É falso que presidente do Chile declarou guerra a socialistas e comunistas

Por Marco Faustino

7 de julho de 2021, 13h16

Não é verdade que o presidente do Chile, Sebastián Piñera, tenha declarado guerra a socialistas e comunistas, como afirmam publicações nas redes (veja aqui). A alegação distorce um pronunciamento de outubro de 2019, durante uma onda de protestos no país, em que o mandatário disse que enfrentava “um inimigo poderoso e implacável”, em referência aos manifestantes, mas não mencionou militantes dos partidos de esquerda.

Posts com o conteúdo enganoso reuniam ao menos 6.000 compartilhamentos no Facebook até a tarde desta quarta-feira (7) e foram marcados com o selo FALSO na ferramenta de verificação da plataforma ‌(‌saiba‌ ‌como‌ ‌funciona‌).


Chile deu o exemplo. Agora é nossa vez. A corda arrebentou. Forças Armadas do Chile ficam ao lado do presidente. Sebastián Piñera comunica: Estamos em guerra contra os socialistas comunistas

Posts nas redes retiram de contexto um pronunciamento do presidente do Chile, Sebastián Piñera, de 20 de outubro de 2019, em que ele afirma estar "em guerra contra um inimigo poderoso e implacável” como se o discurso fosse contra a presença de socialistas e comunistas no país. Piñera não faz referência aos militantes dos dois partidos de esquerda em seu pronunciamento. Na verdade, a fala do presidente era direcionada aos grupos que protestavam nas ruas do país à época.

O presidente, que se elegeu em uma aliança de partidos conservadores, negou na ocasião que seu discurso fosse um ataque direto a algum adversário político. “Esse não é um problema de esquerda, de direita, de ideologia. Esse é um problema muito simples: entre os que querem liberdade, democracia, e uma vida em paz, e os que querem destruir nosso país. Vamos ganhar essa batalha”, disse o presidente chileno.

As publicações também difundem uma imagem em que o mandatário aparece cercado por militares, no mesmo local e data do pronunciamento, estampada com os dizeres “Militares em ação no Chile. Forças Armadas do Chile ficam ao lado do presidente”.

Na verdade, Piñera estava ao lado de militares por ter feito o pronunciamento na Guarnição de Santiago, unidade de onde o governo monitorava os protestos. A foto foi publicada na conta verificada da Presidência do Chile no Twitter.

Manifestações. Os protestos de 2019 começaram depois de um aumento equivalente a R$ 0,20 na tarifa do metrô de Santiago em setembro. A medida foi suspensa, mas as reivindicações escalaram para mudanças nos sistemas de aposentadoria e na Constituição. Para tentar conter a onda de violência, Piñera propôs um plebiscito sobre a Carta Magna do país, no qual venceu a proposta de instalação de uma nova Assembleia Constituinte. A eleição aconteceu em maio deste ano, e a líder mapuche Elisa Loncón presidirá a assembleia.

Esta peça de desinformação também foi checada pela Lupa.

Referências:

1. YouTube
2. G1 (Fontes 1, 2, 3, 4)
3. Cooperativa.cl
4. Twitter
5. Folha de SP

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