Não é atual, mas de 2017, vídeo em que manifestantes atiram pedras em policiais na Argentina

Por Luiz Fernando Menezes

20 de abril de 2021, 16h47

Não é recente um vídeo em que manifestantes atiram pedras e outros objetos em policiais na Argentina, como sugerem publicações nas redes sociais (veja aqui). As imagens foram gravadas em dezembro de 2017 durante um protesto em Buenos Aires contra a reforma previdenciária proposta na época pelo ex-presidente Mauricio Macri.

Sem contexto, as postagens induzem falsas associações do vídeo com o atual governo argentino ou com medidas para conter a Covid-19. O conteúdo DISTORCIDO reunia ao menos 1.500 compartilhamentos no Facebook nesta terça-feira (20) e foi sinalizado como desinformação na ferramente de verificação da plataforma (veja como funciona).


Vídeo

Publicações veiculadas nas redes sociais neste mês indicam ser atual um vídeo gravado em 18 de dezembro de 2017 que mostra manifestantes atirando pedras e outros objetos contra policiais na Argentina. O conflito ocorreu durante protesto em Buenos Aires contra a reforma previdenciária proposta pelo então presidente Mauricio Macri e que era votada no Congresso argentino. Sem o devido contexto, as postagens fazem crer que a gravação exemplificaria insatisfações populares com o atual governo do país e a gestão da pandemia.

As discussões da reforma da previdência argentina foram marcadas por protestos que reuniram milhares de pessoas e tiveram registros de violência de ambos os lados, tanto dos manifestantes quanto da polícia, conforme já explicado por Aos Fatos em reportagem anterior. Estima-se que ao menos 162 pessoas ficaram feridas após os atos. A votação, que estava marcada para ocorrer no dia 14 de dezembro, teve de ser remarcada para o dia 18 e só terminou no dia seguinte, com a aprovação do texto.

Compartilhadas nas redes desde o início de abril, postagens com o vídeo têm sido interpretadas de maneira enganosa pelos usuários, como Aos Fatos constatou ao analisar as reações ao conteúdo no Facebook. Em geral, os comentários indicam que as imagens teriam a ver com protestos contra o governo do presidente Alberto Fernández, tachado em algumas publicações como "comunista", e as medidas de restrição para conter a Covid-19.

Além do Facebook, o mesmo conteúdo circula no Telegram e no WhatsApp (acesse para receber as checagens).

As imagens também circularam nas redes espanholas em fevereiro deste ano como se estivessem relacionadas à indignação da população catalã perante a prisão de Pablo Hasél, rapper e ativista político, acusado de terrorismo, injúria e calúnia contra a coroa espanhola.

No Brasil, o Boatos.org também checou a peça desinformativa.

Referências:

1. Infobae
2. G1 (1 e 2)
3. Aos Fatos
4. El País


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