É falso que limpar a chave do carro com álcool pode provocar incêndios

Por Priscila Pacheco

4 de agosto de 2020, 13h37


A higienização das chaves de carro com álcool 70% não tem potencial para causar incêndio no veículo, como afirmam postagens nas redes sociais que indicam a limpeza somente com água e sabão (veja aqui). Segundo o Corpo de Bombeiros de São Paulo, este risco não existe, pois o álcool evapora rapidamente e é usado em pequena quantidade. Além disso, para pegar fogo, o produto deve reagir com oxigênio e faíscas, o que dificilmente acontece em carros em bom estado, já que a área da ignição fica isolada de onde pode haver pane.

A peça de desinformação também engana ao afirmar que a higienização da chave com álcool foi responsável por um incêndio em uma garagem em Belém. Segundo o Corpo de Bombeiros do Pará, não há registros de que o fogo tenha sido provocado por este motivo.

No Facebook, a postagem enganosa contava com ao menos 2.360 compartilhamentos nesta terça-feira (04) e foi marcada com o selo FALSO na ferramenta de verificação da rede social (entenda como funciona).


FALSO

Não higienize a chave do carro com álcool em gel ou líquido 70%. Muitos acidentes estão ocorrendo por isso. O incêndio que houve recentemente, numa garagem em Belém do Pará, foi decorrente de uma chave de carro higienizada com álcool gel 70%, que ao ser colocada na ignição, gerou uma faísca e acabou incendiando o veículo.

Chave de carro deve ser higienizada com água e sabão neutro.

Postagens nas redes sociais enganam ao dizer que chaves de carro devem ser higienizadas apenas com água e sabão, pois o álcool 70% pode provocar incêndio no automóvel. O Corpo de Bombeiros de São Paulo refuta a informação. Em conversa por telefone, a corporação afirmou que não há perigo em limpar as chaves com álcool porque ele evapora rapidamente e é usado em pequenas quantidades. Além disso, a ignição, processo de inflamação do combustível, ocorre no motor, não na cabine do automóvel.

De acordo com Antônio Fernando Maiorquim, técnico em automação da Escola Politécnica da USP (Universidade de São Paulo), a chave de um carro apenas aciona o mecanismo ao qual está conectado o dispositivo que fecha os contatos elétricos. Estes, por sua vez, são fechados dentro de uma câmara, que os protege de poeira e umidade. “Essa barreira também protege os contatos dos vapores de álcool que podem emanar da chave”, comenta.

Luísa Fernanda Rios, engenheira química da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), explica que sempre é recomendável deixar secar todo objeto limpo com álcool antes de manipular algo quente. E ressalta que, apesar de o produto ser inflamável, para haver combustão é necessária uma reação de oxigênio com algum tipo de faísca. Segundo a engenheira, um carro deve estar em mau estado para haver a possibilidade de gerar faíscas, por exemplo, em pane elétrica.

A peça de desinformação também cita que houve incêndio em uma garagem de Belém (PA) causado por uma chave higienizada com álcool. De fato, um carro pegou fogo no mês de junho na garagem de um prédio localizado no bairro de Umarizal. Entretanto, em nota para o Aos Fatos, o Corpo de Bombeiros Militar do Pará diz que não há registros de que a causa do incêndio tenha sido a higienização da chave do automóvel com álcool em gel.

Cuidados com álcool. Rios orienta, ao limpar superfícies com álcool, passar um pano seco para retirar o excesso. Para higienizar celulares e outras telas de eletrônicos, prefira o álcool isopropílico, por ser mais seco e não danificar as peças. Por fim, o Corpo de Bombeiros do Pará ressalta que é necessário manter o produto sempre em recipiente bem fechado e evitar que haja vazamentos próximos a fontes de calor.

As imagens que têm circulado são atribuídas à Autovasf (Associação de Reparadores Automotivos do Vale do São Francisco) e à concessionária Guavepe, de Bom Jesus da Lapa (BA). Aos Fatos não conseguiu contato com a associação e a concessionária negou, no Instagram, a autoria da peça de desinformação.

Publicações similares já foram checadas por Estadão Verifica, Agência Lupa, Boatos.org e Fato ou Fake, do G1.

Referências:

1. Corpo de Bombeiros do Pará
2. Estadão
3. Agência Lupa
4. G1 (Fontes 1 e 2)


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