Bolsonaro não construiu secretamente indústrias de vacina e de tecnologia 5G

Por Marco Faustino

23 de abril de 2021, 14h51

Não é verdade que o governo Bolsonaro construiu sigilosamente uma fábrica de vacinas contra a Covid-19 e outra de produtos de tecnologia 5G, como alegam postagens nas redes sociais (veja aqui). A produção de imunizantes é feita pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e, apesar do aporte de recursos federais, foi amplamente divulgada. O mesmo acontece com a linha de produção inaugurada pela Ericsson no interior de São Paulo, que nem mesmo teve investimento público.

Publicações com o conteúdo enganoso somavam ao menos 2.226 compartilhamentos no Facebook até a tarde desta sexta-feira (23) e foram marcadas com o selo FALSO na ferramenta de verificação da rede social (veja como funciona).


Bolsonaro SURPREENDE o mundo mais uma vez. Primeiro foi a fábrica de vacinas construída em SIGILO ABSOLUTO. E agora com mais uma SURPRESA FANTÁSTICA, também em sigilo, surge uma fábrica da TECNOLOGIA 5G em solo brasileiro, frustrando e acabando com a polêmica de que o Brasil adotaria o 5G da HUAWEI CHINESA. Como não apoiar o Messias?

Postagens nas redes sociais enganam ao afirmar que o governo de Jair Bolsonaro teria construído em sigilo indústrias de vacinas contra a Covid-19 e de produtos para a tecnologia 5G, mas as iniciativas foram amplamente divulgadas e apenas uma delas recebeu recursos federais.

A nova fábrica de vacinas citada nas alegações é uma parceria com a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), no Rio de Janeiro, e só deve ficar pronta daqui quatro anos. Embora o governo federal tenha empenhado recursos públicos, as atividades foram amplamente divulgadas, conforme mostrou Aos Fatos em checagem publicada em março deste ano. Atualmente o imunizante de Oxford/AstraZeneca está sendo produzido na Biomanguinhos, unidade de produção de vacinas da Fiocruz inaugurada em 1976.

Já a linha de produção para a tecnologia 5G não surgiu “de maneira inesperada no país após ter sido mantida em sigilo pelo governo federal”, como alegam as peças de desinformação. A instalação inaugurada pela Ericsson em São José dos Campos (SP) em março deste ano é de fato a primeira a produzir essa tecnologia na América Latina, mas não contou com recursos públicos nem foi construída em sigilo.

A expansão das atividades já estava prevista em plano divulgado em novembro de 2019. Na época, o então presidente da Ericsson para a América Latina, Eduardo Ricotta, reuniu-se com Bolsonaro (confira aqui e aqui) antes de anunciar o aporte privado de R$ 1 bilhão nas instalações. As reuniões, contudo, são praxe entre empresários que preveem grandes investimentos no país.

O vídeo que acompanha as postagens foi produzido pelo Ministério das Comunicações e mostra o titular da pasta, Fábio Faria, participando da inauguração da fábrica em 19 de março deste ano.

Huawei. As publicações também enganam ao dizer que a iniciativa da Ericsson teria frustrado e acabado com a polêmica de que o Brasil adotaria o 5G da chinesa Huawei. Em fevereiro, a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) aprovou o edital do leilão de 5G, que ainda depende de uma avaliação por parte do TCU (Tribunal de Contas da União).

Em março, o ministro das Comunicações, Fábio Faria, disse que a Huawei não poderá fornecer equipamentos para a rede privativa de comunicação do governo, mas que os produtos da empresa poderão integrar as futuras redes 5G destinadas a empresas e consumidores no país. Portanto, a empresa não foi impedida de atuar no país.

Fábrica de vacinas. Na peça de desinformação que circulou no mês passado sobre o tema era mencionado que a Fiocruz contará com o PIVFI (Parque Industrial de Vacinas), o maior da América Latina. Porém, além de o nome correto ser CIBS (Complexo Industrial de Biotecnologia em Saúde), as primeiras menções sobre a unidade datam de 2019 - e a previsão atualizada é de que o parque industrial só fique pronto daqui a quatro anos.

Esta peça de desinformação também foi checada pelo Boatos.org, Estadão Verifica e Lupa.

Referências:

1. Aos Fatos
2. G1
3. Folha de SP
4. Money Times
5. Governo Federal
6. Estadão
7. Fiocruz (Fontes 1 e 2)


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