É falso que coquetel com hidroxicloroquina, azitromicina e ivermectina cure a Covid-19

Por Priscila Pacheco

2 de março de 2021, 19h14

É enganoso afirmar que uma combinação de seis medicamentos seja eficaz na cura da Covid-19, como fazem postagens que circulam nas redes sociais (veja aqui). De acordo com as publicações, um “coquetel” formado por hidroxicloroquina, ivermectina, nitazoxanida, azitromicina, vitamina D e zinco seria eficaz no combate à doença. Porém, os estudos mais robustos publicados até o momento não encontraram benefícios no uso dessas substâncias em pacientes em diversos estágios da doença.

As postagens contavam com 11.969 compartilhamentos nesta terça-feira (2) e foram marcadas com o selo FALSO na ferramenta de verificação da plataforma (saiba como funciona).


Só não vê quem é burro e, quem vê e não pratica e recomenda, é porque de alguma forma está tirando proveito da crise. O mundo tem a cura para a gripe da China. Só não tem são médicos com coragem para confrontar os governantes autoritários e a mídia do medo.

Seguem circulando nas redes sociais postagens que defendem o uso de medicamentos sem eficácia comprovada contra a Covid-19 como se fossem capazes de curar alguém da infecção. Desta vez, o post sustenta, de maneira enganosa, que há benefícios no uso combinado de hidroxicloroquina, ivermectina, nitazoxanida, azitromicina, vitamina D e zinco. Não há.

Até o momento, nenhuma autoridade sanitária reconheceu nenhuma droga efetiva para curar a doença. A hidroxicloroquina, por exemplo, foi protagonista de diversos estudos que não encontraram eficácia. A seguir, mostramos o que já se sabe sobre cada um desses medicamentos, segundo estudos científicos sólidos divulgados.

Hidroxicloroquina. A OMS (Organização Mundial da Saúde) publicou nesta segunda-feira (1) uma metanálise, revisão de seis estudos clínicos que contaram com 6059 participantes, que concluíram que a hidroxicloroquina teve um efeito muito pequeno ou nenhum efeito na prevenção, internação hospitalar e mortalidade por Covid-19. Segundo a entidade, a hidroxicloroquina não deve continuar como uma prioridade de pesquisa e os recursos devem ser direcionados para avaliar outras substâncias mais promissoras.

Outra metanálise publicada no dia 12 de fevereiro pela Cochrane, entidade especializada em revisões sistemáticas de estudos, também apresentou conclusão similar. A organização avaliou 12 ensaios clínicos randomizados com 8.569 participantes realizados em diferentes regiões - incluindo um em que a droga era combinada com o antibiótico azitromicina.

Ivermectina. Um estudo realizado no primeiro semestre de 2020 havia apontado que o vermífugo havia inibido a replicação do Sars-CoV-2, vírus que causa a Covid-19, em células controladas em laboratório. No entanto, ainda são necessários estudos mais detalhados em humanos que comprovem ou descartem a eficácia da droga.

O NIH (National Institutes of Health ou Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos), ressalta que não há dados suficientes sobre a eficácia da ivermectina. Segundo Mellanie Fontes-Dutra, biomédica e pesquisadora da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), a indicação da ivermectina no momento vale somente para pesquisas, não para tratamento de pacientes com Covid-19.

Nitazoxanida. O vermífugo nitazoxanida, conhecido comercialmente como Annita, também não apresenta resultados efetivos contra a Covid-19. A Sociedade Brasileira de Infectologia não recomenda o uso do medicamento por causa da falta de pesquisas. Em outubro de 2020, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Informação havia divulgado que o medicamento era capaz de reduzir a carga viral do novo coronavírus, mas o estudo em preprint foi criticado por apresentar falhas, como a exclusão de voluntários que apresentaram eventos adversos.

Azitromicina. Em fevereiro, o projeto Recovery, maior ensaio clínico realizado no Reino Unido, publicou na revista científica The Lancet uma pesquisa avaliada por pares que indicou que a azitromicina não apresentou nenhum benefício para sanar a Covid-19. A substância, por ser um antibiótico, pode ser utilizada para tratar vítimas de Covid-19 que apresentem algum quadro de pneumonia bacteriana, conforme orienta a OMS e médicos consultados por Aos Fatos em checagens anteriores.

Vitamina D e Zinco. Segundo a OMS, micronutrientes como a vitamina D e o zinco são importantes para o bom funcionamento do sistema imunológico e para a nutrição adequada, mas não há orientação de que sejam consumidos especificamente para tratar Covid-19 nem evidências de que possam eliminar o vírus. Recomendação similar é feita pelo NHI por causa da falta de dados. A respeito da vitamina D, ainda existem estudos em curso para avaliar o potencial contra a Covid-19. Já um ensaio clínico randomizado publicado no dia 12 de fevereiro na revista científica Jama não encontrou benefícios do zinco contra o novo coronavírus.

Referências:

1. Aos Fatos
2. BMJ
3. Cochrane
4. Science Direct
5. NIH (Fontes 1 e 2)
6. Sociedade Brasileira de Infectologia
7. medRxiv
8. O Globo
9. The Lancet
10. OMS (Fontes 1 e 2)
11. Biomed Central
12. Jama


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