Voluntária que relatou febre e mal-estar não participou de testes da CoronaVac

Por Luiz Fernando Menezes

27 de julho de 2020, 13h52


Trecho do relato de uma voluntária que passou mal após tomar a vacina que tem sido desenvolvida pela Universidade de Oxford circula nas redes sociais como fosse relacionado à CoronaVac, que está em fase de testes pela farmacêutica Sinovac Biotech em São Paulo (veja aqui). A declaração consta em reportagem da revista Marie Claire, e pesquisadores indicam que os sintomas reportados por ela, como febre e dor no corpo, seriam possíveis efeitos colaterais da imunização.

No Facebook, a associação enganosa do caso à vacina produzida pela empresa chinesa consta em publicações com ao menos 14 mil compartilhamentos nesta segunda-feira (27). As postagens foram marcadas com o selo FALSO na ferramenta de verificação da rede social (entenda como funciona).


FALSO

A COBAIA DO DÓRIA QUE TOMOU A VACINA. ‘Comecei a me sentir indisposta, enorme moleza no corpo, muito sono, cansaço e febre de 38 graus, meu corpo inteiro começou a doer; e os olhos a lacrimejar, a dor no braço é absurda, mal posso levantá-lo’.

Não é verdade que uma voluntária da CoronaVac, vacina contra o novo coronavírus desenvolvida pela Sinovac Biotech e que passa por testes em São Paulo, relatou sintomas como febre e dor no corpo após receber a imunização. Publicações nas redes sociais que fazem tal alegação reproduzem trecho do relato à Marie Claire de uma mulher que participou dos testes da vacina desenvolvida pela universidade britânica de Oxford.

No depoimento, Jackeline Desiderrio afirma ter sentido indisposição, moleza, sono, cansaço, febre e dores no corpo um dia após a vacinação. Esses sintomas são indicados como possíveis efeitos colaterais da imunização, segundo os pesquisadores responsáveis pelo desenvolvimento da vacina de Oxford, em estudo publicado na Lancet no dia 20 de julho.

Porém, não há como ter certeza de que a vacina foi de fato responsável pelos sintomas relatados por Desiderrio, pois, nos testes efetuados no Brasil, os voluntários foram divididos aleatoriamente em dois grupos: um recebeu a imunização e outro, um placebo.

Antes de ser administrada em voluntários brasileiros na semana passada, a vacina de Oxford passou por outras fases de testes clínicos que atestaram sua segurança. A fase atual foi aprovada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) no dia 3 de junho, que entendeu que “os resultados demonstraram que o seu perfil de segurança foi aceitável”.

CoronaVac. A CoronaVac, vacina produzida pela empresa chinesa Sinovac Biotech, também já passou por duas fases clínicas para garantir sua segurança. Segundo comunicado da empresa divulgado após os dois primeiros testes, não foram observados efeitos colaterais graves em nenhum dos voluntários. Da mesma forma que a vacina de Oxford, sua aplicação no Brasil foi aprovada pela Anvisa após a agência atestar que o medicamento “apresenta segurança aceitável”.

A vacina da farmacêutica chinesa tem sido alvo de desinformação nas redes sociais desde o anúncio dos testes no Brasil, em meados de junho. Na semana passada, Aos Fatos desmentiu duas peças sobre o assunto: uma que afirmava que a vacinação era uma armação de João Doria (PSDB) e outra que dizia que a OMS (Organização Mundial da Saúde) teria determinado a suspensão da produção de uma vacina americana para dar aval ao desenvolvimento da CoronaVac.

Referências:

1. Revista Marie Claire
2. The Lancet
3. Revista Galileu
4. UOL
5. Anvisa (Fontes 1 e 2)
6. Sinovac
7. Governo de São Paulo
8. Aos Fatos (Fontes 1 e 2)


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