Posts enganam ao dizer que a Venezuela não doou oxigênio hospitalar ao Brasil

Por Marco Faustino

18 de janeiro de 2021, 18h28

Publicações nas redes sociais (veja aqui) falseiam ao alegar que a Venezuela não doou oxigênio hospitalar ao Brasil, como anunciou o governo de Nicolás Maduro na semana passada. Segundo essas postagens, o carregamento teria sido cedido por uma filial da White Martins no país vizinho. Mas, na realidade, além do envio feito pela empresa, há uma outra doação que de fato é capitaneada por uma fábrica estatal venezuelana.

A peça de desinformação reunia ao menos 22.070 compartilhamentos no Facebook nesta segunda-feira (18) e foi marcada com o selo FALSO na ferramenta de verificação da rede social (entenda como funciona).


“A empresa brasileira White Martins está importando de sua filial na Venezuela o estoque de oxigênio para Manaus. Não é a Venezuela que está doando. Só pra ficar claro okay.”

Não é verdade que a doação de oxigênio a Manaus anunciada pelo governo da Venezuela na semana passada seja, na realidade, uma iniciativa da White Martins. A empresa de fato atua para importar o gás de sua filial no país vizinho para atender unidades de saúde do Amazonas, mas há sim uma outra doação que é capitaneada por uma estatal venezuelana.

O oxigênio doado pelo governo da Venezuela vem de uma fábrica da estatal SIDOR (Siderúrgica del Orinoco Alfredo Maneiro) em Puerto Ordaz, no Estado de Bolívar. A planta fica a 1.500 km de Manaus, e imagens dos caminhões a 300 km da fronteira com o Brasil foram divulgadas neste domingo (17), pelo Opera Mundi. O comboio cruzou a fronteira com o Brasil na tarde desta segunda-feira, com 132 mil metros cúbicos de oxigênio, informou o G1.

Além disso, as informações sobre o envio da ajuda humanitária foram constantemente atualizadas pelo perfil do Consulado da Venezuela em Manaus, no Twitter, nos últimos dias.

O caso. No dia 14 de janeiro, o ministro de Relações Exteriores venezuelano, Jorge Arreaza, disse em seu perfil no Twitter que, por instrução de Nicolás Maduro, teria tido uma conversa com o governador do Estado do Amazonas, Wilson Lima (PSC), para fornecer todo o oxigênio que fosse necessário. O governador agradeceu a mensagem.

Ao Opera Mundi, Jorge Arreaza afirmou na última sexta-feira (15), que o primeiro carregamento de oxigênio para o Amazonas havia sido autorizado e seria despachado ainda naquele dia. A informação foi repetida pelo ministro à Revista Brasil TVT neste domingo. A oferta do insumo ao Brasil virou alvo de críticas de opositores de Maduro, informou a Folha.

Referências:

1. G1 (Fontes 1 e 2)
2. Opera Mundi (Fontes 1 e 2)
3. Twitter (Fontes 1 e 2)
4. Ministerio del Poder Popular para las Relaciones Exteriores (Versão arquivada)
5. Folha


De acordo com nossos esforços para alcançar mais pessoas com informação verificada, Aos Fatos libera esta reportagem para livre republicação com atribuição de crédito e link para este site.

Usamos cookies e tecnologias semelhantes de acordo com a nossa Política de Privacidade. Ao continuar navegando, você concordará com estas condições.