Polícia prende suspeitos de coordenar mentiras nas redes e vender falsos emagrecedores

Por Marco Faustino

6 de julho de 2022, 19h48

A Polícia Civil de Nazaré Paulista (SP) prendeu nesta quarta-feira (6) seis pessoas envolvidas no golpe da lipozepina, esquema que utilizava uma rede de desinformação para vender falsos emagrecedores, revelado pelo Aos Fatos em uma série de reportagens no mês passado. O grupo mantinha na cidade um galpão e um centro de atendimento onde faziam as vendas, segundo reportagem da TV Vanguarda, afiliada da TV Globo no Vale do Paraíba.

Segundo a emissora, foram expedidos mandados de busca para dez endereços ligados aos suspeitos. Computadores e eletrônicos usados pela quadrilha também foram apreendidos e vão passar por perícia, além de milhares de chips de várias operadoras de celular, conforme mostram as imagens da emissora. O Aos Fatos entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, a fim de confirmar os detalhes divulgados pela TV Vanguarda, e esta reportagem será atualizada quando houver resposta.

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O galpão que aparece nas imagens feitas pela emissora fica localizado no mesmo endereço da sede da empresa Bio High Comércio e Serviços, que comercializa o lipotril, um dos falsos emagrecedores. O galpão também servia para armazenar outro produto utilizado no golpe, a lipozepina. O responsável pelo domínio da empresa na internet é Victor Gamarra de Moraes, que é sócio da GVHS Marketing Digital, uma das empresas que compõem o quadro societário da Bio High.

Gamarra é o dono de outra empresa cujo escritório aparece nas imagens, a High Stakes Marketing Digital. O Aos Fatos revelou que os sites da agência (gamarra.network e highstakes.network) utilizavam o mesmo Google Analytics ID (UA-137749396-25) que os sites enganosos utilizados no golpe. Esse indício foi apagado após o contato da reportagem com Gamarra — que não respondeu aos pedidos de entrevista —, mas já havia sido devidamente registrado como parte da apuração. Algumas das páginas simulavam reportagens do Gshow, do Grupo Globo, com depoimentos falsos de cantoras como Alcione e Preta Gil.

Os sites eram divulgados por posts no Facebook que promoviam os falsos emagrecedores. Elas usavam fotos editadas e falas inventadas de celebridades para catapultar a busca pela lipozepina. Por trás da rede desinformativa estão ex-sócios e ex-executivos da corretora de criptoativos Criptohub, que saiu do ar após arrecadar milhões de reais de clientes — os nomes dos suspeitos presos nesta quarta (6) e das empresas investigadas já haviam sido divulgados em reportagem do Aos Fatos. Os anúncios pagos fizeram com que o golpe tivesse ao menos 20 milhões de visualizações em onze dias.

Os posts, por sua vez, eram criados por perfis falsos no Facebook que, segundo a reportagem da TV Vanguarda, eram gerados a partir de números de celulares e identidades de outras pessoas, justamente um dos elementos investigados pelo Aos Fatos. Ainda de acordo com a emissora, as empresas envolvidas possuíam mais de cem funcionários.

Reprodução de tela mostra saco contendo chips de telefone utilizados para criar perfis falsos nas redes sociais
Chips. Perfis falsos nas redes sociais eram criados a partir de números de celulares e identidades de outras pessoas.


O Ministério Público de São Paulo tomou conhecimento do caso por meio da primeira reportagem publicada pelo Aos Fatos. O órgão acionou a Polícia Civil e a Vigilância Sanitária de Nazaré Paulista (SP), cidade em que duas das três empresas que comercializam o produto estão registradas, para investigar o caso.

Em resolução publicada nesta segunda-feira (4), a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) proibiu a comercialização, a distribuição, a produção e a propaganda da lipozepina e da lipotramina. A agência também mandou recolher todos os estoques dos produtos.

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