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É falso que CNN Brasil noticiou que Moro recebia propina para beneficiar doleiro

Por Priscila Pacheco

25 de agosto de 2020, 17h06

Não é verdade que a emissora CNN Brasil noticiou que o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, recebia propina para beneficiar um doleiro, conforme afirmam publicações que têm circulado nas redes sociais (veja aqui).

No dia 13 de agosto, os jornalistas Monalisa Perrone e Caio Junqueira informaram no telejornal CNN Expresso que o doleiro Dario Messer havia acusado o subprocurador da República Januário Paludo de ter recebido propina no valor de US$ 50 mil mensais para protegê-lo de investigações no Paraná. Paludo é ex-integrante da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, e a acusação do doleiro foi feita como parte de delação premiada.

Além de os jornalistas não mencionarem no CNN Expresso nenhum envolvimento de Moro, que era o juiz responsável pela Lava Jato em Curitiba até 2018, Aos Fatos não encontrou informações a esse respeito em outros noticiários da emissora nem em outros veículos de comunicação.

Por fim, as postagens usam uma imagem do Jornal Hoje, exibido pela Rede Globo, com a chamada sobre o pronunciamento de Moro sobre sua saída do ministério em abril. As peças de desinformação contam com ao menos 1.000 compartilhamentos nesta terça-feira (25) e foram marcadas com o selo FALSO na ferramenta de verificação do Facebook (entenda como funciona).


FALSO

A CNN acaba de noticiar para todo o Brasil: Sergio Moro recebia cerca de 50 mil por mês para deter os processos do doleiro para ele não ser preso.

Peças de desinformação enganam ao afirmar que Sergio Moro, ex-juiz e ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, recebia propina de um doleiro e que o caso foi noticiado pela CNN Brasil. Na verdade, os jornalistas Monalisa Perrone e Caio Junqueira informaram no telejornal CNN Expresso, exibido no dia 13 de agosto, que o doleiro Dario Messer havia acusado em delação premiada no Rio de Janeiro o subprocurador da República Januário Paludo, ex-integrante da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, de ter recebido propina.

Segundo Messer, o valor pago era de US$ 50 mil por mês e servia para que Paludo o protegesse de investigações no Paraná. À CNN, Paludo negou que tenha obtido vantagens. O nome de Moro, que era o juiz responsável pela operação Lava Jato em Curitiba até 2018, não foi citado no telejornal. Além disso, Aos Fatos não encontrou informações em outros noticiários da emissora nem em diferentes veículos de comunicação sobre o envolvimento de Moro em algum caso de propina.

Caso Messer. As informações sobre o envolvimento entre Messer e Paludo começaram a circular em 2019, durante investigações da última fase da Lava Jato do Rio, época na qual a PF (Polícia Federal) teve acesso à troca de mensagens.

Messer havia sido investigado pela Justiça do Paraná durante o escândalo do Banestado e fez uma delação premiada em 2005. À época, Paludo era um dos responsáveis pela investigação. Messer não foi preso nessa ocasião, mas neste mês foi condenado pela Lava Jato do Rio a 13 anos e 4 meses de prisão por envolvimento em transações ilegais de pedras preciosas entre 2011 e 2017.

Caso Moro. O ex-juiz pediu demissão do Ministério da Justiça e Segurança Pública em abril após discordar da decisão do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de trocar o diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo. A PF é vinculada ao ministério e Valeixo havia sido escolhido por Moro para ocupar o cargo.

As postagens usam uma imagem do Jornal Hoje, exibido pela Rede Globo, com a chamada sobre o pronunciamento de Moro sobre sua saída do ministério. Desde a demissão, o ex-juiz tem sido alvo de peças de desinformações disseminadas por bolsonaristas, conforme Aos Fatos já mostrou em outra checagem.

A desinformação também foi checada por Agência Lupa e Boatos.org.

Referências:

1. Aos Fatos
2. CNN
3. UOL (Fontes 1 e 2)
4. G1
5. Justiça Federal do Rio de Janeiro
6. Ministério Público Federal
7. Agência Lupa
8. Boatos.org


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