É falso que protestos no Cazaquistão foram causados por bloqueio de contas de não vacinados

Por Marco Faustino

14 de janeiro de 2022, 18h34

Não é verdade que as manifestações recentes no Cazaquistão são motivadas por uma decisão do governo local de bloquear as contas bancárias de cidadãos que não se vacinaram contra a Covid-19, como alegam postagens nas redes sociais (veja aqui). Os protestos eclodiram em razão do aumento do preço do gás. Tampouco procedem as afirmações de que o presidente cazaque saiu do país, de que centros de vacinação foram incendiados e de que o passaporte de imunização pode bloquear bens da população.

Publicações com o conteúdo enganoso contavam com ao menos 10.000 compartilhamentos no Facebook nesta sexta-feira (14).


Selo falso

Na verdade o que aconteceu lá [no Cazaquistão] foi que o governo impôs o QR Code, né, que você tem que ter o aplicativo de vacinação no seu telefone. E só com ele ativado que você pode retirar seu dinheiro no banco, acessar seu dinheiro no banco. A população lá simplesmente em 24h botou fogo em todos os prédios do governo, prendeu todos os médicos que estavam fazendo parte da vacinação, queimaram todos os centros de vacinação e então praticamente o governo de lá está todo exilado. Está todo mundo tentando fugir de lá. Desligaram a internet do Cazaquistão

O narrador do vídeo que circula nas redes sociais engana ao apontar que a recente onda de protestos no Cazaquistão teria a ver com uma decisão do governo de bloquear o acesso a contas bancárias de cidadãos que não se vacinaram contra a Covid-19. Na realidade, as manifestações começaram em razão do aumento do preço do gás de cozinha no país.

Os protestos começaram no dia 2 de janeiro, após a suspensão do controle de preço do GLP (Gás Liquefeito de Petróleo) pelo governo, que mobilizou sua força policial para conter os manifestantes. Até 10 de janeiro, cerca de 8 mil pessoas tinham sido detidas, 2 mil feridas, e 164 mortos, segundo o Ministério do Interior.

Em meio aos distúrbios, prédios do governo de fato foram invadidos e incendiados, e serviços de internet cortados em grande parte do país. Aos Fatos, porém, não localizou registros de que manifestantes teriam ateado fogo a centros de vacinação ou prendido médicos que participam da campanha de imunização local, como sustenta a postagem.

Além disso, o aplicativo de vacinação citado pela peça de desinformação não prevê qualquer vínculo ou restrição a contas bancárias dos usuários (confira aqui e aqui).

Por fim, o presidente do Cazaquistão, Kassym-Jomart Tokayev, segue no poder e não havia indícios, até a publicação desta checagem, de que ele deixou o país.

Origem. A peça de desinformação é apresentada por um narrador não identificado por Aos Fatos, cuja voz é sobreposta às cenas de um confronto entre policiais e manifestantes, veiculadas primeiro no Twitter no 4 de janeiro pelo correspondente da BBC News no país asiático, Abdujalil A. O texto que acompanha o vídeo original informa que os protestos começaram em razão do aumento no preço dos combustíveis.

Esta peça de desinformação também foi checada por Boatos.org, E-farsas e Lupa.

Referências:

1. O Globo
2. G1 (Fontes 1 e 2)
3. BBC
4. Governo do Cazaquistão (Fontes 1 e 2)
5. EFE
6. Astana Times
7. Twitter Abdujalil A


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