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Trump não aprovou projeto de lei que obriga a implantação de chips nas pessoas

Por Luiz Fernando Menezes

8 de dezembro de 2020, 09h25

É falsa a informação de que o presidente americano Donald Trump tenha aprovado um projeto de lei que obriga a população a implantar um chip sob sua pele para que tenha acesso a serviços de saúde nos EUA. Não existe nenhum texto semelhante aprovado e, na verdade, alguns estados americanos proíbem a microchipagem compulsória.

No Facebook, a peça de desinformação (veja aqui) reunia ao menos 15 mil compartilhamentos até a tarde desta segunda-feira (7) e foi marcada como FALSA na ferramenta de verificação da rede social (saiba como funciona).


FALSO

Circula nas redes sociais a informação de que o presidente Donald Trump teria aprovado no Senado um projeto de lei que exige que um chip de RFID (Identificação por Radiofrequência) seja implantado em todos os americanos. Segundo as publicações, a tecnologia seria inserida “na testa ou nas costas da mão” para ajudar a identificação da população e permitir o acesso a tratamentos de saúde. Mas nada disso é verdade: não há, no site do Senado americano, nenhum texto semelhante aprovado.

Na verdade, a legislação de diversos estados americanos impedem a microchipagem compulsória. O primeiro foi Wisconsin, em 2006, que depois foi seguido por outros dez estados, segundo levantamento da Bloomberg. A lei, no entanto, é preventiva: não há informações de que os empregadores estejam obrigando seus funcionários a implantarem chips.

Alguns países, como Suécia, Alemanha, Austrália e Nova Zelândia, adotaram tecnologia semelhante para realizar pagamentos ou até servir como chave para abrir portas. Mas não há relatos de que esses chips tenham sido colocados em seus corpos sem o seu consentimento.

Nos EUA, publicações semelhantes têm sido disseminadas por causa da pandemia. Segundo checagem do USA Today, por exemplo, os chips já apareceram em peças que diziam que a microchipagem estaria ligada ao governo e até ao empresário Bill Gates, dono da Microsoft.

A peça que vem viralizando no Brasil foi publicada em 2019, mas voltou a ser compartilhada em meio à discussão da obrigatoriedade da vacinação contra a Covid-19. Nessa narrativa de monitoramento da população, o Aos Fatos já desmentiu, por exemplo, que as vacinas em produção injetariam um microchip nas pessoas e que uma tinta chamada “Luciferase” iria marcar os indíviduos que foram imunizados.

Foto. As publicações são acompanhadas de uma imagem de uma mão com uma incisão e o que parece ser um disco de luzes vermelhas implantado sob a pele. A foto é real, mas não tem nenhuma relação com um projeto de monitoramento ou identificação. Na verdade, trata-se de um implante de silicone com luzes LED criado pela Grindhouse Wetware, startup de biotecnologia baseada na Pensilvânia, EUA.

Conforme explicado na reportagem do Motherboard sobre o assunto, publicada em 2015, o implante tem apenas função estética e pode ser ativado manualmente para que as cinco luzes vermelhas sejam acendidas. A bateria do implante tem previsão para durar até 10.000 ativações. Depois disso, o disco deve ser retirado cirurgicamente, uma vez que não é possível recarregá-lo.

Referências:

1. Senado dos EUA
2. RFID
3. Bloomberg Law
4. BBC Brasil
5. USA Today
6. Aos Fatos (Fontes 1 e 2)
7. Gizmodo

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