

A primeira delas foi a chamada busca reversa de imagem, usando a busca de imagens do Google. Esta procura inicial permitiu encontrar a foto no site da emissora de TV WUFT, da Flórida, mas ainda sem informações sobre a data e a autoria da imagem. No entanto, o nome do arquivo (AP-election-2-310x165.jpeg) indicava a possibilidade de a imagem ter sido registrada pela agência de notícias AP.

Uma nova busca reversa no Google, agora associando a imagem ao termo “AP”, permitiu encontrar a imagem no site da agência de notícias e saber a data, o local e a autoria da foto.

A legenda da foto informa que a imagem mostra dois funcionários de uma zona eleitoral despejando votos depositados pelo correio na cidade de Renton, no estado americano de Washington, no dia 5 de novembro de 2018. O registro é da fotógrafa Elaine Thompson. O estado de Washington fica na Costa Oeste americana, a aproximadamente 3.400 quilômetros de distância da Pensilvânia, na Costa Leste.

A alegação falsa sobre a foto de dois anos atrás passou a circular no momento em que Trump perdia vantagem na apuração dos votos na Pensilvânia na disputa contra o candidato democrata, Joe Biden. Na manhã desta sexta (6), Biden ultrapassou Trump na contagem dos votos da Pensilvânia e ficou mais perto de vencer a eleição presidencial americana.

Peças de desinformação que falam da suposta existência de fraudes nas eleições americanas — fraudes que seriam desfavoráveis a Trump — têm circulado nas redes sociais e no WhatsApp no Brasil desde terça-feira (3), data do pleito.

Só nesta quinta, o Aos Fatos publicou três checagens de conteúdos falsos falando de supostas fraudes com cédulas em estados como Michigan e Arizona, onde, até a tarde de sexta (6), Biden tinha uma pequena vantagem sobre Trump (veja aqui, aqui e aqui).

No WhatsApp, grupos brasileiros compartilharam teorias da conspiração sobre eleição nos EUA ao menos 327 vezes entre 29 de outubro e 4 de novembro, mostra levantamento do Radar Aos Fatos.

Na noite de quinta-feira (5), após o avanço dos votos pró-Biden em estados cruciais para a disputa como Geórgia e Pensilvânia, Trump fez um pronunciamento repleto de alegações falsas sobre o sistema eleitoral dos EUA, engrossando uma narrativa já formada por uma lista de mais de 200 declarações neste sentido, segundo levantamento do jornal Washington Post.

Além de disseminar desinformação sobre o processo eleitoral, Trump tem tentado paralisar a contagem de cédulas e pedido a recontagem dos votos na medida em que os resultados da apuração o colocam atrás de Biden.

Referências:

1. AP

2. Busca de imagens do Google

3. WUFT

4. Google Maps

5. UOL

6. Aos Fatos (1, 2, 3, 4 e 5)

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