Não há evidências científicas de que a ivermectina seja eficaz contra a dengue

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É falso que haja evidências científicas de que a ivermectina seja eficaz contra a dengue. O Ministério da Saúde e especialistas consultados pelo Aos Fatos afirmam que o medicamento não tem qualquer benefício contra a doença. As peças de desinformação que defendem o uso da ivermectina compartilham um estudo segundo o qual o remédio ajuda a reduzir os níveis de uma proteína essencial para a replicação do vírus da dengue. O mesmo estudo afirma, porém, que a substância foi incapaz de reduzir a carga viral em células humanas e não analisou sua utilização em pacientes infectados.

Publicações com o conteúdo enganoso acumulavam 1.200 curtidas no Instagram e centenas de compartilhamentos no Facebook até a tarde desta sexta-feira. As peças enganosas circulam também no WhatsApp, plataforma na qual não é possível estimar o alcance dos conteúdos (fale com a Fátima).

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Selo falso

Quando o governo Comunista e seus capachos dizem que é ruim, NA VERDADE É BOM! Ivermectina para dengue também!

Diferentemente do que tem sido afirmado por posts nas redes, não há evidências de que o antiparasitário ivermectina seja eficaz no tratamento da dengue. Em nota, o Ministério da Saúde informou que o medicamento é ineficaz contra a doença e que não há nenhum dado ou fonte que comprove tal afirmação, o que foi corroborado por especialistas ouvidos pelo Aos Fatos.

“A ivermectina não tem nenhuma ação para prevenção, tratamento ou recuperação da dengue. E a ivermectina pode incorrer em riscos graves, inclusive com risco de vida para as pessoas que fazem uso de uma dose maior ou uso prolongado do medicamento. Nós não temos, ainda, nenhuma medicação específica que atue no vírus da dengue”, afirma a infectologista e professora da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) Raquel Silveira Bello Stucchi.

Para rebater a nota publicada pelo Ministério da Saúde e defender o uso do medicamento contra a doença, as peças checadas difundem um estudo publicado na revista da Sociedade Americana de Microbiologia em setembro de 2023. Segundo os pesquisadores envolvidos no estudo, a ivermectina ajudou a reduzir os níveis de NS1 — uma proteína presente em altas concentrações em infectados e essencial para a replicação do vírus da dengue.

Níveis elevados de NS1 têm sido apontados como fator de risco para o desenvolvimento da febre hemorrágica da dengue — a forma mais grave da doença. Porém, são necessários mais estudos para compreender a farmacodinâmica da ivermectina e comprovar essa correlação.

O estudo citado pelas peças checadas, no entanto, não diz que a ivermectina tem eficácia no tratamento da doença. Na realidade, o estudo apontou que o fármaco não reduziu a carga viral em células humanas nem impediu que o vírus se replicasse nas células já infectadas.

“Trata-se de um trabalho in vitro (a partir da cultura de células em laboratório). São estudos iniciais que precisam ser escalonados para animais e humanos, o que pode afetar a eficácia e a ação da ivermectina”, diz a bióloga Maria Helena Menezes Estevam Alves, pesquisadora do Laboratório de Imunopatologia Keizo Asami da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco).

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Outros estudos in vitro apontaram que a ivermectina foi capaz de inibir a replicação do vírus da dengue. Estudos laboratoriais, no entanto, não levam em consideração as particularidades que podem ocorrer dentro corpo humano e, portanto, não são conclusivos.

“O uso indiscriminado de medicamentos pode gerar lesões hepáticas e renais como é o caso da ivermectina. Os sintomas mais leves da intoxicação pelo antiparasitário são vômitos, diarreia e dores de cabeça. Em um indivíduo já acometido pela dengue o efeito seria potencializado”, afirma Maria Helena.

Um estudo anterior feito por pesquisadores tailandeses já tinha demonstrado que não houve eficácia clínica da ivermectina contra a dengue, como redução de sintomas ou número de hospitalizações, em pacientes que fizeram uso do medicamento.

Covid-19. A ivermectina tampouco possui eficácia comprovada para prevenir ou tratar pessoas contaminadas com Covid-19. Metanálises (análises de resultados de pesquisas) publicadas em 2022 e 2023 não encontraram evidências que apoiassem o uso do antiparasitário no tratamento da doença.

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