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Denúncia sobre 21 mil mortos em cadastro de eleitores da Pensilvânia não prova fraude na votação nos EUA

Por Luiz Fernando Menezes

9 de novembro de 2020, 17h57

Uma ação protocolada em outubro na Justiça da Pensilvânia, nos EUA, não prova que a votação no estado foi fraudada por meio do uso de registros de 21 mil pessoas mortas, como sustentam postagens nas redes sociais (veja aqui). O processo, movido por uma organização sem fins lucrativos, alega ter levantado nomes de 21.206 eleitores que já teriam morrido e permaneciam no cadastro de votantes. A denúncia foi rejeitada por um juiz distrital, mas ainda cabe recurso. Além disso, o procurador-geral da Pensilvânia disse que não há indícios de que registros de eleitores mortos tenham sido usados no atual pleito.

A desinformação foi compartilhada inicialmente nos EUA e depois disseminada no Brasil em páginas e sites bolsonaristas, como o Jornalista Welesson Oliveira (antigo WOL Notícias). Até a publicação deste texto, as postagens acumulavam ao menos 2.500 compartilhamentos no Facebook e foram marcadas com o selo FALSO na ferramenta de verificação da rede social (saiba como funciona).


FALSO

Fraudes na eleição dos EUA com 21 mil mortos que foram usados para votar na Pensilvânia.

Uma denúncia feita pela organização sem fins lucrativos Pilf (Public Interest Law Foundation) vem sendo compartilhada por páginas e sites bolsonaristas como prova de uma fraude ocorrida nas eleições na Pensilvânia, mas isso não é verdade. A ação, protocolada em 15 de outubro, antes das eleições, alegava que o cadastro de eleitores do estado teria 21.206 pessoas que já morreram e pedia que esses nomes fossem retirados da lista. O processo foi indeferido por um juiz distrital, que considerou as alegações insuficientes para acatar o pedido. A organização recorreu do resultado.

O procurador-geral da Pensilvânia, Josh Shapiro, afirmou não existir nenhuma evidência de que quaisquer votos tenham sido registrados em nome de indivíduos mortos nas eleições de 2020. A afirmação veio para rebater o advogado do atual presidente americano Donald Trump, Rudy Giuliani, que veiculou a informação falsa no Twitter.

A denúncia da Pilf também não cita nem sugere que os registros dos eleitores já falecidos foram usados na votação deste ano tanto na ação inicial, antes do pleito de 3 de novembro, como na alteração de processo, do dia 5 de novembro, dois dias após o fim da votação. Os dados citados na peça da organização referem-se a eleições passadas: segundo a análise do grupo, 135 votos teriam sido feitos em nome de mortos em 2016 e 81 em 2018.

A mesma organização é autora de outra denúncia feita em 2019 na cidade de Detroit (Michigan) e que foi usada por peças de desinformação que circularam na semana passada. De maneira similar, o processo citava que eleitores mortos constavam nos registros, mas também não fazia menção à existência de fraudes e acabou sendo arquivado após a prefeitura do município regularizar a lista.

Outro lado. Após entrar em contato com o Aos Fatos na tarde desta segunda-feira (9), o youtuber Welesson Oliveira adicionou uma nota de esclarecimento ao texto original, indicando que a informação era incorreta.

Referências:

1. Court Listener (Fontes 1, 2 e 3)
2. Twitter (@PAAttorneyGen)
3. Aos Fatos

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