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Associação Médica Americana não recomenda hidroxicloroquina contra a Covid-19

Por Amanda Ribeiro

22 de dezembro de 2020, 12h29

Não é verdade que a AMA (Associação Médica Americana) publicou uma resolução em que recomenda o uso precoce da hidroxicloroquina contra a Covid-19, como afirmam postagens nas redes sociais (veja aqui). A alegação falsa está baseada em um documento apresentado em uma reunião da entidade em novembro, mas que não teve suas diretrizes aprovadas. Desde março, a AMA afirma que não há evidências conclusivas sobre a eficácia da droga e que seus efeitos colaterais devem ser observados com cautela.

Depois de circular em inglês, o conteúdo enganoso foi publicado por páginas e perfis pessoais brasileiros no Facebook, onde acumulava cerca de 15 mil compartilhamentos até a tarde desta terça-feira (22). Todas as postagens foram marcadas com o selo FALSO na ferramenta de monitoramento da rede social (saiba como funciona).


Associação Médica Americana declara que retira as restrições contra Hidroxicloroquina e admite seus benefícios, liberando para uso em tratamentos precoces visto a quantidade de artigos científicos citando seus resultados positivos na dose e na hora correta.

Após uma declaração do radialista conservador dos EUA Rush Limbaugh, passou a circular nas redes sociais que a AMA (American Medical Association) havia voltado atrás e publicado uma resolução em que recomenda o uso precoce da hidroxicloroquina contra a Covid-19. Isso, no entanto, não é verdade: apesar de ter avaliado a recomendação da droga em reunião ocorrida em novembro, a entidade decidiu manter o posicionamento adotado em março, de que não há evidências que apontem que ela seja eficaz contra a infecção.

Em postagem publicada em sua conta oficial no Twitter na última quarta-feira (16), a AMA afirmou que, em março, pediu “cautela na prescrição da hidroxicloroquina como tratamento off-label contra a Covid-19. Nossa posição permanece inalterada. Ciência baseada em evidências e prática devem guiar essas determinações”. O texto em que se baseia o discurso do radialista americano, publicado pelo site Published Reporter, já foi corrigido.

Publicado em março e atualizado em abril deste ano, o posicionamento da AMA sobre o uso da hidroxicloroquina afirma que evidências definitivas sobre a eficácia do medicamento ainda são necessárias e não foram obtidas em testes clínicos robustos. “Médicos, farmacêuticos, pacientes e responsáveis por políticas públicas devem entender que essas medicações têm efeitos colaterais perigosos que podem prejudicar pacientes, incluindo arritmias fatais.” Há, ainda, de acordo com a associação, o risco de esses medicamentos faltarem nas prateleiras, o que prejudicaria pacientes com lúpus, artrite e outras doenças para as quais há comprovação de eficácia do uso.

Em reunião ocorrida em novembro, membros da AMA discutiram um pedido de revogação do posicionamento publicado em março, que deveria ser substituído pela informação de que “estudos estão em andamento para esclarecer os potenciais benefícios da hidroxicloroquina e de terapias combinadas no tratamento da Covid-19” e que a associação apoia médicos que prescreverem a “medicação aprovada para uso off-label pela FDA de acordo com seu julgamento clínico”. As requisições, no entanto, não foram aprovadas, como é possível conferir neste e neste documentos.

Aprovada para uso emergencial pela FDA (Food and Drug Administration, agência reguladora americana) em março deste ano, a hidroxicloroquina teve sua permissão revogada pelo mesmo órgão em junho diante da falta de benefícios constatados em pesquisas. Por motivos similares, a droga também foi excluída dos testes clínicos conduzidos por instituições de saúde em parceria com a OMS (Organização Mundial de Saúde).

Nos Estados Unidos, a peça de desinformação foi checada pelas equipes do PolitiFact, da Poynter e do Lead Stories. No Brasil, a Agência Lupa publicou desmentido semelhante.

Referências:

1. Rush Limbaugh
2. Twitter (@AmerMedicalAssn)
3. Published Reporter
4. American Medical Association (Fontes 1, 2, 3 e 4)
5. FDA (Fontes 1 e 2)
6. UOL

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