Como funciona e por que ainda usar o CrowdTangle

Por Ethel Rudnitzki

11 de dezembro de 2023, 15h51

Neste início de dezembro, Aos Fatos publicou uma reportagem com dados obtidos por uma ferramenta que não era usada pela equipe de reportagem há quase seis meses: o CrowdTangle — produto da Meta usado para coleta de conteúdos em redes.

O recurso nos ajudou a identificar publicações no Facebook e no Instagram que continham um vídeo postado e posteriormente deletado por Jair Bolsonaro (PL) que é exigido pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

Apesar de ter perdido espaço entre as ferramentas que usamos, em anos anteriores o CrowdTangle foi fundamental para o trabalho do Aos Fatos. Para citar alguns exemplos:

  • Durante a pandemia de Covid-19, a ferramenta foi usada para medir o alcance de publicações do empresário Luciano Hang que disseminavam desinformação sobre a doença e para encontrar mentiras espalhadas sobre senadores da CPI da Covid-19;
  • No contexto da guerra da Ucrânia, o CrowdTangle foi útil para mostrar como imagens enganosas sobre o conflito estavam viralizando no Facebook;
  • E nas eleições de 2022, o recurso foi usado para reportar um aumento de publicações que associavam falsamente o então candidato Lula e o PT ao crime organizado.
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Os motivos para o sumiço do CrowdTangle das pautas do Aos Fatos e de outras Redações incluem pela popularização de redes não incluídas na ferramenta, como TikTok e Kwai, que passaram a receber mais atenção das coberturas jornalísticas.

A principal razão, no entanto, são problemas estruturais do próprio recurso, que ficou sem atualizações entre outubro de 2021 e julho de 2023, quando parou de fornecer dados de Twitter e Reddit devido a mudanças no acesso às APIs dessas plataformas (assunto de newsletter anterior).


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Além disso, novas funcionalidades de plataformas da Meta, como os stories e os reels do Instagram, não foram incorporadas ao CrowdTangle.

Essa desatualização, somada a cortes na equipe de desenvolvimento e a interrupção na adesão de novos usuários, fez com que muitos passassem a considerar o CrowdTangle ultrapassado. No Aos Fatos, chegamos a enfrentar alguns bugs e lentidão em agosto deste ano, quando uma coleta simples demorou mais de 12 horas para ser processada.

Como demonstrado nas reportagens recentes publicadas pelo Aos Fatos, no entanto, o CrowdTangle ainda é uma ferramenta importante para realizar investigações online, ainda mais em um contexto de restrições de acesso a APIs de redes sociais. O recurso permite:

  • Obter informações de publicações no Facebook e no Instagram, como conteúdo, interações (curtidas, compartilhamentos e comentários), horário de publicação e taxa de performance (espécie de índice de viralização do post);
  • Criar listas de páginas, perfis ou grupos públicos para monitoramento;
  • Fazer pesquisas por publicações usando filtros por palavras-chave, tipo de publicação (texto, imagem ou vídeo), perfil ou página, período de tempo (sem limite para personalização), idioma, localização, entre outros parâmetros;
  • E ainda exportar todos esses dados em planilhas para análise.

Nenhuma outra ferramenta lançada até agora pela Meta — que tem prometido novas alternativas para acesso a seus dados — fornece um acesso tão detalhado a dados de Facebook e Instagram. Por isso, ainda vale insistir em usar o CrowdTangle.


🛠️ CAIXA DE FERRAMENTAS

Uma das limitações do CrowdTangle é a incapacidade de fornecer dados sobre anúncios no Facebook e no Instagram. Para isso, a Meta possui uma outra ferramenta, que é a Bibilioteca de Anúncios, onde é possível procurar por publicações patrocinadas nas plataformas com base em palavras-chave ou páginas.

A busca retorna resultados de anúncios ativos nas plataformas e informa o público estimado e variações de texto e mídia de cada campanha;

No caso de anúncios políticos, também é possível ver resultados de publicações que não estão mais ativas e saber um intervalo do valor investido em cada uma delas.

Essa é uma boa dica para quem quer follow the money nas redes sociais.

sobre o

Radar Aos Fatos faz o monitoramento do ecossistema de desinformação brasileiro e, aliado à ciência de dados e à metodologia de checagem do Aos Fatos, traz diagnósticos precisos sobre campanhas coordenadas e conteúdos enganosos nas redes.

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