É falso que 7,2 milhões de votos foram anulados pelas urnas na eleição de 2018

Por Débora Ely

28 de setembro de 2020, 13h16


Não é verdade que 7,2 milhões de votos foram anulados pelas urnas eletrônicas no primeiro turno da eleição presidencial de 2018. Na realidade, foram os próprios eleitores que anularam seus votos, que foram posteriormente computados pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) ⏤ isso ocorre quando a pessoa digita, na urna eletrônica, um número de um candidato que não existe ("00", por exemplo) e, depois, aperta a tecla “confirma”.

A desinformação, que viralizou em 2018, circula novamente nas redes sociais (veja aqui). No Facebook, posts semelhantes reuniam ao menos 1.250 compartilhamentos até a tarde desta quarta-feira (23). Todos foram marcados com o selo FALSO na ferramenta de verificação da rede social (entenda como funciona).


FALSO

TSE informa: 7,2 milhões de votos anulados pelas urnas! A diferença de votos que levaria à vitória de Bolsonaro no primeiro turno foi de menos de 2 milhões. O TSE tem obrigação de esclarecer os motivos que levaram à anulação de mais de 7,2 milhões de votos que representam 6,2% do total. A anulação só pode acontecer em voto de papel, porque permite rasuras ou ambiguidade.

Circula novamente nas redes sociais uma peça de desinformação de que 7,2 milhões de votos foram anulados pelas urnas eletrônicas no primeiro turno da eleição presidencial de 2018. Ainda naquele ano, a suposta denúncia foi desmentida pelo Comprova, uma coalizão de veículos de imprensa brasileiros para o combate à desinformação.

De fato, foram 7,2 milhões de votos nulos naquela eleição, o que representa 6,2% do total registrado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral). No entanto, nenhum deles foi anulado pelas urnas eletrônicas, mas sim pelos próprios eleitores: o voto nulo sempre esteve previsto no sistema de votação eletrônica.

Também é falso que, para vencer no primeiro turno, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) precisaria de apenas mais 2 milhões de votos. Na realidade, seriam necessários ao então candidato pouco mais de 4,2 milhões de eleitores. Para vencer no primeiro turno, segundo a legislação eleitoral, um candidato tem de obter 50% mais um dos votos válidos ⏤ neste caso, 53,5 milhões de votos. Bolsonaro teve 49,2 milhões dos votos no primeiro turno de 2018.

Além disso, ainda é falso, ao contrário do que afirma a corrente, que a anulação só pode acontecer por meio do voto de papel, porque permitiria "rasuras" ou "ambiguidade". É possível, sim, anular votos na urna eletrônica. O voto é anulado quando o eleitor digita um número de um candidato inexistente e, depois, aperta a tecla "confirma" para registrar sua escolha.

Referências:

1. Aos Fatos
2. TSE (Fontes 1 e 2)

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