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Russomanno engana ao dizer que Prefeitura de São Paulo tem 28 mil caixões estocados

Por Priscila Pacheco

23 de outubro de 2020, 15h56

O deputado federal Celso Russomanno (Republicanos), candidato à Prefeitura de São Paulo, disse em live que o prefeito Bruno Covas (PSDB) comprou caixões em excesso por causa da pandemia e tem cerca de 28 mil em estoque. Isso é FALSO, pois, segundo o município, o serviço funerário tem 9.913 urnas funerárias estocadas, quantidade necessária para ao menos 30 dias.

A acusação de Russomanno foi feita na noite de quarta-feira (21) pelo Vlog do Lisboa, canal do YouTube liderado por Fernando Lisboa da Conceição. Ele é apoiador do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e um dos investigados no inquérito das "fake news", que apura ataques ao STF (Supremo Tribunal Federal) e seus ministros.

A alegação enganosa pode ser encontrada ainda em peças de desinformação que têm circulado nas redes sociais, com ao menos 9.242 compartilhamentos no Facebook até a tarde desta sexta-feira (23).


FALSO

“O Bruno Doria fez um monte de covas aí. Comprou milhares de caixões, milhares de caixões. Agora, tem 28 mil caixões, se não me engano é esse o número, empilhados, guardados, achando que ia acontecer o pior. ” - Celso Russomanno

Na noite de quinta-feira (21), o deputado federal Celso Russomanno (Republicanos), candidato à Prefeitura de São Paulo, acusou a gestão Bruno Covas (PSDB) de comprar caixões em excesso e tê-los estocado. A alegação de Russomanno é similar a de peças de desinformação que têm circulado nas redes sociais com a foto de Covas e a citação “comprou 38 mil caixões. 20 mil estão empilhados num depósito. Um grande gestor”.

Entretanto, de acordo com e-mail enviado pela assessoria de imprensa da prefeitura, a afirmação de Russomanno não procede: há 9.913 urnas funerárias em estoque, o necessário para atender a demanda de ao menos 30 dias. O órgão também disse que antecipou a aquisição de cerca de 38 mil caixões em virtude do crescente número de óbitos durante a pandemia. No dia 21 de março, por exemplo, a prefeitura publicou no Diário Oficial a compra das urnas funerárias confirmadas em pregão eletrônico de 2019, mas que seriam adquiridas ao longo do tempo. Também foi explicado que não foram entregues 38 mil urnas de uma vez.

“Com a reserva técnica, as urnas são entregues e pagas de forma gradativa, conforme diminuição de estoque.” Além disso, desta aquisição, mais de 33 mil já foram usadas em sepultamentos gerais, não apenas para mortes causadas por Covid-19, diz a assessoria.

A prefeitura realiza compras de caixões e outros itens para enterros frequentemente, pois a responsabilidade pelos serviços funerários é municipal, e a Lei 11.083/91 garante gratuidade do sepultamento àqueles que não têm condições financeiras de pagar pelas despesas.

O Aos Fatos verificou que quatro contratos para aquisições até outubro totalizavam 38.763 urnas funerárias, inclusive para armazenamento de cinzas do crematório municipal. Um quinto contrato para aquisições até janeiro de 2021 totaliza 1.216 urnas. Além disso, os documentos presentes no site da prefeitura mostram que as compras são referentes a licitações realizadas em 2018 e 2019. Contratos de 2019, ano no qual a prefeitura comprou 68.980 urnas, são de licitações de 2018 e 2017.

Live. A acusação de Russomanno ocorreu na live transmitida pelo Vlog do Lisboa, canal do YouTube liderado por Fernando Lisboa da Conceição. Conceição é apoiador do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e um dos investigados no inquérito das "fake news", que apura ataques ao STF (Supremo Tribunal Federal) e seus ministros por meio de desinformações, calúnias e ameaças.

Russomanno, que tem discurso alinhado ao presidente e o seu apoio para a candidatura, também minimizou a gravidade da pandemia durante a live. “Por acaso a tal da Covid-19 dizimou todo mundo? Dizimou ninguém”, disse. Entretanto, dados do Ministério da Saúde mostram mais de 5 milhões de casos e 155.900 óbitos confirmados no país. No município de São Paulo, já foram registrados 353.952 casos e 13.373 óbitos confirmados, segundo o boletim epidemiológico do dia 22 de outubro. Em maio, o número de enterros na cidade havia aumentado 69% em relação ao mesmo mês de 2019.

O Aos Fatos entrou em contato com a assessoria de Celso Russomanno, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.

Outras desinformações. Não é a primeira vez que Bruno Covas é alvo de desinformações a respeito da pandemia de Covid-19. Em junho, postagens publicadas nas redes sociais diziam que o prefeito havia proibido o uso da hidroxicloroquina para tratar o novo coronavírus. Entretanto, checagem feita pelo Aos Fatos mostrou que Covas havia liberado o uso do medicamento em hospitais municipais no mês de abril.

Referências:

1. Aos Fatos
2. Diário Oficial
3. Prefeitura de São Paulo (Fontes 1, 2, 3 e 4)
4. Secretaria Municipal de Saúde
5. Ministério da Saúde
6. STF
7. G1

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