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Vídeo engana ao dizer que Datafolha não entrevistou eleitor de Bolsonaro

Por Alexandre Aragão

27 de outubro de 2018, 18h10

Um vídeo publicado em um perfil pessoal no Facebook afirma, de maneira falsa, que um pesquisador do instituto Datafolha se recusou a entrevistar um eleitor que se ofereceu para ser entrevistado porque ele declarava voto em Jair Bolsonaro (PSL). Na verdade, por um princípio estatístico, pesquisadores não podem abordar eleitores que se oferecem.

Procurado por Aos Fatos, o instituto afirmou: “Não fica claro no vídeo se é um pesquisador do Datafolha, precisaria de mais informações (sobre local, data etc.) para verificar isso, mas de qualquer forma é possível dizer que o pesquisador está agindo de forma correta.” Um eleitor não poderia se oferecer para ser entrevistado, explica o Datafolha, pois “a premissa de qualquer pesquisa baseada na ciência estatística é que o entrevistado precisa ser ‘sorteado’”.

Compartilhado mais de 26 mil vezes, o vídeo teve 188 mil visualizações. Denunciado por usuários do Facebook, o conteúdo foi marcado por Aos Fatos com o selo FALSO na ferramenta de checagem da rede social (entenda como funciona).

Confira abaixo, em detalhes, o que checamos.


FALSO

Datafolha não quis me entrevistar porque sou Bolsonaro

No vídeo publicado no Facebook, um usuário que se apresenta como Danilo Amorim e afirma estar no bairro de Icaraí, em Niterói (RJ), aparece ao lado de um senhor que está com um tablet e um crachá semelhante ao usado por pesquisadores do Datafolha.

No vídeo, o usuário do Facebook diz: “Tô aqui com o amigo do Datafolha. Eu quero fazer pesquisa e não posso, porque eu sou eleitor do Bolsonaro. Aí vem me dizer que o Bolsonaro tá caindo e que o PT tá subindo. Esse é o Datafolha que a gente conhece, aí. Eu quero me entrevistar e o cidadão não quer. Por quê? Porque eu não sou petista?”

Procurado por Aos Fatos, o instituto afirmou que “o procedimento para qualquer pesquisa de opinião é o mesmo: nenhum pesquisador pode entrevistar pessoas que se ofereçam para ser entrevistadas. A explicação é que, basicamente, a premissa de qualquer pesquisa baseada na ciência estatística é que o entrevistado precisa ser ‘sorteado’.”

Dessa maneira, conforme afirma o instituto, eleitores que peçam voluntariamente não podem ser entrevistados porque, caso muitos eleitores façam isso, a amostragem seria comprometida. “Nas pesquisas eleitorais, fazemos esse sorteio em diferentes níveis: dividimos os municípios por porte e depois os sorteamos; na sequência, sorteamos os pontos onde serão feitos as entrevistas (o Datafolha tem cerca de 60 mil pontos de entrevistas registrados no Brasil, que reúnem informações sobre o fluxo de pessoas, perfil sociodemográfico etc.)”, afirma o instituto.

O Datafolha explicou ainda que “a terceira fase desse sorteio é justamente a escolha do entrevistado". Para isso, segundo o instituto, "os pesquisadores são orientados a levantar a cabeça e abordar a primeira pessoa que estiver transitando na sua frente, ou seja, uma escolha aleatória. Se houver recusa, ele prossegue até conseguir abordar outro entrevistado".

Ainda de acordo com o instituto, há mecanismos para assegurar que esse método seja seguido pelos pesquisadores: “O Datafolha conta com equipes de checagem nas ruas (profissionais que transitam entre pontos de fluxo e checam abordagem, padrões de entrevista etc.) e checagem eletrônica (telefones para conferência de questões e perfil, além de escuta de questionários para conferência e esclarecimento de respostas). Se uma pessoa se oferecer e o pesquisador aceitar essa entrevista, seus questionários são cancelados.”

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