É falso que Jean Wyllys foi intimado para depor em investigação sobre Adélio Bispo

Por Marco Faustino

10 de novembro de 2021, 17h58

Publicações nas redes sociais enganam ao dizer que o ex-deputado federal Jean Wyllys foi intimado para depor nas investigações que envolvem Adélio Bispo, homem que esfaqueou o então candidato à Presidência Jair Bolsonaro, em setembro de 2018 (veja aqui). A Polícia Federal, a Procuradoria-Geral da República, a Procuradoria da República em Minas Gerais e a Justiça Federal negaram que Wyllys seja investigado no âmbito do atentado contra Bolsonaro.

O conteúdo enganoso acumulava ao menos 7.775 compartilhamentos no Facebook nesta quarta-feira (10).


Selo falso

Intimado para depor sobre o caso Adélio, Jean Wyllys desaparece

É falsa a informação difundida nas redes sociais de que o ex-deputado federal Jean Wyllys foi intimado para depor em investigação sobre Adélio Bispo, autor da facada em Jair Bolsonaro, então candidato à Presidência da República, em setembro de 2018. A PF (Polícia Federal), a PGR (Procuradoria-Geral da República), a Procuradoria da República em Minas Gerais e a Justiça Federal em Juiz de Fora (MG) desmentiram a alegação.

Em entrevista ao Aos Fatos, o delegado da PF de Minas Gerais responsável pelas investigações sobre o caso, Rodrigo Morais, classificou a alegação como falsa. “Não há qualquer elemento ou dado que justifique uma investigação em relação ao Jean Wyllys. Nem mesmo foi apresentado requerimento por parte da defesa da vítima para que ele fosse investigado”, afirmou.

A PGR informou que não localizou qualquer “apuração ou investigação envolvendo o ex-deputado Jean Wyllys e o fato mencionado”. A Procuradoria da República em Minas Gerais disse que, para o MPF (Ministério Público Federal), que ofereceu denúncia contra Adélio, a informação é falsa.

A Justiça Federal em Juiz de Fora, por intermédio do TRF-1 (Tribunal Regional Federal da Primeira Região), informou que Jean Wyllys não foi intimado, nem fez parte do rol de investigados pela ação penal já concluída contra Adélio Bispo. Em 2019, a Justiça considerou Adélio inimputável (incapaz de responder por seus atos) por ser diagnosticado com transtorno delirante persistente.

Preso em flagrante logo após o atentado, em 6 de setembro de 2018, Adélio foi alvo de dois inquéritos da PF, um que investigava o atentado em si e outro que tentava descobrir possíveis mandantes. Nos dois casos a Polícia Federal concluiu (confira aqui e aqui) que ele agiu sozinho e por motivação política.

No último dia 3 de novembro, o TRF-1 permitiu a análise dos dados bancários e demais materiais apreendidos do advogado Zanone Júnior, que defendeu Adélio. Essa decisão não envolve Wyllys.

Paradeiro. As peças de desinformação também alegam que Jean Wyllys não estaria mais em Barcelona, na Espanha, local onde passou a morar no início de 2021. Porém, Aos Fatos não encontrou indícios que o ex-deputado tenha deixado o país europeu. Em publicações feitas no fim de outubro e início de novembro em seu perfil no Instagram (confira aqui, aqui e aqui), Wyllys divulgou peças artísticas de sua autoria sobrepostas a notícias do jornal 20 minutos, que circula em Barcelona, nas mesmas datas das publicações.

Aos Fatos tentou contato com o ex-parlamentar por meio de seus perfis verificados nas redes sociais (confira aqui e aqui), mas não obteve retorno.

Esta não é a primeira desinformação que tenta associar Jean Wyllys a Adélio Bispo. O Aos Fatos já desmentiu que o Ministério Público Federal identificou depósitos do ex-deputado para advogado de Adélio e que o ex-deputado teria recebido uma visita dele em seu gabinete antes do atentado.

Referências:

1. TRF-1
2. G1 (Fontes 1 e 2)
3. Estadão (Fontes 1 e 2)
4. Agência Brasil
5. Jornal Extra
6. Instagram (Fontes 1, 2, 3 e 4)
7. Facebook
8. Aos Fatos (Fontes 1 e 2)


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