PF nega existência de novo depoimento em que Adélio incriminaria PT por facada em Bolsonaro

Por Priscila Pacheco

14 de fevereiro de 2022, 20h14

A PF (Polícia Federal) negou nesta segunda-feira (14) que Adélio Bispo, que esfaqueou Jair Bolsonaro na campanha de 2018, deu um novo depoimento no qual acusou o PT de financiar o atentado ao então candidato a presidente, como sustentam publicações na internet (veja aqui). As investigações já concluídas pela corporação apontaram que o agressor agiu sozinho. O inquérito que apura a existência de mandantes, reaberto em novembro de 2021, ainda não foi encerrado.

A alegação falsa sobre o novo depoimento reunia ao menos 71.874 compartilhamentos no Facebook nesta segunda e também circula no Twitter, no YouTube e no WhatsApp.


Selo falso

Em novo depoimento, Adélio Bispo abre jogo sobre facada em Bolsonaro e diz que PT o contratou em 2018

Adélio Bispo não prestou um novo depoimento à PF (Polícia Federal) em que teria dito que o PT o contratou para que ele esfaqueasse o presidente Jair Bolsonaro na campanha de 2018. Ao Aos Fatos, a corporação desmentiu a veracidade da alegação que circula na internet.

Após ser preso em flagrante em 6 de setembro de 2018, em Juiz de Fora (MG), Bispo foi investigado em dois inquéritos da PF, e ambos concluíram que ele agiu sozinho. Em maio de 2019, a Justiça Federal informou que Adélio foi diagnosticado com “transtorno delirante persistente” e, por isso, seria inimputável.

Em novembro de 2020, a revista Veja publicou um trecho do depoimento de Bispo aos policiais em que ele afirma ter recebido uma “ordem divina” para cometer o atentado. A reportagem não cita que ele teria acusado partidos ou políticos de participação no crime.

Em novembro do ano passado, um dos dois inquéritos foi reaberto pela PF para verificar se Bispo recebeu ajuda ou apoio financeiro para o atentado, mas ainda não há informações públicas que confirmem tais suspeitas. A nota enviada nesta segunda-feira pela corporação indicaria ainda que não houve novo depoimento do agressor dentro deste inquérito.

A investigação foi retomada após o TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região) liberar o acesso dos policiais a informações apreendidas com a quebra de sigilo bancário do ex-advogado de Adélio Bispo, Zanone Júnior, e em operação de busca e apreensão feita no escritório dele. Em 2019, a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) havia obtido uma liminar que impedia o uso do material por entender que isso feriria o sigilo profissional.

Origem. No sábado (12), o perfil @AnonNovidades no Twitter publicou que, em depoimento gravado à PF, Adélio teria dito que a facada em Bolsonaro foi encomendada pela campanha de Fernando Haddad (PT), mas não informou a origem da declaração. A alegação foi reproduzida posteriormente em perfis e sites, como o Terra Brasil Notícias.

Procurado por Aos Fatos, o site respondeu nesta segunda que apenas reproduziu a alegação dos tweets do @AnonNovidades e que veiculou uma nova publicação com o desmentido da PF. Aos Fatos não conseguiu contatar o perfil @AnonNovidades.

Referências:

1. G1 (Fontes 1, 2, 3 e 4)
2. Revista Veja
3. Congresso em Foco
4. BBC Brasil
5. Conjur


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