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É falso que CDC admitiu que máscaras não protegem contra a Covid-19

Por Marco Faustino

8 de março de 2021, 18h10

Não é verdade que o CDC (Centers for Disease Control, órgão de saúde do governo dos EUA) admitiu que o uso de máscaras faciais é insignificante contra a Covid-19 (veja aqui). O estudo compartilhado por peças de desinformação nas redes sociais foi publicado pelo órgão no dia 5 de março e afirma exatamente o contrário: a obrigatoriedade do uso de máscaras faciais, associada à restrição do consumo em bares e restaurantes, ajudou a desacelerar a propagação da doença entre os americanos.

Posts com o conteúdo enganoso acumulavam ao menos 1.600 compartilhamentos nesta segunda-feira (8) e foram marcados com o selo FALSO na plataforma de verificação do Facebook (saiba como funciona).


CDC: Máscaras faciais não previnem Covid-19; estudo descobre que as máscaras têm impacto insignificante nos números do coronavírus

É falso que um estudo do CDC publicado no Morbidity and Mortality Weekly Report (Relatório Semanal de Morbidade e Mortalidade do órgão) no dia 5 de março disse que máscaras faciais são insignificantes contra a disseminação da Covid-19. A pesquisa, que vem sendo citada por peças de desinformação, concluiu exatamente o inverso e só reforçou a importância das máscaras.

Em uma reunião da equipe de resposta à Covid-19 da Casa Branca, na última sexta-feira (5), a diretora do CDC, Rochelle Walensky, disse que o relatório é um lembrete crítico de que, com os níveis atuais de casos de Covid-19 nos EUA e disseminação contínua de variantes mais transmissíveis do vírus, seguir estritamente as medidas de prevenção continua sendo essencial para pôr fim a esta pandemia. “Também serve como um alerta sobre a suspensão prematura dessas medidas de prevenção”, disse Rochelle.

No texto, os autores dizem que a obrigatoriedade do uso de máscaras foi associada a diminuições estatisticamente significativas tanto dos casos diários de Covid-19 quanto nas taxas de crescimento da mortalidade. O impacto da medida foi detectado em até 20 dias após a determinação do uso da proteção facial por parte de estados norte-americanos. Associada às restrições de consumo em bares e restaurantes, a medida teve impacto ainda maior.

“Políticas que exigem o uso universal de máscaras e restringem o consumo local em bares e restaurantes são componentes importantes de uma estratégia abrangente para reduzir a exposição e a transmissão do SARS-CoV-2", escreveram os autores do estudo.

Ao Aos Fatos, Laura de Freitas, microbiologista e pesquisadora da USP (Universidade de São Paulo), diz que “o estudo é bem claro tanto nos dados quanto na própria conclusão sobre como as máscaras tiveram papel importante na redução de casos e deixar as pessoas comerem em restaurantes (lugares fechados e sem uso de máscaras) teve papel no aumento dos casos.”

A pesquisadora se refere a outro dado do estudo, que mediu o impacto negativo que a liberação de consumo nestes estabelecimentos teve sobre os números da pandemia. Segundo o relatório do CDC, a permissão do consumo local em bares e restaurantes foi associada a um aumento nos casos diários entre 41 a 100 dias após a reabertura dos estabelecimentos e um aumento nas taxas de mortalidade entre 61 a 100 dias após a retomada dos negócios.

Contramão. O estudo foi divulgado dias após os governadores do Texas e do Mississippi anunciarem a suspensão da obrigatoriedade do uso de máscaras e do limite de capacidade em estabelecimentos comerciais, em contradição direta com a orientação do CDC em manter tais restrições, informou a NPR.

Na última quarta-feira (3),o presidente dos EUA, Joe Biden, criticou a decisão de ambos os estados em reverter as restrições, e taxou a decisão de "pensamento Neandertal".

Referências:

1. CDC
2. White House
3. NPR (Fontes 1, 2, 3 e 4)


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