Ex-advogado de Flávio não atua na defesa de homem que esfaqueou Bolsonaro

Por Priscila Pacheco

25 de junho de 2020, 14h42


Não é verdade que Frederick Wassef, ex-advogado do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), atue na defesa de Adélio Bispo, preso por dar uma facada no presidente Jair Bolsonaro (sem partido) durante a campanha de 2018. A alegação falsa tem circulado em publicações em redes sociais (veja aqui). No entanto, Bispo é representado pela Defensoria Pública da União desde novembro de 2019, como mostra o site da Justiça Federal. Antes disso, seu advogado era Zanone Manuel de Oliveira Jr, que nega a participação de Wassef na defesa.

O nome de Wassef ganhou destaque na última semana desde que Fabrício Queiroz, amigo de Bolsonaro e ex-assessor de Flávio, foi preso pela Polícia Civil na quinta-feira (18) em uma casa que pertence ao advogado, em Atibaia (SP). Até domingo (21), o advogado defendia o senador em um inquérito que investiga um suposto esquema de desvio de verbas em seu gabinete, quando ainda era deputado estadual.

A peça de desinformação acumulava ao menos 7.100 compartilhamentos no Facebook nesta quinta-feira (25). Todas as publicações foram marcadas com o selo FALSO na ferramenta de monitoramento da rede social (saiba como funciona).


FALSO

Coincidência, né? O advogado amigo da familicia e que escondia Queiroz é o mesmo que defende Adélio Bispo, o homem da fakeada.

Uma postagem que tem circulado nas redes sociais alega que Adélio Bispo de Oliveira, que esfaqueou o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) durante a campanha eleitoral de 2018, é defendido por Frederick Wassef. Ele é ex-advogado do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) e dono da casa onde foi preso na quinta-feira (18) Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio. Como aponta o site da Justiça Federal, a informação é falsa — Bispo na verdade é representado pela DPU (Defensoria Pública da União).

Até novembro de 2019, sua defesa era de responsabilidade de Zanone Manuel de Oliveira Jr. Em contato por mensagem de texto com a reportagem, ele diz que Wassef nunca atuou no caso. Oliveira deixou o processo, mas segue como representante de Bispo nos atos jurídicos civis e é também seu curador — responsável legal nomeado pela Justiça porque Bispo é considerado sem condições mentais para responder por si mesmo.

Em 2019, Jair Bolsonaro chegou a dizer que Wassef era seu advogado na acusação contra Bispo, mas o advogado também não aparece na relação de representantes do presidente.

O nome de Wassef ganhou destaque no noticiário da última semana desde que Queiroz — acusado de participar de um esquema de "rachadinha" no gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro — foi preso em uma casa que pertence ao advogado em Atibaia, interior de São Paulo. No domingo (21) após o episódio, ele deixou a defesa de Flávio.

A peça de desinformação também foi checada por Fato ou Fake e pela Agência Lupa.

Referências:

1. G1 (1 e 2)
2. UOL
3. Estadão
4. Agência Brasil (1 e 2)
5. Agência Lupa
6. OAB-MG
7. Tribunal Regional da Primeira Região