Críticas à prisão de deputado Daniel Silveira dominam debate no Twitter e no Facebook

Por Bernardo Barbosa, Bruno Fávero, Débora Ely e João Barbosa

18 de fevereiro de 2021, 19h12

Impulsionadas por influenciadores e políticos bolsonaristas, críticas à prisão do deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ) dominaram o debate no Twitter e no Facebook sobre o assunto desde terça-feira (16), quando o parlamentar foi detido sob ordem do STF (Supremo Tribunal Federal).

Análise do Radar Aos Fatos feita entre terça e quarta-feira (17) mostra que, no Twitter, o grupo que criticou a prisão, composto principalmente por apoiadores do presidente Jair Bolsonaro, representou 72% do engajamento, quase três vezes mais do que o obtido pelos perfis que, em sua maioria, manifestaram apoio. Já no Facebook, posts que condenaram a detenção somaram 50% das interações, contra 17% dos que defenderam a ação e 31% das publicações classificadas como neutras.

Silveira foi preso por volta das 23h de terça-feira (16), horas depois de publicar um vídeo com ataques a ministros do Supremo. A prisão foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes e referendada no dia seguinte por unanimidade no plenário do STF.

No vídeo que motivou sua prisão, Silveira recorreu a alegações falsas, como mostra checagem publicada pelo Aos Fatos. O deputado é investigado nos inquéritos das fake news e dos atos antidemocráticos no STF e já apareceu em análises de desinformação sobre o Judiciário feitas pelo Radar Aos Fatos (aqui, aqui e aqui).

Domínio bolsonarista. A figura abaixo ilustra a discussão sobre a prisão de Silveira no Twitter. Cada ponto representa um perfil na rede, e cada linha entre eles, um retweet. Por meio de um algoritmo, os perfis foram separados em grupos de cores diferentes de acordo com o nível de interação entre eles. Ou seja, perfis que se retuitaram com frequência, tendem a ficar da mesma cor.

O grupo verde reúne os perfis de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro. Apesar de serem minoria nesse universo —48 mil perfis ou 43% do total—, eles dominaram a discussão: somaram mais de 419 mil retweets, ou 72% do total de 581.771. Noventa dos cem tweets mais populares desse grupo condenaram a decisão do STF e criticaram os ministros da corte, enquanto os demais adotaram um tom de neutralidade.

Já em laranja aparecem os perfis de veículos de imprensa e de oposição a Bolsonaro, que tiveram uma postura mais favorável à decisão do STF. Entre os 100 tweets mais populares analisados do grupo, 72 criticaram o deputado do PSL e 44 defenderam abertamente sua prisão.

No universo bolsonarista, a publicação mais popular foi da ex-jogadora de vôlei Ana Paula Henkel. Ela classificou Moraes de “tirano” e usou a hashtag #STFVergonhaNacional, uma das que ganhou difusão nas redes sociais, impulsionada por defensores de Silveira.

Também geraram engajamento relevante na plataforma os tweets do jornalista J. R. Guzzo e da página @lacombeopressor, criada em apoio ao apresentador Luís Ernesto Lacombe, da RedeTV!. Em comum, ambos disseram que o STF extrapolou suas competências constitucionais. Guzzo, por exemplo, mencionou que a corte “rompeu abertamente com o estado de direito”.

Foram argumentos semelhantes aos explorados por parlamentares bolsonaristas em contraponto à detenção do aliado. Carlos Jordy (PSL-RJ) disse que "discordar que a prisão [de Silveira] é ilegal é canalhice conveniente”. Além dessa mensagem, Jordy é o autor de outros três tweets que se destacaram entre os cem mais populares do núcleo bolsonarista. Em um deles, chamou o ministro do STF de “vagabundo”.

Já no grupo crítico a Silveira, o post com mais interações foi de Guilherme Boulos (PSOL), que chamou o deputado de "projeto de pitbull fascista" e disse que ele foi eleito "vomitando ódio e fakenews".

Os temas citados por Boulos também foram mencionados em outros tweets. Mais de um quarto dos posts do grupo (27%) trata Silveira como um político que representa risco à democracia, lembrando sua defesa do AI-5, ato por meio do qual a ditadura militar fechou o Congresso Nacional, e seu histórico de ataques ao STF. Cerca de um quinto dos tweets analisados (18%) cita o fato de que Silveira foi um dos políticos que quebraram uma placa em homenagem à vereadora carioca Marielle Franco (PSOL), assassinada em 2018.

Além de nomes da esquerda, também apareceram no grupo tweets de nomes identificados com a direita, como o governador paulista, João Doria (PSDB); do vice-presidente da Câmara, Marcelo Ramos (PL-AM); da deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP); e do deputado estadual paulista Arthur do Val (Patriota), do MBL (Movimento Brasil Livre).

Padrão. No Facebook, a dinâmica do debate foi similar. Dos 100 posts mais populares sobre o assunto na rede, 44 criticaram a prisão de Silveira. Esse grupo somou 1.760.166 interações, 50,9% do total analisado.

As duas publicações mais populares do grupo foram da deputada Carla Zambelli (PSL-SP), que, em ambas, questionou a legalidade da prisão em flagrante do colega.

Outros 22 posts (que somaram 597.889 interações ou 17% do total) se posicionaram a favor da prisão do deputado. O mais popular deles foi publicado pelo comediante Gustavo Mendes, que relacionou a prisão de Silveira à eliminação do participante Nego Di do Big Brother Brasil, que também ocorreu na terça-feira.

Referências:
1. Folha de S.Paulo (1)
2. Aos Fatos (2, 3, 4 e 5)

sobre o

Radar Aos Fatos faz o monitoramento do ecossistema de desinformação brasileiro e, aliado à ciência de dados e à metodologia de checagem do Aos Fatos, traz diagnósticos precisos sobre campanhas coordenadas e conteúdos enganosos nas redes.

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