Vacinas contra Covid-19 não provocam liberação de fibrina na corrente sanguínea

Por Priscila Pacheco

9 de dezembro de 2021, 15h35

Não é verdade que as vacinas contra Covid-19 liberam fibrina na corrente sanguínea e que isso seria a causa de doenças cardíacas em imunizados, conforme alega vídeo nas redes sociais (veja aqui). A proteína é um componente natural do organismo humano e atua na coagulação do sangue para interromper sangramentos. Nenhum dos imunizantes em uso no Brasil hoje tem a produção de fibrina entre as reações adversas.

Este conteúdo enganoso circula no Facebook e em canais no Telegram.


Selo falso

A vacina, a proteína spike, ela libera na corrente sanguínea várias fibrinas causando coagulação no sangue. Por isso que muita gente vem a óbito. Muita gente dá problema no coração, infarto do miocárdio. Várias outras doenças também vêm se desenvolvendo devido a essa quantidade de fibrina.

As vacinas contra a Covid-19 não liberam fibrina na corrente sanguínea por meio da proteína spike, como afirma a mulher no vídeo checado. A fibrina é uma proteína produzida pelo corpo humano naturalmente e atua no processo de coagulação do sangue para interromper hemorragias. Já a proteína spike contida nas vacinas não é capaz de desencadear a produção dessa substância, segundo a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), responsável por aprovar os imunizantes.

Entre os eventos adversos descritos nas bulas dos imunizantes no Brasil — CoronaVac, Oxford/AstraZeneca, Pfizer e Janssen — não há menção à fibrina ou a infartos.

O cardiologista Agnaldo Piscopo, coordenador de cursos na Socesp (Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo), explica que a fibrina gerada naturalmente no corpo não tem relação com infarto, que costuma ocorrer pelo rompimento de placas na artéria. O médico também ressaltou que não existem evidências de que os imunizantes causem doenças cardíacas.

A mulher do vídeo, que Aos Fatos não conseguiu identificar, ainda desaconselha a vacina para crianças e adolescentes. De acordo com o pediatra infectologista Renato Kfouri, diretor da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações), os mais jovens também são afetados pela Covid-19 e, além do risco de morte, podem transmitir a doença.

Segundo o CDC (sigla em inglês para Centro de Controle e Prevenção de Doenças), órgão de saúde do governo americano, mais de 8.300 crianças de 5 a 11 anos haviam sido hospitalizadas por causa da Covid-19 no país até meados de outubro deste ano, o que resultou em quase cem mortes. Naquele mês, os EUA liberaram o uso do imunizante da Pfizer para crianças de 5 a 11 anos.

No Brasil, a vacinação com Pfizer é recomendada atualmente para adolescentes entre 12 a 18, mas não para crianças. A farmacêutica pediu em 13 de novembro autorização para aplicação do imunizante contra a Covid-19 na faixa etária entre 5 e 11 anos, mas a Anvisa ainda não apresentou sua decisão.

Esta peça de desinformação também já foi checada por Boatos.org, Agência Lupa, Fato ou Fake e Estadão Verifica.

Referências:

1. Anvisa (Fontes 1, 2, 3 e 4)
2. CDC
3. G1


Aos Fatos integra o Third-Party Fact-Checking Partners, o programa
de verificação de fatos da Meta. Veja aqui como funciona a parceria.


De acordo com nossos esforços para alcançar mais pessoas com informação verificada, Aos Fatos libera esta reportagem para livre republicação com atribuição de crédito e link para este site.

Usamos cookies e tecnologias semelhantes de acordo com a nossa Política de Privacidade. Ao continuar navegando, você concordará com estas condições.