Site desinformador sai do ar após Justiça mandar apagar mentiras sobre vacinas e Aids

Por Luiz Fernando Menezes

19 de dezembro de 2023, 14h51

Alvo de uma decisão judicial para remoção de conteúdos enganosos que associam vacinas contra Covid-19 à Aids, o site Tribuna Nacional anunciou nesta terça-feira (19) no Telegram que vai interromper suas atividades. A liminar expedida pela Justiça Federal do Rio de Janeiro a pedido da AGU (Advocacia-Geral da União) ordenou a exclusão dos links com a desinformação – como a alegação de que o Canadá admitiu que vacinados contraíram a doença, desmentida pelo Aos Fatos em outubro.

A decisão do juiz federal Paulo André Bonfadini foi publicada na sexta-feira (15) e proíbe ainda a publicação de novo conteúdo com a desinformação no site ou no canal do Telegram, sob pena de multa diária de R$ 10 mil. A ação da AGU é fundamentada em levantamento da Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República) que identificou que o Tribuna Nacional foi responsável por viralizar a expressão “VAIDS” — usada por negacionistas ao dizer que as vacinas causam Aids.

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“Diferentemente das informações respaldadas por evidências científicas sólidas e estudos rigorosos, a associação entre a vacina contra a Covid-19 e a Aids ocorre sem qualquer suporte científico confiável, aumentando significativamente os riscos para a saúde pública”, diz um trecho da decisão liminar.

Embora o escopo da decisão fique restrito à falsa associação entre vacinas e Aids, o Tribuna Nacional disse no seu grupo no Telegram que vai interromper suas atividades “por motivo de força maior e questões internas e também considerando o atual cenário do país”. O comunicado do site pede ainda orações para que “a tempestade passe e dias melhores cheguem a todos nós”. Aos Fatos verificou que o site está fora do ar desde a manhã desta terça-feira.

Mensagem publicada no canal Jornal Tribuna Nacional, no Telegram, avisa os leitores que o site suspenderá as atividades por tempo indeterminado
Aviso aos leitores. Canal oficial do “Tribuna Nacional” avisou usuários que iria suspender atividades na manhã desta terça-feira (19) (Reprodução/Telegram)

Após a publicação do comunicado, o canal do Telegram não recebeu novas mensagens. Um outro canal mantido pelo site, o Chat do Jornal Tribuna Nacional, permanece ativo, mas sem novas publicações dos administradores. Perfis no Facebook e no Instagram estão inativos há mais tempo: no primeiro, desde 2021; no segundo, a última postagem é de agosto deste ano e traz justamente a associação enganosa alvo da decisão judicial.

Post no Instagram do Tribuna Nacional feito em agosto de 2023 mentia ao dizer que estudo alertava que vacina contra a Covid-19 causava Aids nas crianças
Vacinação infantil. Última publicação alegava que estudo teria alertado que crianças vacinadas estariam sendo diagnosticadas com Aids, o que não tem lastro na realidade (Reprodução/Instagram)

Até decidir sair do ar, o site Tribuna Nacional não espalhou somente desinformação que relacionava os imunizantes para Covid-19 com a Aids. Aos Fatos desmente alegações enganosas divulgadas pelo portal desde 2021.

  • A mais recente, de agosto, dizia que o Papa Francisco sugeriu o sacrifício de alcóolatras, autistas e pessoas com deficiência como forma de conter as mudanças climáticas, o que nunca ocorreu;
  • Também em agosto, um texto do Tribuna Nacional viralizou com a afirmação enganosa de que o “chefe da ONU” disse que expulsaria cristãos que não aceitassem a ideologia de esquerda. A publicação distorcia documento que defendia que a liberdade religiosa deve coexistir com o respeito a LGBTQIA+;
  • Em maio, o site também foi flagrado ao mentir que um estudo concluiu que os respiradores mataram a maioria dos pacientes de Covid-19. Especialistas apontaram que a interpretação era equivocada por desconsiderar que, em primeiro lugar, os doentes graves não sobreviveriam sem o equipamento;
  • E, em 2021, o Tribuna Nacional reproduziu um vídeo que dizia que a Suíça registrou aumento de mortes por Covid-19 após suspender a cloroquina, o que foi desmentido pelo próprio Escritório Federal de Saúde Pública da Suíça.

Outro lado. Aos Fatos procurou os responsáveis pelo Tribuna Nacional por email na manhã desta terça-feira (19), mas não houve resposta até a publicação desta reportagem.

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