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É falso que governo do Amazonas deve R$ 52 milhões à White Martins

Por Marco Faustino

18 de janeiro de 2021, 17h13

Não é verdade que o governo do Amazonas deve R$ 52 milhões à White Martins e que, por isso, a empresa teria deixado de fornecer o oxigênio hospitalar necessário para atender pacientes nos hospitais de Manaus, como afirmam postagens nas redes sociais (veja aqui). A dívida remanescente do estado com a companhia é de R$ 1,2 milhão e a primeira parcela foi paga em novembro do ano passado. Além disso, a White Martins não parou o abastecimento, mas enfrentou um aumento na demanda superior à capacidade de produção da sua fábrica na região.

O conteúdo enganoso reunia ao menos 1.564 compartilhamentos no Facebook nesta segunda-feira (18) e foi marcado com o selo FALSO na ferramenta de verificação da rede social (entenda como funciona).


“Moro a uns 3 km da White Martins e o que não falta é oxigênio aqui. O problema é que o governo deve a empresa 52 milhões e não pagou.”

O governo do Amazonas não deve R$ 52 milhões à White Martins nem a empresa deixou de fornecer oxigênio hospitalar a Manaus em razão de uma dívida, como alegam publicações nas redes sociais. Atualmente, o estado paga em parcelas um débito de R$ 1,2 milhão com a companhia, segundo informou a administração local.

Entre 2019 e 2020, o Amazonas pagou R$ 29,6 milhões à White Martins, que é responsável por 90% do fornecimento de oxigênio para a rede de saúde estadual. A dívida atual, de R$ 1,2 milhão, é referente a 2018 e a primeira parcela, de R$ 100 mil, foi paga em dezembro do ano passado, de acordo com o governo.

A White Martins negou ter interrompido o fornecimento de oxigênio em razão de dívidas e disse que "tem dedicado todos os esforços para fornecer a maior quantidade possível de oxigênio alcançando um patamar muito superior às obrigações contratuais da White Martins junto ao estado do Amazonas”. Em uma reunião no domingo (17), um representante da companhia também chegou a desmentir a alegação.

O problema de abastecimento estaria relacionado ao forte aumento da demanda por oxigênio hospitalar em Manaus, reflexo do avanço das internações por Covid-19. Ao UOL, a White Martins afirmou que o consumo diário de oxigênio no Amazonas chegou a 76,5 mil metros cúbicos na semana passada, enquanto a produção local da empresa na região seria de cerca de 28,2 mil metros cúbicos.

Esta peça de desinformação também foi checada por Boatos.org e Lupa.

Referências:

1. Governo do Estado do Amazonas
2. UOL
7. Boatos.org
8. Lupa


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