Manifestantes em vídeo acusavam amigo de Bolsonaro, e não de Lula, de ter matado Marielle

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Não é verdade que um vídeo mostra manifestantes acusando um amigo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de ter assassinado a vereadora Marielle Franco, morta em 2018. A cena compartilhada pelas peças de desinformação foi gravada em 2019, durante um protesto realizado em Porto Alegre. Na ocasião, um grupo de mulheres apontou que o crime teria sido executado por aliados do então presidente Jair Bolsonaro (PL), em referência aos ex-policiais Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz.

Publicações com o conteúdo enganoso acumulavam 22 mil curtidas no Instagram até a tarde desta quarta-feira (13).

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Selo falso

Vídeo mostra protesto pela morte de Marielle Franco em que mulheres acusam Bolsonaro, não Lula, de ser amigo do assassino da ex-vereadora, que não foi citado pelas ativistas.

Publicações nas redes têm compartilhado fora de contexto um vídeo de uma manifestação ocorrida em dezembro de 2019 para sugerir que o assassino de Marielle Franco seria amigo do presidente Lula. As peças de desinformação, que inserem acima e abaixo do vídeo fotos de Lula e do conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro Domingos Brazão, fazem uma série de alegações enganosas:

  • As mulheres que entoam palavras de ordem na filmagem não faziam referência ao petista, e sim a Bolsonaro, presidente naquela época;
  • De acordo com o Correio Braziliense, o amigo citado o cântico seria um dos dois executores no crime: o ex-policial militar Ronnie Lessa, que morava no mesmo condomínio que Bolsonaro no Rio de Janeiro, ou o ex-policial Élcio de Queiroz, que apareceu em foto ao lado do então presidente;
  • Lula não é considerado suspeito pelo assassinato. Já Domingos Brazão é investigado pela PF por suspeita de ter atuado como mentor intelectual do crime.

Cerca de um mês antes da manifestação, o Jornal Nacional noticiou que um porteiro do condomínio em que viviam Bolsonaro e Lessa teria dito em depoimento que Queiroz interfonou ao presidente na data do crime. A versão do profissional, que foi posteriormente desmentida, gerou rumores na época de que o então chefe do Executivo estivesse envolvido no crime. Isso explica a menção a Queiroz e Lessa como amigos de Bolsonaro nas palavras de ordem entoadas pelas manifestantes no vídeo.

Preso em 2019, Queiroz confessou no ano passado ter dirigido o carro usado para perseguir Marielle na noite do assassinato. Ele apontou Lessa, também preso desde 2019, como o autor dos disparos.

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É fato, no entanto, que Domingos Brazão é apontado como um dos possíveis responsáveis pelo homicídio da vereadora. O inquérito sobre o crime tramita no STJ (Superior Tribunal de Justiça) desde outubro do ano passado por suspeita de participação do político — por ser conselheiro do Tribunal de Contas, Brazão tem seus processos julgados por instâncias superiores.

Segundo reportagem publicada pelo Intercept Brasil em 29 de janeiro deste ano, Ronnie Lessa teria afirmado em delação ainda não homologada pela Justiça que Brazão foi o autor intelectual do crime. Em setembro de 2019, a então procuradora-geral da República, Raquel Dodge, também disse haver indícios de que o político teria planejado a morte da vereadora. Ele nega ligação com o crime.

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