É falso que João de Deus disse em delação que organizou orgias para ministros do STF

Por Luiz Fernando Menezes

25 de agosto de 2020, 18h30


Não é verdade que o médium João Teixeira de Faria, conhecido como João de Deus, disse em delação premiada que ofereceu serviços de prostituição a ministros do STF (Supremo Tribunal Federal). A falsa informação, que consta em publicações que estão viralizando nas redes (veja aqui), foi desmentida pelo advogado dele ao Aos Fatos. O MP-GO (Ministério Público de Goiás) também afirmou que não existe delação de João de Deus.

No Facebook, a peça de desinformação, que circula em diversas versões, reunia ao menos 20 mil compartilhamentos até a tarde desta terça-feira (25). O conteúdo foi marcado com o selo FALSO na ferramenta de verificação da rede social (saiba como funciona).


FALSO

JOÃO DE DEUS AFIRMA QUE MINISTROS DO STF NÃO SAIAM DA CASA DOM INÁCIO DE LOYOLA EM ABADIÂNIA , PEDIAM DINHEIRO E ENCONTROS COM GAROTAS EM LUGARES SECRETOS.

Circula nas redes sociais a informação falsa de que o médium João de Deus teria dito, em uma delação premiada, que ofereceu serviços de prostituição e organizou orgias para ministros do STF (Supremo Tribunal Federal). Em nota enviada ao Aos Fatos, o advogado do médium, Anderson Van Gualberto de Mendonça, afirmou que todas as informações da peça são inverídicas e que seu cliente não fez nem está negociando delação.

Ainda segundo Mendonça, João de Deus sequer está sendo investigado por oferecer serviços de prostituição: “foram tomadas providências contra esta fake news. Advirto que foi apresentada notícia-crime à Polícia Federal e ao Supremo Tribunal Federal pela divulgação de notícia criminosa, bem como pela sua reprodução, ainda que a título ilustrativo”.

Em nota enviada ao Aos Fatos, a assessoria do STF afirmou que “tais publicações não passam de fake news”.

Aos Fatos também entrou em contato com o Ministério Público de Goiás, que denunciou João de Deus por abuso sexual. Segundo a assessoria do órgão, “não existe nenhuma tratativa para um acordo de colaboração premiada com o réu João Teixeira de Faria”.

A peça de desinformação, que vem circulando nas redes em diversas versões, cita como prova de suas alegações o fato de que dois ministros do STF se declararam impedidos de julgar uma reclamação e um habeas corpus do caso. Gilmar Mendes e Luiz Fux afirmaram que não poderiam atuar no julgamento por “motivo de foro íntimo”.

Aos Fatos perguntou para a assessoria do STF sobre a motivação da declaração de impedimento dos ministros, que respondeu que, conforme determina o artigo 145 do Código de Processo Civil, os magistrados não precisam declarar as razões que motivaram essas decisões.

Outro ponto utilizado pelas peças para sugerir uma relação entre a suposta delação e a corte é a de que três ministros teriam pedido licença, o que não é verdade. Celso de Mello, de fato, pediu licença médica para realizar uma cirurgia no dia 19 de agosto. O presidente Dias Toffoli chegou a ficar internado por causa de uma pneumonia no começo do mês, mas não requisitou afastamento de seu trabalho na corte.

Caso. João de Deus, preso desde o dia 16 de dezembro de 2018, foi transferido para a prisão domiciliar em abril deste ano por risco de contrair a Covid-19. O médium foi condenado em três processos, um por posse ilegal de arma de fogo e dois por abuso sexual e estupro de mulheres. Segundo a juíza do TJ-GO (Tribunal de Justiça de Goiás), Rosângela Rodrigues Santos, há ainda dez processos em andamento e que envolvem cerca de 50 mulheres.

O Fato ou Fake também desmentiu a peça de desinformação.

Referências:

1. EBC
2. Folha de S.Paulo
3. Planalto
4. Conjur (Fontes 1 e 2)
5. G1 (Fontes 1 e 2)