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Mourão não comanda operação das Forças Armadas na Amazônia com ajuda da Nasa

Por Amanda Ribeiro

28 de setembro de 2020, 16h36

Não é verdade que o vice-presidente Hamilton Mourão esteja à frente de uma operação de fiscalização ambiental na floresta Amazônica com o apoio do Exército e da Nasa, agência espacial americana, como apontam peças de desinformação que circulam nas redes (veja aqui). Além de as fotos usadas pelas postagens não serem recentes e não retratarem a mesma ocasião, a existência de tal ação coordenada foi negada pela Vice-Presidência da República.

Compartilhadas por páginas bolsonaristas e perfis pessoais como uma suposta justificativa do aumento das pressões internacionais sobre a preservação da Amazônia, postagens com o conteúdo enganoso acumulavam cerca de 5.000 compartilhamentos até a tarde desta segunda-feira (28). Todas as publicações foram marcadas com o selo FALSO na ferramenta de monitoramento da rede social (saiba como funciona).


FALSO

Uma galeria de fotos tem sido compartilhada nas redes sociais para sugerir que o vice-presidente Hamilton Mourão estaria comandando uma nova operação das Forças Armadas no combate aos incêndios da Amazônia. A ação teria, ainda, a participação da Nasa, agência espacial americana, que contribuiria com imagens de satélite. Nada disso, no entanto, é verdade: além de a Vice-Presidência negar as informações, as imagens que acompanham a peça de desinformação não são recentes nem mostram ações contra queimadas.

Por mais que a ação descrita pela publicação não seja verdadeira, é fato que o Inpe e a Nasa atuam em parceria no monitoramento do desmatamento e de focos de calor na Amazônia. Em documento de 1985, por exemplo, a agência americana detalha um estudo conduzido em parceria com a instituição brasileira para estudar as condições atmosféricas da floresta. Levantamento feito pela Folha de S.Paulo no ano passado em bancos de dados de publicações científicas mostrou que a Nasa é a principal colaboradora internacional do Inpe.

Duas das fotos compartilhadas, que mostram Mourão fardado em uma área de floresta ao lado de outros oficiais do Exército, foram tiradas em 30 de maio de 2019, em Manaus, durante a Marcha da Saudade. O evento, que integra a Semana do Guerreiro de Selva, é organizado pelo Centro de Instrução de Guerra na Selva para comemorar a data do nascimento de seu patrono, o coronel de artilharia Jorge Teixeira de Oliveira.

As outras duas imagens mostram ações diferentes do Exército e podem ser encontradas nas redes sociais da instituição. A primeira, em que uma fila de oficiais caminha por uma área de mata, mostra uma operação de patrulha em 2017 da fronteira que separa o Brasil, a Venezuela e a Guiana Inglesa. De acordo com a legenda da imagem, publicada nas redes sociais do Exército, “foram 93 km de reconhecimento do terreno até alcançar, pela primeira vez, a Comunidade Indígena Carambatai, que fica na região da Tríplice Fronteira”.

A última foto da galeria, com veículos do Grupo de Exploradores do Exército, integra o portfólio de imagens da instituição publicado em sua conta oficial do Flickr em 31 de março de 2015. Não há mais informações na página sobre o contexto em que a imagem foi tirada.

Outra afirmação falsa da peça de desinformação é a de que a Amazônia se tornou uma área militar. Trata-se de uma distorção do conteúdo do decreto nº 9.985/2019, assinado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em agosto do ano passado, que autoriza que as Forças Armadas sejam empregadas em ações de GLO (Garantia da Lei e da Ordem) de combate a focos de incêndio e medidas repressivas contra delitos ambientais na região, caso sejam requisitadas.

Essa desinformação também circulou no ano passado e foi checada por Aos Fatos.

A peça de desinformação começou a circular nas redes em agosto do ano passado, diante de notícias sobre o aumento no número de focos de incêndio na região da Amazônia. Nas publicações, usuários defendiam o governo de críticas internacionais sobre a destruição do bioma afirmando que “exército retomou a Amazônia e colocou ordem nas ongs patrocinadas pelos globalistas, que estavam roubando as riquezas camufladas de defensores da mata”.

Neste mês, diante da divulgação de dados pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) que mostram, mais uma vez, uma tendência de crescimento no ritmo de destruição da floresta, as peças de desinformação voltaram a circular.

O Estadão Verifica publicou checagem similar sobre o conteúdo enganoso na primeira ocasião em que circulou, em agosto do ano passado.

Referências:

1. Nasa
2. Folha de S.Paulo
3. Vice-Presidência da República
4. Exército Brasileiro (Fontes 1 e 2)
5. Planalto
6. Aos Fatos
7. O Globo

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