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É falso que Brasil produziu vacina contra Covid-19 em segredo com ajuda de Israel

Por Marco Faustino

24 de março de 2021, 13h10

Não é verdade que o governo Bolsonaro iniciou secretamente a produção de uma vacina contra a Covid-19 com a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e com supervisão de cientistas israelenses, como afirma corrente que circula nas redes sociais (veja aqui). O imunizante fabricado pela instituição é a vacina Oxford/AstraZeneca, cujo desenvolvimento é de conhecimento público desde que foi iniciado, em meados de 2020. Em nota enviada ao Aos Fatos, a fundação descartou envolvimento ou influência de Israel em suas atividades.

Postagens com o conteúdo enganoso reuniam ao menos 1.987 compartilhamentos no Facebook nesta quarta-feira (24) e foram marcadas com o selo FALSO na ferramenta de verificação da rede social (entenda como funciona). A peça de desinformação também circula no WhatsApp, mas, devido à natureza do aplicativo, não é possível estimar seu alcance.


500 mil mais 6 milhões por semana com um maquinaria e cinco cientistas todos vindos de Israel, 40 estagiários que ficaram 90 dias em Israel e mais 300 funcionários recrutados nas universidades

É falso que a produção da vacina de Oxford/AstraZeneca contra a Covid-19 pela Fiocruz foi mantida em segredo pelo governo federal ou que conta com a supervisão de cientistas, estagiários ou funcionários recrutados em universidades israelenses. Todo o processo envolvendo a produção do imunizante no Brasil é de conhecimento público desde junho de 2020. Em nota enviada ao Aos Fatos, a Fiocruz descartou a participação de Israel em quaisquer de suas atividades relacionadas à fabricação da vacina.

O anúncio de que a Fiocruz produziria no Brasil a vacina de Oxford foi feito em junho de 2020, quando foi divulgada a parceria da instituição com o Ministério da Saúde. Em julho do mesmo ano, os termos da parceria foram acertados e, em setembro, foi assinado um contrato de Encomenda Tecnológica garantindo à Bio-Manguinhos (unidade de produção de remédios e vacinas da Fiocruz) o acesso a 100,4 milhões de doses do IFA (Ingrediente Farmacêutico Ativo), para a produção nacional da vacina. O material é importado da China.

Tampouco foi mantida em segredo a expectativa de que a Fiocruz passasse a produzir o IFA a partir do segundo semestre de 2021. Isso já estava previsto no contrato assinado em setembro. Recentemente, a fundação antecipou essa previsão e informou que a fabricação deve começar a partir de maio.

O primeiro lote com cerca de 500 mil doses fabricadas pela fundação foi entregue no dia 17 de março. Nesse mesmo dia, Maurício Zuma, diretor da Bio-Manguinhos, disse que até o fim do mês a fundação deve entregar cerca de 6 milhões de doses por semana, até atingir o total de 100,4 milhões previstas no contrato com a AstraZeneca.

Ao Aos Fatos, a Bio-Manguinhos descartou (confira aqui e aqui) qualquer envolvimento, apoio ou influência de Israel na produção nacional do imunizante.

CIBS. O texto que vem sendo compartilhado nas redes também menciona que a Fiocruz contará com o PIVFI (Parque Industrial de Vacinas), o maior da América Latina. Mas, além de o nome correto ser CIBS (Complexo Industrial de Biotecnologia em Saúde), as primeiras menções sobre a unidade, que de fato deve ser o maior centro de processamento de produtos biotecnológicos da América Latina, datam de 2019 - e a previsão atualizada é de que o parque industrial só fique pronto daqui a quatro anos.

Registro definitivo. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) autorizou o uso emergencial da vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford e pelo laboratório britânico AstraZeneca em 17 de janeiro. Já em 29 de janeiro, a Fiocruz enviou à agência o pedido de registro definitivo da vacina, que foi concedido em 12 de março.

Esta peça de desinformação também foi checada pelo Boatos.org.

Referências:

1. G1 (Fontes 1, 2, 3 e 4)
2. Fiocruz (Fontes 1, 2, 3, 4, 5 e 6)
3. Agência Brasil (Fontes 1 e 2)
4. Folha de SP
5. Boatos.org


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