FDA não mudou de posição e não recomendou o uso de ivermectina contra a Covid-19

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É falsa a informação de que a FDA (Food and Drug Administration), agência reguladora de medicamentos e alimentos dos Estados Unidos, autorizou o uso da ivermectina contra a Covid-19 no dia 8 de agosto deste ano. As publicações fazem uma interpretação errada de uma fala da advogada da agência segundo a qual, na verdade, a ivermectina nunca foi proibida, porque a FDA não tem poderes para impedir o uso fora de bula de medicamentos aprovados para uso em humanos.

A desinformação, que circulou também nos Estados Unidos, foi publicada em diversas redes e acumula, até a tarde desta quarta-feira (23), mais de 120 mil curtidas no Instagram e 4.000 compartilhamentos no Facebook, ambas plataformas da Meta.


Selo falso

FDA autoriza médicos a utilizarem ivermectina para Covid desde 08/08/23!

Print de vídeo em que médico disse que FDA passou a autorizar uso da ivermectina para tratamento e prevenção da Covid-19, o que é falso

Publicações nas redes enganam ao dizer que a FDA passou a autorizar, no início do mês, que médicos receitem a ivermectina a pacientes infectados pela Covid-19 nos Estados Unidos. Não houve nenhuma alteração nas diretrizes da agência sobre o medicamento, que continua não sendo recomendado para a enfermidade. As peças de desinformação, na verdade, fazem uma confusão em relação a um posicionamento da FDA durante um julgamento:

  • Em outubro de 2021, a FDA publicou um texto intitulado “por que você não deveria usar ivermectina para tratar ou prevenir a Covid-19”, no qual dizia que a agência não autorizava ou aprovava o uso do medicamento contra a infecção porque as evidências disponíveis na época não atestaram eficácia;
  • Em junho de 2022, três médicos do Texas que receitaram ivermectina contra a Covid-19 processaram a FDA por “invadir” o escopo das relações entre médicos e pacientes. De acordo com a ação, a agência violou esta fronteira “ao orientar o público, incluindo profissionais de saúde e pacientes, a não usar ivermectina para tratar a Covid-19, embora o medicamento continue totalmente aprovado para uso humano”. Para os autores do processo, os médicos devem ser livres para escolherem qual o tratamento apropriado para seus pacientes;
  • Em dezembro de 2022, a Justiça do Texas negou a ação porque entendeu que os acusadores não conseguiram provar que foram prejudicados pela FDA;
  • Os autores, então, apelaram à Justiça de New Orleans. Em 8 de agosto de 2023, os autores e a defesa fizeram sustentações orais diante do tribunal. Nessa audiência, a advogada da FDA argumentou que a agência tem autoridade para publicar guias e informar o público, mas que seus documentos não possuem poder legal para regular a atividade médica. Ela disse ainda que “a FDA reconhece explicitamente que médicos têm autoridade para prescrever ivermectina para tratar Covid”;
  • Publicações nas redes passaram, então, a interpretar a declaração da advogada como se a FDA tivesse aprovado a ivermectina para o tratamento da Covid-19, o que é desinformativo.
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Como explicou a advogada, a FDA nunca proibiu o uso da ivermectina contra a Covid-19: como o medicamento não possuía — e continua não possuindo — eficácia comprovada contra a doença, a agência não havia aprovado ou recomendado seu uso.

No entanto, seu uso fora de bula — também chamado de “off-label” — ainda era permitido, uma vez que a agência não tem poder para regular a prescrição de medicamentos que já foram aprovados para uso em humanos em outras ocasiões.

A própria FDA desmentiu as alegações no X (ex-Twitter): “embora a FDA tenha aprovado a ivermectina para certos usos em humanos e animais, ela não autorizou ou aprovou a ivermectina para uso na prevenção ou tratamento do COVID-19, nem a agência declarou que é segura ou eficaz para esse uso”.

Vale ressaltar que a ivermectina não consta na lista da FDA de medicamentos aprovados para o tratamento da Covid-19.

A Reuters também publicou uma checagem sobre o assunto. A peça de desinformação também circulou nos Estados Unidos, onde foi desmentida pelo Snopes e pelo PolitiFact.

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