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Veja o que checamos em tempo real no debate SBT/Folha/UOL

Por Bárbara Libório, Sérgio Spagnuolo e Tai Nalon

23 de setembro de 2016, 15h32

De denúncias de corrupção ao custeio de escolas municipais, os candidatos à Prefeitura de São Paulo que participaram nesta sexta-feira (23) do debate SBT/Folha/UOL citaram dados imprecisos, exagerados e mentirosos durante o embate.

Em parceria com o UOL, Aos Fatos checou em tempo real as declarações dos candidatos, conforme tem feito durante todos os debates televisivos desta campanha municipal.

Veja o que checamos.


EXAGERADO
O PSDB investiga e pune cartéis [do metrô]. — João Doria (PSDB)

Doria afirmou que o PSDB 'investiga e pune' cartéis, em referência ao escândalo do cartel de trens do metrô de São Paulo, administrado pelo governo estadual.

A investigação foi iniciada no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), no âmbito do governo federal, em 2013. Apenas depois de revelada a investigação, o governo do Estado de São Paulo iniciou apuração independente. Antes, porém, a condução das investigações em nível federal foi questionada pelo governador Geraldo Alckmin por uso político. Hoje, há ao menos 20 executivos entre suspeitos e denunciados à Justiça, mas não houve qualquer condenação.

O Palácio dos Bandeirantes chegou a atuar para inviabilizar a abertura de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) na Assembleia de São Paulo para investigar os contratos do metrô. Em 2013, os deputados não conseguiram reunir assinaturas suficientes para instalar a comissão.

Além disso, não cabe a partidos ou mesmo ao governo estadual punir ações do tipo.


VERDADEIRO
Cemitérios da cidade, além de darem prejuízo, fornecem um péssimo serviço à população. — João Doria (PSDB)

Segundo dados da Secretaria das Finanças do município, o orçamento liquidado para operação e manutenção de cemitérios foi de R$ 21,7 milhões em 2015, e receita efetivamente arrecadada de apenas R$ 5 milhões.


VERDADEIRO
Foram 400 km de faixas exclusivas e corredores entregues. — Fernando Haddad (PT)

Segundo o site Planeja Sampa, a Secretaria Municipal de Transportes implantou 423,3 km de faixas exclusivas à direita no viário destinadas ao transporte coletivo. Também foram construídos ou requalificados 42,3 km de corredores de ônibus.


IMPRECISO

Eu disse que iria reduzir o ISS, não o IPTU. Celso Russomanno (PRB)

Em 6 de setembro de 2016, durante caminhada na zona sul de São Paulo, Russomanno prometeu que, em seu plano de governo, "terá desconto de IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) para quem tiver telhado verde, parede verde e calçadas verdes". Na ocasião, ele disse que ainda entregaria seu plano de governo com a proposta incluída.

Aos Fatos checou junto ao programa de governo do candidato publicado em seu site oficial se isso já consta de sua promessa, mas não há qualquer registro de proposta que altere o regime de cobrança do IPTU --nem do ISS (Imposto sobre Serviços).


EXAGERADO
O Estatuto do Desarmamento não diminuiu em nada os índices de criminalidade. — Major Olímpio (SD)

Segundo o Mapa da Violência 2016 - Homicídios por armas de fogo no Brasil, o Estatuto do Desarmamento poupou, até 2014, 133.987 vidas.

Conforme o relatório, no período de 1991 a 2003, que antecede o estatuto, os homicídios por arma de fogo passaram de 15.759 para 36.115, um aumento de 129,2% que equivale a um crescimento anual de 7,8%. Seguindo o ritmo de crescimento observado entre os anos 1997 e 2003, em 2004, ano seguinte ao estatuto deveriam ser esperados 38.578 homicídios, mas, segundo os registros do SIM (Subsistema de Informação sobre Mortalidade), aconteceram 34.187.

Continuando com o modelo, mantendo-se a tendência de crescimento dos homicídios do período pré-estatuto, deveriam acontecer 59.464 homicídios por arma de fogo, mas foram registrados 42.291. Somente em 2014, foram poupadas 17.173 vidas que, somadas às dos anos anteriores, totalizam 133.987 vidas poupadas em função do estatuto.


EXAGERADO
A dívida ativa é de R$ 66 bilhões. — Luiza Erundina (PSOL)

De acordo com o balancete patrimonial da Prefeitura de São Paulo de agosto de 2016, a dívida ativa tributária do município era de R$ 85,8 bilhões, e a dívida ativa não tributária era de R$ 11,4 bilhões.


IMPRECISO

Não autorizei, jamais autorizaria algo dessa natureza [aumentar a lotação dos ônibus], são normas técnicas que o metrô e ônibus tem que seguir, não uma determinação do prefeito. Fernando Haddad (PT)

Haddad autorizou, em decreto de 9 de maio de 2013, o aumento de capacidade para seis passageiros por m² nos ônibus paulistanos. Na licitação anterior, a capacidade era de cinco.

À época, a SPTrans afirmou que estudos técnicos apontam a condição de aumentar a capacidade, e que o novo índice é usado em outros meios de transporte, como o metrô. Em horários de pico, a lotação dos ônibus chega a oito passageiros por metro quadrado.


VERDADEIRO
O prefeito atual prometeu 20 CEUs, mas não conseguiu realizar. — Marta Suplicy (PMDB)

Marta Suplicy afirmou que Haddad prometeu entregar 20 CEUs, mas que não conseguiu realizar a promessa. De fato, até agora Haddad entregou apenas um CEU, o de Heliópolis, inaugurado em abril de 2015, segundo o site Planeja Sampa.

De acordo com o site, outros oito CEUs estão com obras avançadas e mais seis unidades estão com licitação concluída e obras iniciadas.


EXAGERADO
Recurso [a Prefeitura de SP] tem: cada CEU custa R$ 25 milhões. — Marta Suplicy (PMDB)

Marta subvalorizou os custos que cada CEU (Centro Educacional Unificado) tem para o governo muncipal.

De acordo com o site da Prefeitura, construções de oito CEUs da atual administração exigem investimentos de cerca R$ 320 milhões, ou uma média de R$ 40 milhões por empreendimento.


Veja todas as nossas checagens em nossa reportagem do UOL.

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