Bruno Covas não proibiu nem disse que usou cloroquina

Por Priscila Pacheco

25 de junho de 2020, 19h34


Não é verdade que o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), proibiu o uso da hidroxicloroquina nem que ele admitiu ter tomado o medicamento depois de ser diagnosticado com Covid-19. Na verdade, ao contrário do que afirmam publicações em redes sociais (veja aqui), Covas chegou a anunciar em abril que a droga seria utilizada em hospitais municipais da cidade, mesmo sem haver comprovação científica de sua eficácia. Além disso, o único medicamento que ele já afirmou ter tomado em seu tratamento é a azitromicina, um antibiótico.

As publicações das peças de desinformação sobre uso de cloroquina pelo prefeito contavam com ao menos 4.100 compartilhamentos no Facebook nesta quinta-feira (25). Todas foram marcadas com o selo FALSO na ferramenta de monitoramento da rede social (saiba como funciona).


FALSO

E o prefeito que deixou muita gente morrer a míngua ao proibir a Hidroxicloroquina, agora confessa à mídia que fez uso do remédio que negou ao povo. Quantas pessoas que nem sofriam de câncer, como ele, morreram e quantas poderiam ter sido salvas se tivessem sido medicadas.

Postagens que circulam nas redes sociais afirmam que o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), proibiu o uso de hidroxicloroquina para o tratamento de Covid-19, e depois admitiu ter tomado o medicamento quando foi diagnosticado com a doença. As duas alegações são falsas — a cloroquina nunca foi proibida na cidade e Covas disse apenas que tomou o antibiótico azitromicina.

Não só o prefeito não impediu o uso da droga como anunciou, no dia 9 de abril, que a Secretaria Municipal de Saúde a incluiria como opção de tratamento para Covid-19 nos hospitais municipais. À época, a prefeitura já tinha 6 mil cápsulas de cloroquina à disposição, mas o prefeito ressaltou que o uso dependeria da prescrição médica e autorização da família e paciente. A medida foi anunciada poucos dias depois de o Ministério da Saúde ter publicado um protocolo para o uso da droga em casos graves.

Também não consta no Diário Oficial da cidade de São Paulo nenhuma decisão da prefeitura proibindo o uso da cloroquina ou da hidroxicloroquina. Por telefone, a Secretaria de Comunicação de São Paulo ainda negou que a substância tenha sido banida na cidade. Segundo a pasta, a prefeitura segue as orientações do Ministério da Saúde para o uso de medicamentos.

Tampouco é verdade que Covas tenha dito que tomou cloroquina durante o tratamento de Covid-19. Aos Fatos não encontrou nenhuma declaração pública de Covas, seja discurso ou entrevista, em que ele afirme estar usando cloroquina ou hidroxicloroquina. O prefeito foi diagnosticado com Covid-19 no dia 13 junho e tem publicado atualizações sobre sua saúde em conta do Instagram. No dia 15, ele publicou um vídeo no qual relata que estava fazendo tratamento com azitromicina, um antibiótico.

“Em nome da transparência que entendo necessária quando um político adoece, esclareço que estou tomando o medicamento prescrito pelo meu médico: Azitromicina. Remédio não é de esquerda ou de direita. Lamento que alguns queiram politizar a escolha do medicamento. Faça como eu: Só tome o remédio que o seu médico prescreveu para você! De resto, continuo bem e sem dor”, diz na legenda da postagem.

Em contato com a reportagem, a Secom afirmou que Covas nunca tomou cloroquina e que o único remédio receitado por seus médicos foi mesmo a azitromicina.

Sem comprovação. A azitromicina foi usada junto com a cloroquina em estudos preliminares que testaram tratamentos para a Covid-19 e a prescrição das duas substâncias é recomendada pelo Ministério da Saúde, mas não há evidências científica de que elas sejam eficazes contra o novo coronavírus.

No entanto, como é um antibiótico, a azitromicina pode ser usada para combater ou prevenir infecções bacterianas. Questionada sobre por que a droga foi usada por Covas, a Secom respondeu apenas repetiu o remédio foi receitado por seu médico.

Referências:

1. Aos Fatos

2. Agência Brasil

3. Estadão

4. CNN Brasil

5. Jovem Pan

6. UOL (Fontes 1 e 2)

7. Fiocruz

8. Ministério da Saúde (Fontes 1 e 2)

9. The BMJ

10. Instagram do Bruno Covas (Fontes 1 e 2)

11. Diário Oficial da cidade de São Paulo


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