Com anúncios, golpe da lipozepina obtém 20 mi de visualizações no Facebook em 11 dias

Por Marco Faustino

4 de julho de 2022, 15h11

O golpe da lipozepina, em que famosos são associados nas redes a um falso emagrecedor, ampliou sua presença no Facebook por meio de anúncios e obteve ao menos 20 milhões de visualizações em 11 dias. O método empregado pela rede de desinformação, revelado por Aos Fatos em junho, fere regras de publicidade da Meta, dona da plataforma.

Entre 23 de junho e 3 de julho, Aos Fatos localizou 110 novas publicações que promoviam a lipozepina no Facebook, a maioria postagens pagas (70). A veiculação dos anúncios rendeu ao menos 11,2 milhões das 20 milhões de visualizações obtidas nesse período.

As novas postagens seguem o mesmo padrão desinformativo ao associar, de forma enganosa, a imagem de pessoas famosas ao produto. São usadas, por exemplo, fotos da cantora Simone Mendes, de Jéssica Beatriz — filha do cantor Leonardo — e vídeos de um casal americano. Não há registros de que eles tenham autorizado o uso de imagem.

As regras da Meta proíbem práticas fraudulentas e enganosas, autoimagem negativa sobre perda de peso e alegações que estabelecem expectativas irreais para os usuários. Aos Fatos usou canais recomendados pela empresa para denunciar os conteúdos, mas, até esta publicação, 18 posts pagos continuavam ativos.

A Meta respondeu nesta segunda-feira (4) que não permite “a oferta, a compra, a venda ou a negociação de medicamentos controlados ou restritos nas nossas plataformas”, que tem “ferramentas de denúncia, por meio das quais as pessoas podem reportar conteúdos ou contas que possam estar violando nossas políticas” e que colabora “com autoridades, nos termos da lei.”

De acordo com o MP-SP (Ministério Público de São Paulo), os consumidores lesados pelo golpe podem procurar uma sede local do Procon, registrar boletim de ocorrência, entrar com ação individual contra as empresas ou acionar a promotoria de sua localidade.

O órgão informou ainda que acionou a Polícia Civil e a Vigilância Sanitária de Nazaré Paulista (SP), cidade em que duas das três empresas envolvidas com a comercialização da lipozepina estão registradas, para investigar o caso.

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