Geddel não foi inocentado em processo sobre R$ 51 milhões encontrados em malas

Por Priscila Pacheco

22 de julho de 2021, 18h48

Publicações nas redes sociais (veja aqui) enganam ao associar uma foto da apreensão de R$ 51 milhões atribuídos ao ex-ministro Geddel Vieira Lima (MDB) à absolvição dele em um outro processo, relativo ao "Quadrilhão do MDB". O político foi condenado em 2019 no caso do dinheiro apreendido. Também não procede que ações contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estão com o juiz que absolveu o emedebista.

As peças de desinformação contam com ao menos 5,6 mil compartilhamentos no Facebook nesta quinta-feira (22) e foram marcadas com o selo FALSO na ferramenta de verificação da plataforma (saiba como funciona).


Não tem a ver com a decisão que absolveu, em maio, o ex-ministro Geddel Vieira Lima (MDB) o episódio em que foram apreendidas malas com R$ 51 milhões e que pertenceriam a ele, diferentemente do que sugerem as postagens checadas.

Geddel foi absolvido no caso do “Quadrilhão do MDB” junto com o ex-presidente Michel Temer (MDB), de quem foi ministro de Governo, do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, e de outros dez réus. Eles eram acusados pelo MPF (Ministério Público Federal) de associação criminosa por suspeita de propina em órgãos, como Petrobras, Caixa, Ministério da Integração Nacional e a Câmara dos Deputados.

Em maio deste ano, o juiz Marcus Vinícius Reis Bastos, da 12ª Vara Federal do Distrito Federal, absolveu os réus e disse que a denúncia buscava “criminalizar a atividade política”. Na sentença, ele declarou ainda que o caso evidenciava um “abuso do direito de acusar”.

Já a foto das malas recheadas de dinheiro é da Operação Cui Bono, em 2017, na qual a PF (Polícia Federal) cumpriu mandado de busca e apreensão em um apartamento em Salvador (BA) que seria frequentado por Geddel Vieira Lima e seu irmão, o ex-deputado Lúcio Vieira Lima (MDB-BA). Denunciado pelo MPF (Ministério Público Federal) por lavagem de dinheiro e associação criminosa, Geddel foi condenado em 2019 pelo STF (Supremo Tribunal Federal) a 14 anos e 10 meses de prisão.


Vale ressaltar que os processos de Lula foram transferidos para o mesmo julgador

Não é verdade que o juiz Marcus Vinícius Reis Bastos, que absolveu Geddel Vieira Lima na ação sobre o “Quadrilhão do MDB”, assumiu e irá julgar ações relativas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os casos do triplex no Guarujá (SP) e do sítio de Atibaia (SP) foram de fato encaminhados à 12ª Vara Federal do DF, mas estão com a juíza substituta Pollyanna Kelly Medeiros.

Já outras ações que envolvem o ex-presidente - obras no Instituto Lula, compra de caças suecos e BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) - estão hoje na 10ª Vara Federal do DF.

Referências:

1. Estadão
2. CNN Brasil
3. Polícia Federal
4. MPF
5. STF
6. Estado de Minas
7. Justiça Federal

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