Vídeo não mostra fornos crematórios chineses enviados à Argentina

Por Luiz Fernando Menezes

24 de novembro de 2020, 17h24


Não são fornos crematórios enviados pela China à Argentina as máquinas que aparecem em vídeo que vem sendo compartilhado nas redes sociais (veja aqui). Os equipamentos, na verdade, são fornos de biomassa voltados à desidratação de forragem. Além disso, a gravação nem sequer foi feita no país latino-americano, mas em um porto na Espanha.

O vídeo com a falsa legenda foi sugerido por leitores do Aos Fatos no WhatsApp como checagem (inscreva-se aqui). Publicações semelhantes aparecem também no Facebook, onde acumulavam centenas de compartilhamentos até a tarde desta terça-feira (24).Todas as publicações foram marcadas com o selo FALSO na ferramenta de verificação da rede social (entenda como funciona).


FALSO

“São as novas câmaras crematórias modernas que serão enviadas a todos os países que têm, obedientemente, pandemia, quarentena e vacinação obrigatórios porque se sabem que, posteriormente, os humanos que receberem essas vacinas morrerão”, diz um homem em espanhol em vídeo que vem circulando nas redes. Segundo as publicações, as imagens mostrariam “fornos crematórios” enviados à Argentina pela China. Nada disso, no entanto, é verdade.

As máquinas mostradas no vídeo são equipamentos industriais de desidratação. Conforme pode ser visto em seu site, a Apisa — empresa cujo logo é estampado nas máquinas — é especializada na desidratação de forragem, armazenamento de cereais e tratamento de biomassa. Em entrevista ao site espanhol Maldita, a fabricante afirmou que os equipamentos mostrados são fornos de biomassa que geram ar quente para desidratar forragem.

Além disso, o vídeo nem sequer foi gravado na Argentina, mas sim em Tarragona, na Espanha. As autoridades portuárias locais, em resposta a um tweet desinformativo sobre o vídeo, afirmaram que a gravação mostra equipamentos que seriam enviados à Romênia.

CoronaVac e Argentina. A peça também alega que a Argentina irá utilizar a vacina produzida pela empresa chinesa Sinovac Biotech. Por mais que o Instituto Butantan, parceiro da Sinovac, afirme que o país assinou um memorando de intenções para o fornecimento da CoronaVac, ela não é a única opção de imunização do governo do presidente Alberto Fernández.

A Argentina terá, por exemplo, um dos laboratórios responsáveis pela produção da vacina da AstraZeneca, em parceria com a Universidade de Oxford. Além disso, o governo também já anunciou a compra de doses da Sputinik V, imunização produzida na Rússia, e diz ter interesse nas vacinas da Pfizer.

A peça de desinformação circulou também em língua espanhola e foi desmentida pelas equipes do Chequeado, Newtral, Maldita, Colômbia Check e AFP Argentina. No Brasil, as publicações foram checadas pelo Boatos.org.

Referências:

1. Apisa
2. Maldita
3. Twitter (@PortTarragona)
4. Instituto Butantan
5. CNN Brasil
6. UOL


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