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Aumento nos preços de combustíveis não é plano do PT para boicotar Bolsonaro na Petrobras

Por Luiz Fernando Menezes

24 de fevereiro de 2021, 14h45

É falsa a alegação feita em posts nas redes sociais (veja aqui) de que recentes aumentos no custo dos combustíveis são parte de um plano de petistas e comunistas infiltrados na Petrobras para sabotar o presidente Jair Bolsonaro. A atual política de preços da empresa prevê reajustes seguindo a flutuação do valor do petróleo internacionalmente e é avalizada pelo conselho de administração, onde o governo tem a maioria dos assentos.

Além disso, a definição do preço pago pelos motoristas nos postos de gasolina não depende apenas da Petrobras, como sugere a peça desinformativa, mas também de refinarias, distribuidoras e impostos que são recolhidos.

O conteúdo enganoso reunia ao menos 5.500 compartilhamentos no Facebook nesta terça-feira (23) e foi marcado com o selo FALSO na ferramenta de verificação da rede social (saiba como funciona).


PESSOAL VOCÊS SABEM POR QUÊ O PRESIDENTE BOLSONARO TROCOU O PRESIDENTE DA PETROBRAS, POIS VOU TE FALAR: NA EMPRESA TEM UM NINHO DE PETISTAS E COMUNISTAS E O PLANO ERA AUMENTAR OS COMBUSTÍVEIS TODA A SEMANA PARA FAZER COM O QUE OS CAMINHONEIROS FIZESSEM GREVE E O POVO SE REVOLTASSE CONTRA O GOVERNO. O PLANO FOI DESCOBERTO E AGORA A IMPRENSA CAI DE PAU NO GOVERNO. ISSO É BRASIL E TEM QUE ACABAR, FIQUEM DE OLHO.

Entre as postagens que circulam nas redes em defesa da troca no comando da Petrobras ordenada por Bolsonaro, uma sustenta que a decisão teria sido motivada pela descoberta de um plano de petistas e comunistas infiltrados na empresa para reajustar o preço dos combustíveis e desgastar o governo com os caminhoneiros. Nada disso é real.

A política de preços da Petrobras, detentora de 98% da capacidade de refino do país, prevê que o valor de venda dos combustíveis acompanhe as flutuações do mercado internacional de petróleo. É por isso que o aumento do preço da commodity por eventos internacionais, como conflitos no Oriente Médio, afeta o preço no Brasil. As variações do dólar também impactam no valor final da gasolina e do diesel, porque 20% dos combustíveis consumidos no Brasil são importados.

A variação dos preços pela oscilação internacional do petróleo já aparecia entre as promessas de campanha do presidente Jair Bolsonaro em 2018, que previa que "os preços praticados pela Petrobras deverão seguir os mercados internacionais". Eleito, ele nomeou sete dos 11 integrantes do conselho de administração, incluindo o presidente, Roberto Castello Branco, que ele pretende agora substituir pelo general Joaquim Silva e Luna.

De acordo com o estatuto social da empresa, cabe ao conselho aprovar as diretrizes da política de preços. Os diretores, por sua vez, podem decidir o momento e o tamanho dos reajustes dos combustíveis.

Neste ano, a Petrobras aumentou em 34% o preço da gasolina vendida às distribuidoras e 27% o custo do diesel até a última atualização, em 18 de fevereiro. No mesmo período, o barril Brent de petróleo, usado como referência para calcular o reajuste de preços, subiu 27% e o dólar teve alta de cerca de 5% em relação ao real.

Até a publicação desta checagem, o preço da gasolina havia sido reajustado pela Petrobras quatro vezes em 2021 e o do diesel, três. Em 2020, foram 41 ajustes na gasolina e 32 no diesel. Em cerca de metade dessas ocasiões, houve redução no preço cobrado nas refinarias da estatal. Com as medidas de restrição para conter a pandemia e a queda no consumo, o valor dos combustíveis caiu até o meio do ano, mas voltou a subir com o relaxamento do isolamento social.

Apesar disso, a postagem checada também engana ao atribuir somente à Petrobras a definição do preço final do combustível, aquele que é pago pelos motoristas nas bombas dos postos. Além das margens de lucro das refinarias, distribuidoras e postos, há ainda a incidência de quatro tributos -- Cide, PIS, Cofins e ICMS.

Nesta terça-feira (23), Aos Fatos também o boato de que 300 funcionários ligados ao ex-ministro da Casa Civil do governo Lula, José Dirceu (PT), haviam sido demitidos da Petrobras após a indicação do general Luna à presidência da empresa.

Colaborou: Ana Rita Cunha

Referências:

1. TSE
2. Petrobras (1 e 2)
3. Global Petrol Prices
4. Banco Central do Brasil
5. G1
6. UOL
7. Folha de S.Paulo
8. Aos Fatos (1 e 2)

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