Banco do Vaticano não é acionista da empresa de armas Beretta

Por Priscila Pacheco

15 de outubro de 2021, 13h18

Não é verdade que o IOR (Instituto para Obras da Religião), conhecido como Banco do Vaticano, seja o principal acionista da fabricante italiana de armas Beretta, como afirmam postagens nas redes sociais (veja aqui). Os sócios majoritários são da mesma família que controla a empresa ao menos desde 1526.

Esta postagem reúne 26.700 compartilhamentos no Facebook nesta sexta-feira (15).


Circula nas redes a alegação enganosa de que o IOR (Instituto para Obras da Religião), o Banco do Vaticano, seria o principal acionista da fábrica de armas Pietro Beretta. A empresa pertence ao grupo italiano Beretta Holding, e não há quaisquer indícios de que tenha sócios majoritários fora da família que controla o negócio desde o século XVI.

Ao Aos Fatos, a empresa desmentiu a alegação e disse que seus principais acionistas são Ugo Gussalli Beretta e seus filhos Pietro e Franco. Os negócios na produção de armas na família são documentados desde 1526. Atualmente, o grupo Beretta Holding tem participação direta ou indireta em 32 empresas, incluindo a fábrica de armas. Ugo Gussalli deixou a presidência do grupo em 2015, mas segue como diretor. O presidente atual é seu filho, Pietro Gussalli Beretta.

O relatório anual de balanço do Banco do Vaticano também não indica relação entre as instituições nem cita a Beretta em movimentações financeiras. No tópico sobre gestão de ativos também não estão listados quaisquer investimentos do banco na indústria armamentista. Uma das participações financeiras é em uma sociedade imobiliária.

Aos Fatos também não encontrou outros registros que atestem ou sugiram vínculos entre as organizações. Em 2009, foi noticiado na mídia europeia que um banco católico havia investido em armamento, mas o caso era referente à instituição financeira alemã Pax Bank, e a britânica BAE Systems.

Esta informação falsa circula na internet ao menos desde 2012, em diversos idiomas. Na época em que surgiu, a filial da Beretta nos EUA respondeu no Twitter que a alegação era falsa (veja aqui e aqui).

A peça de desinformação também foi desmentida por Contando Estrelas, ACI Imprensa, Bufale e La Republica.

Referências:

1. Beretta (Fontes 1, 2, 3 e 4)
2. Forbes
3. Site Pietro Gussalli Beretta (Fontes 1 e 2)
4. IOR
5. Der Spiegel
6. Deutsche Welle
7. BBC
8. Twitter @Beretta_USA (Fontes 1 e 2)


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