É falso que adolescentes morreram após receberem dose da CoronaVac

Por Luiz Fernando Menezes e Amanda Ribeiro

14 de setembro de 2020, 13h15


Não é verdade que três jovens tenham morrido após serem vacinados com a CoronaVac, desenvolvida pela chinesa Sinovac Biotech e testada hoje em São Paulo, como afirmam nas redes sociais (veja aqui). O Instituto Butantan, parceiro nos testes no Brasil, disse que não foram reportados óbitos ou mesmo reações adversas graves decorrentes da vacina.

Além disso, todos os voluntários da CoronaVac em São Paulo são maiores de 18 anos e profissionais da área de saúde, um perfil que não se encaixa nos de adolescentes de 13, 16 e 18 anos, citados nos posts como supostas vítimas da imunização.

Publicada por perfis pessoais, a falsa alegação acumulava cerca de 37.000 compartilhamentos em postagens no Facebook que foram marcados com o selo FALSO na ferramenta de verificação (saiba como funciona).


FALSO

É enganoso um relato que circula nas redes sociais sobre um casal de profissionais de saúde que teria perdido três filhos por uma reação grave à CoronaVac, vacina contra a Covid-19 desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac Biotech e testada no Brasil em parceria com o Instituto Butantan. Além de o órgão negar a existência de óbitos decorrentes da imunização, o perfil dos adolescentes descritos nas postagens não se encaixa nos requisitos exigidos de voluntários que participam dos testes em São Paulo.

A informação falsa foi amplificada em publicações no Facebook e no YouTube de Flávia Mollokay, que se apresenta como “terapeuta vibracional quântica”. Em um vídeo, ela afirma, ainda sem identificar a mãe e os três filhos, que o suposto caso teria vitimado adolescentes de 13, 16 e 18 anos. Porém, conforme pode ser verificado no site do Instituto Butantan, os voluntários dos testes “deverão ter 18 anos e mais de idade”.

Além disso, os voluntários precisam ser profissionais de saúde registrados em: medicina, enfermagem, biomedicina, fisioterapia, farmácia ou nutricionismo. Dadas as idades das supostas vítimas citadas na peça de desinformação, não seria possível que elas já atuassem profissionalmente nessas áreas.

Contatado por Aos Fatos, o Instituto Butantan afirmou que “todos os voluntários são monitorados pelos 12 centros de pesquisas e até o momento não foi reportado nenhum efeito colateral grave, muito menos óbito”.

Em anúncio de resultados divulgado em 14 de junho sobre as fases 1 e 2 dos testes da vacina, a Sinovac relatou que nenhum dos 743 voluntários chineses apresentou reações severas, mas houve relatos de dor leve no local da injeção, fadiga e febre baixa. Em nota mais recente, de 9 de setembro e relativa à fase 3 dos testes, também não foram relatados efeitos adversos graves.

A postagem enganosa de Mollokay foi deletada após vários usuários questionarem a veracidade do relato. Na publicação do YouTube, ela escreveu: “podem dizer o que quiserem, que é fake, que não é: PROBLEMA DE VOCÊS! Minha postagem apenas foi para partilhar uma dor e riscos sobre a vacinação”. Procurada por Aos Fatos, Mollokay não respondeu.

Referências:

1. Instituto Butantan
2. Sinovac Biotech (Fontes 1 e 2)


A checagem foi corrigida no dia 14 de setembro de 2020, às 17h30. Diferentemente do que foi informado, Flavia Mollokay não teve a conta suspensa, ela apenas bloqueou o repórter do Aos Fatos. A alteração não modifica o selo da checagem.


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